terça-feira, 23 de abril de 2013

VI Missão Técnica Green Buildings em Nova York 2013

Caros,

Estão abertas as inscrições para a 6a edição da Missão Técnica Green Buildings em Nova York EcoBuilding / ArqTours, que ocorrerá em Julho próximo.
São experiências de fato excepcionais, de grande enriquecimento para aqueles que desejem se atualizar em relação à Construção Sustentável, naquela que é considerada uma referência na área, entre as mais importantes cidades do mundo.

Eu recomendo. Veja mais informações abaixo.

 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Sistema de Tratamento de Águas Living Machine - San Francisco Public Utilities Comission - Missão Técnica GreenBuild 2012

Caros,

Em Novembro 2012, durante a Missão Técnica GreenBuild Conference São Francisco, pude conhecer um sistema que, posso afirmar, mudou minha opinião com relação ao tratamento de águas residuais em instalações em edifícios localizados em centros urbanos.

Trata-se de uma sistema patenteado chamado Living Machine e o conheci por conta de uma visita técnica que fizemos como parte da agenda daquela missão, ao edifício sede da San Francisco Public Utilities Comission, a companhia de águas da cidade e da região da Bay Area, um excepcional LEED Platinum inaugurado há apenas 3 meses antes, que havia sido projetado para ser o edifício público mais sustentável dos EUA.

Dentre as diversas estratégias implementadas para lograr atingir este objetivo, estão a aplicação de uma arquitetura que favorece a eficiência energética com fachada sul protegida e norte envidraçada (está no Hemisfério Norte), e a utilização de sistemas fotovoltáicos e geradores eólicos de eixo vertical incorporados nestas fachadas. 

Mas o que de fato mais me chamou a atenção foi o sistema de tratamento de águas residuais, cinzas e negras, que é feito no próprio prédio, com este sistema Living Machine, que está instalado justo sob o lobby principal de entrada do empreendimento, onde sua parte visível, jardineiras com discreto paisagismo, fazem parte do design do ambiente, interno e externo à entrada do edifício.

Como o próprio nome do sistema sugere, trata-se de uma sistema de tratamento biológico, para decomposição da matéria orgânica contida nas águas oriundas de vasos sanitários, mas que, apenas disto, nao permite a passagem de qualquer odor para o ambiente do lobby. O sistema prevê o bombeamento e sucção mecânicos das águas residuais em tanques específicos, provocando um efeito "maré" que estimula o processo de filtragem e absorção da matéria orgânica pelas plantas e bactérias.

Como resultado, o edifício reutiliza 90% da água utilizada, ficando os restantes 10% devidos a perdas por evaporação. É, portanto, praticamente um edifício autônomo quanto ao uso de água potável. Um excelente exemplo da Companhia de Águas de São Francisco.

Turbina eólica aproveita vapor e o calor do sol para gerar energia

Da Redação CicloVivo, publicado em AutomaticHouse, Quinta-feira, 28 de março de 2013


A empresa norte-americana Clean Wind Tower, Inc. desenvolveu um projeto de turbina eólica eficiente até mesmo em locais com ventos fracos. A tecnologia aplica conceitos físicos, como o aproveitamento da força produzida pelo vapor, à utilização dos ventos.

A turbina é bem diferente das tradicionais eólicas, com pás gigantes que lembram cata-ventos. A Clean Wind Power, vista de fora, parece ser apenas um grande cilindro, com 675 metros de altura. Ele é internamente oco e em sua abertura superior possui um sistema de pulverização de água, usada para esfriar o ar quente e seco que entra no tubo.

Este processo faz com que o ar torne-se mais denso e pesado do que o exterior, assim, quando ele cai, ganha velocidade de até 80 km/h. Ao chegar à parte inferior da torre, ele é direcionado efetivamente às turbinas eólicas, movimentando-as e gerando eletricidade.
Mesmo que o sistema funcione em locais com ventos fracos, a sua eficiência é elevada conforme aumenta-se também a constância eólica. Assim, quando instalada em locais com ventos fortes, é possível aproveitar o cilindro para a instalação de turbinas tradicionais na superfície. Isso coopera para o aumento na produção energética.
"Uma torre é equivalente a, pelo menos, uma usina nuclear", explica George Elliott, cientista e consultor da empresa fabricante. Segundo ele, outra vantagem, além de ser totalmente limpa, é a baixa manutenção que a alternativa eólica demanda. "Estas torres, aparentemente, podem durar para sempre, pois tudo o que você está usando é água, vapor e vento", opina o especialista, em declaração à KPMH.
O protótipo do projeto está planejado para ser instalado no Arizona, EUA, com o potencial para abastecer até 1,6 milhões de casas na Califórnia e no Arizona. A primeira torre tem capacidade projetada para produzir mil megawatts brutos por hora. No dia-a-dia, ela deve trabalhar com a produção de 700 MW hora, sendo cem megawatts utilizados para mantê-la em funcionamento, conforme informado pela empresa.

Veja abaixo o vídeo de divulgação da Clean Wind Tower:



quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

IV Missão Técnica EcoBuild Londres - EcoBuilding / ArqTours - 01 e 09 de Março de 2013

Caros,

A IV edição da Missão Técnica EcoBuild Londres ocorrerá entre os dias 01 e 09 de Março de 2013.
Mais uma vez, visitaremos a feira EcoBuild, um dos dois maiores eventos do mundo sobre Construção Sustentável, e - como sempre nas missões EcoBuilding / ArqTours (pioneiras em levar grupos brasileiros para a feira de Londres) - realizaremos visitas técnicas a importantes e destacados empreendimentos, escritórios e empresas do setor, responsáveis por muitos dos mais avançados e emblemáticos exemplos de edifícios sustentáveis do planeta.
Na coluna da direita logo abaixo aqui no Blog do Macêdo poderão ver muitas fotos das edições anterioes.
São experiências de fato muito enriquecedoras. Eu recomendo.
As vagas são limitadas. Para reservar as suas, entre em contato com a ArqTours ou, se preferir, preencha ficha de cadastro disponível na página que abrirá clicando na imagem abaixo.
Até breve,

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Embaixada da Itália é referência em produção de energia renovável

Publicado no portal G1 em Janeiro de 2013.


Prédio investe em sistema de geração a partir de luz do sol e de ventos. Universidade de Brasília e companhia energética completam a parceria.


Uma parceira entre a embaixada italiana, a Universidade de Brasília (UnB) e a Companhia Energética de Brasília (CEB), fez do prédio da embaixada na capital federal uma referência em todo o país nos estudos e na produção de energia renovável. O projeto, com o custeio de empresas italianas, promove investimentos na geração de energia a partir da luz do sol e dos ventos para provar que é possível uma casa de uma família comum gerar boa parte da energia que consome de maneira sustentável.
De acordo com o professor Rafael Shayani, do departamento de Engenharia Elétrica da UnB, na atual fase do projeto, a embaixada já consegue reduzir 20% no consumo de energia.  A economia, explica o professor, é resultado de placas fotovoltaicas instaladas no telhado do prédio e que geram energia elétrica a partir da luz do sol. “As placas fotovoltaicas, diferente dos coletores solares, são capazes de produzir a energia elétrica e suprir a demanda do prédio. Os coletores solares, que geralmente se encontram em alguns telhados de casas brasileiras, servem apenas para esquentar a água”, detalha Rafael Shayani.
Placas fotovoltaicas instaladas no telhado da embaixada italiana em Brasília (Foto: Embaixada da Itália)Placas fotovoltaicas instaladas no telhado da embaixada italiana em Brasília (Foto: Embaixada da Itália)
O professor também explica que o tamanho da economia com energia elétrica depende da quantidade das placas fotovoltaicas instaladas no telhado.
Para fazer uma comparação, no telhado da embaixada da Itália – que é um prédio grande com consumo alto – há 400 placas instaladas, que juntas têm potência de geração de 50 kilowatts.
Uma casa típica estaria bem abastecida com potência de 2 kilowatts, calcula o professor, a um custo de R$ 20 mil reais. Esse investimento, ainda de acordo com Rafael Shayani, daria uma economia de R$ 150 por mês na conta de energia.
Já há uma empresa brasileira que vende essas placas. Na internet, é possível encontrar fornecedores estrangeiros. A pessoa que estiver interessada em instalar as placas fotovoltaicas não precisa comprar um sistema que dê conta de toda a demanda da casa. Pode ser apenas uma quantia para ajudar a complementar o fornecimento de energia. Para fazer a instalação, é necessário ligar na concessionária de energia do estado e solicitar o serviço de “compensação de energia com micro-geração”, que é o termo técnico usado.
A concessionária então fará a instalação do sistema interligado à rede de energia e também de um novo medidor de energia. O novo medidor permite que, quando a energia da casa gerada pelas placas não estiver sendo usada, ela retorne para a rede. Desse modo, é como se o consumidor estivesse “devolvendo” energia para a concessionária, o que gera economia na conta.
“O projeto está provando que é possível uma casa produzir, de forma sustentável, boa parte da energia que consome. O principal é que, por trás dessa iniciativa, há toda uma propaganda ambiental, que vale muito. O sistema não produz nenhum gás do efeito estufa. Não gera custo de saúde pública”, diz o professor.
Desde abril de 2012, a Aneel regulamentou o uso das placas fotovoltaicas como complemento à energia fornecida pelas concessionárias. Para o professor Rafael Shayani a regulamentação é um avanço para que a iniciativa se espalhe pelo país. “Temos muito potencial de sol aqui no Brasil, a tendência é que essa tecnologia se espalhe, principalmente pelas cidades ensolaradas, como Belo Horizonte e Brasília”, afirma. Apesar disso, ele ressalta que o sistema ainda é muito novo e que deve levar tempo para consumidores e concessionárias se adaptarem.
Plantas usadas no tratamento de fitodepuração da água do esgoto produzido pela embaixada (Foto: Embaixada da Itália)Plantas usadas no tratamento de fitodepuração da água do esgoto produzido pela embaixada (Foto: Embaixada da Itália)
Uma próxima fase do projeto na embaixada contará com a instalação de 5 micro-turbinas eólicas no telhado da embaixada, para aproveitar a força do vento na geração de energia. Ainda dentro da busca pela sustentabilidade, a embaixada conta também com um sistema de tratamento do esgoto por meio de plantas que consomem as impurezas da água. Livre das substâncias tóxicas, a água pode ser reutilizada, desde que não seja para beber.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Selo Procel Eletrobras para Painéis Solares Fotovoltaicos

Publicado no Portal procelinfo.com.br em Dezembro de 2012.


Brasil – Diferente do Selo Procel Eletrobras para eletrodomésticos, a concessão deste para painéis solares fotovoltaicos indica maior produção de energia elétrica, a partir de energia solar

Ivana Varela, para o Procel Info

Brasil – Atualmente, com o grande empenho e conscientização em direção a uma maior eficiência energética no uso e na geração, as fontes alternativas têm se tornado cada vez mais utilizadas no país. Através de muito estudo e tecnologia avançada se tornou possível transformar luz solar, tão abundante em terras brasileiras, em energia elétrica. Este procedimento é uma realidade graças às células fotovoltaicas, dispositivos elementares utilizados justamente para converter a energia da luz solar em energia elétrica.

O conjunto dessas células solares interligadas eletricamente e encapsuladas formam o módulo fotovoltaico. Quando montados de modo a formar uma estrutura única, esses módulos, também interligados eletricamente, resultam na construção do então chamado painel solar fotovoltaico. Quando expostos ao sol, os painéis captam a luz solar e fazem a corrente elétrica fluir entre duas camadas com cargas opostas. Apesar de cada célula solar fornecer uma quantidade relativamente pequena de energia, um conjunto de células solares espalhadas numa grande área pode gerar uma quantidade de energia suficiente para abastecer, por exemplo, uma residência.

A engenheira eletricista da Eletrobras, Dayana Teixeira, explica como acontece o processo do aproveitamento da energia solar em energia elétrica. “O material das células que compõe módulos fotovoltaicos, quando exposto a luz, permite uma circulação de corrente. E é essa movimentação de elétrons a responsável pela geração de eletricidade.”, afirma.

A eficiência dos módulos está atrelada ao tipo de tecnologia das células que os compõem, ou seja, é a tecnologia utilizada que dirá o quanto o módulo irá aproveitar da irradiação solar incidida sobre ele para transformar em energia elétrica. Sendo assim, um módulo com eficiência de 13% consegue transformar esse percentual da energia do sol incidida sobre o painel em energia elétrica.

Ainda segundo Dayana, existem tipos diferentes de tecnologia de células fotovoltaicas que compõe os painéis, silício monocristalino, silício policristalino, filmes finos, entre outros. Porém, cerca de 83% da produção mundial de módulos fotovoltaicos é baseada no silício cristalino.

Atualmente, os módulos já participam do programa de etiquetagem do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que classifica os módulos fotovoltaicos quanto à sua eficiência, que é medida em condições padronizadas de testes em laboratórios acreditados pelo Instituto. Entre os módulos avaliados, os mais eficientes são destacados com o Selo Procel Eletrobras.

Segundo Marcos Borges, responsável pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro, os ensaios laboratoriais dos painéis fotovoltaicos são realizados em condições padrão, onde verificam-se: a potência máxima, isolamento elétrico e a resistência de isolamento em condições de umidade, dentre outras análises. “Sendo aprovados nesses ensaios, os modelos devem ser registrados no Inmetro e submetidos a ensaios de manutenção, com periodicidade anual, de forma a evidenciar o contínuo atendimento aos critérios da regulamentação”, explica.

Os módulos e seus componentes já são etiquetados pelo Inmetro de forma voluntária desde 2008. Mas, em julho de 2012, o programa foi revisado e se tornou compulsório, de forma que fabricantes e importadores só poderiam comercializar, no país, produtos etiquetados e registrados pelo Instituto. “Trata-se de um programa diferente. Enquanto os eletrodomésticos são etiquetados considerando-se a eficiência energética relacionada com o consumo de eletricidade, os painéis fotovoltaicos são classificados quanto à produção de energia”, diz Borges.

"Como todos os equipamentos eletrônicos, os painéis solares fotovoltaicos para obter o Selo Procel Eletrobras de Eficiência Energética também precisam ter a classificação A de eficiência de energia na ENCE".

Os painéis solares fotovoltaicos para obter o Selo Procel Eletrobras de Eficiência Energética também precisam ter a classificação A de eficiência de energia na Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE). Até a presente data já estão etiquetados 270 modelos de painéis fotovoltaicos.Em abril deste ano foi inaugurada uma usina geradora de energia solar fotovoltaica no estádio de futebol Governador Roberto Santos, conhecido como Pituaçu. Os painéis ficam na cobertura das arquibancadas e vestiários. O projeto custou cerca de R$ 5,5 milhões, que foram investidos pela Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia, Coelba, e pelo governo do Estado. A energia gerada é usada durante o dia nas instalações do estádio e a produção excedente é lançada na rede da concessionária. O sistema tem capacidade para gerar 400 kWp (megawatt pico), o que proporciona uma geração anual de energia elétrica estimada em 630 MWh.

Apesar dos custos da tecnologia dos painéis solares ainda serem muito altos, a opção tem se tornado mais acessível ao longo do tempo. ”Pela quantidade de produtos que já está etiquetada no nosso programa, acreditamos que os painéis solares serão uma realidade de mercado”, conclui Marcos Borges.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Tecnologia utiliza tubos de vidro a vácuo para aquecer água de residências e indústrias

O produto pode substituir os modelos atuais, que prejudicam o meio ambiente, gastam energia elétrica e ainda são caros.
O produto pode substituir os modelos atuais, que prejudicam o meio ambiente, gastam energia elétrica e ainda são caros.

Publicado em automatichouse.com.br Dezembro de 2012.

Um novo aquecedor de água foi desenvolvido para aproveitar energia solar. O produto é uma alternativa para os consumidores conscientes. Através dele, é possível ter água aquecida por um sistema que impacta menos o meio ambiente.
O aquecedor, batizado de Aquakent, utiliza uma tecnologia de tubos de vidro a vácuo para esquentar grandes quantidades de água. Ele pode ser usado em residências, edifícios, academias, hotéis, hospitais e indústrias.
Os tubos funcionam como isolante térmico, impedindo a perda de calor para o ambiente. O produto exige uma área coletora menor que a dos outros sistemas por ser mais eficiente e, por isso, também ocupa uma área reduzida de instalação, afirma a empresa em seu site.
Além disso, o produto lançado oficialmente na feira de hotelaria e serviços de bares e restaurante Equipotel 2012, em São Paulo, se enquadra às normas de sustentabilidade da certificação LEED.
A nova tecnologia pode substituir os modelos atuais, que prejudicam o meio ambiente, gastam energia elétrica e ainda são caros. Com o sistema ecológico, é possível gerar uma economia de até 80%. A empresa garante que a tecnologia pode ser aplicada desde uma casa popular até uma residência de alto padrão.
"É consenso mundial que a energia solar térmica se tornará um pilar fundamental e indispensável do futuro no mix de oferta de energia mundial. Nosso produto se encaixa como uma solução eficiente para suprir em médio e longo prazo grande parte da demanda de calor e frio nas residências e edificações", declara o diretor comercial da companhia, Ricardo Kamel.
A empresa brasileira JAMP desenvolve projetos sustentáveis em diversas áreas da economia. Os aquecedores são produzidos na cidade de Ouvidor, em Goiás, e o escritório está localizado em São Paulo. Com informações do Bem Paraná.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Eficiência energética em edificações dá samba no Brasil?


Publicado em Dezembro de 2012 no portal ambiente energia.

Por Gustavo Haydt* - A ideia de ter uma construção energeticamente eficiente e certificada não é nada nova, apesar de o assunto ter-se tornado constante nos últimos tempos. Mas qual o objetivo da eficiência energética na edificação? Um dos objetivos gerais da eficiência energética em edifícios é economizar no uso de energia sem comprometer os níveis de saúde, conforto e produtividade. Em outras palavras, utilizar menos energia no uso diário do edifício, mas tendo construções de igual ou melhor qualidade.
Historicamente se pode indicar a Europa como sendo uma pioneira na formalização de uma regulamentação com intuito de obter redução do uso da energia nas edificações. Para tal, desenvolveu regulamentos sobre a construção das envoltórias dos edifícios no final da década de 1970 para reduzir a transferência de calor através de elementos da envoltória (e.g. paredes e janelas) e de difusão de vapor e controle de permeabilidade ao ar, seguido por regulamentos e recomendações de melhores práticas sobre o cálculo, projeto e manutenção de conforto térmico (e.g. aquecimento, ventilação e ar condicionado – AVAC e água quente sanitária – AQS) (Pérez-Lombard et al., 2009).
Entretanto, o conceito de certificação das características energéticas dos edifícios só surgiu praticamente duas décadas depois (em 1993) com a promulgação da Diretiva Europeia 93/76/CEE. Esta considerava a importância da certificação como um instrumento para prestar uma informação objetiva sobre as características energéticas dos edifícios, contribuir para uma maior transparência do mercado imobiliário, incentivar o investimento na poupança da energia, ajudar a estabilizar as emissões totais de dióxido de carbono, dado que os setores residencial e de serviços eram responsáveis por cerca de 40% do consumo final de energia da Comunidade na época (energia majoritariamente de origem fóssil), e considerando, finalmente, que os edifícios novos iriam ter repercussões no consumo de energia a longo prazo (dado que a vida útil de uma construção pode ultrapassar os 50 anos) e que, por conseguinte, importava dotá-los de isolamento térmico eficaz e adaptado às condições climáticas locais.
No mesmo ano de 1993, se formava o Green Building Council dos EUA (USGBC), um grupo diversificado formado por arquitetos, corretores de imóveis, proprietários de edifícios, advogados, ambientalistas, e representantes da construção civil, cujo objetivo principal era promover a sustentabilidade no setor de construção civil. Para tal, percebeu-se a necessidade de um sistema para definir e comparar os “edifícios verdes”. Mas o que significa “edifício verde”? Esse conceito americano de “edifício verde” seria igual ao conceito Europeu de eficiência energética na edificação? “Verde” tornou-se a designação abreviada de um conceito de desenvolvimento sustentável aplicado à construção civil. De acordo com o USGBC (U.S. Green Building Council, 2006), o conceito está relacionado com edificações ambientalmente responsáveis, economicamente rentáveis, e saudáveis para se viver e trabalhar, sendo ligeiramente mais amplo que o conceito Europeu.
Após anos de pesquisa, em 1998, o USGBC lança o Programa de Projeto Piloto LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), também conhecido como LEED versão 1.0, e após extensas modificações finalmente consegue lançar o LEED “Green Building Rating System” (sistema de certificação para construções verdes) versão 2.0 em 2000 (U.S. Green Building Council, 2006), atingindo o objetivo de se ter um sistema para definir e comparar os “edifícios verdes”. Este sistema avalia o desempenho ambiental a partir de uma perspectiva ao longo do ciclo de vida do edifício, fornecendo um padrão definitivo para o que constitui um “edifício verde”. A certificação LEED traz a promessa de um consumo de energia até 30% menor, uma redução de até 50% no consumo de água e de até 80% nos resíduos, além da redução em média de 9% nos custos de operação (GBC Brasil, 2012). Todas essas vantagens vêm de um custo inicial em torno de 1% a 7% maior para um empreendimento comercial, dependendo do nível de certificação, porém este custo inicial tende a ser pago rapidamente com a redução dos custos de operação.
O LEED é, até hoje, um sistema de classificação voluntária e consensual voltado para o mercado de construção. Este fato ia em linha com a certificação das características energéticas dos edifícios da Diretiva Europeia 93/76/CEE. Porém, na Europa, o fato da Diretiva 93/76/CEE não ser obrigatória resultou em uma baixa implementação dos seus requerimentos pelos Estados Membros (Pérez-Lombard et al., 2009), e em consequência, levando a uma baixa economia de energia.
Aprendendo com a história, após praticamente 10 anos da Diretiva 93/76/CEE, a União Europeia lança a Diretiva 2002/91/EC que agora integra, para além do isolamento térmico, outros fatores com influência no uso de energia, como as instalações de sistemas de aquecimento e arrefecimento, a iluminação, e a aplicação de fontes de energia renováveis. Além da maior abrangência dos fatores que influenciam o uso de energia, a certificação passou a ser obrigatória em todos os Estados Membros e os novos edifícios passaram a cumprir requisitos mínimos de desempenho energético, adaptados às condições climáticas locais.
Em 2010, a União Europeia lança a Diretiva 2010/31/EU em que reforça a aplicação dos requisitos mínimos de desempenho energético para os edifícios novos e existentes, assegura a certificação de desempenho energético dos edifícios e exige que os Estados Membros garantam que até 2021 todos os novos edifícios serão do tipo NZEB (“nearly zero-energy buildings” – edifícios com consumo de energia muito baixo e que podem balancear o consumo de energia com a produção de energia através de renováveis).
Além de história, o que isso tem a ver com o Brasil? No Brasil a noção de eficiência energética nas edificações surge com o Decreto Nº 34.979, de 23 de Novembro de 1993 com o Programa Estadual de Conservação de Energia nas Edificações do Rio Grande do Sul. Este com o intuito de promover o uso de fontes energéticas alternativas nas edificações e propor normas, padrões e outros instrumentos técnicos e legais a serem adotados para incentivar a melhoria da eficiência energética nas edificações, assim como sua conservação.
Em 1996, é feita uma tentativa de consolidar as informações referentes ao estado da arte de eficiência energética em edificações com o objetivo de definir ações do Procel (Procel Edifica) nesta área e criarreferências para profissionais da área (Eletrobras; Procel, 2004). Porém, somente em 2010 (Portaria Inmetro nº 372, de 17 de Setembro de 2010) com revisão em 2012 (Portaria Inmetro nº 17, de 16 de Janeiro de 2012), os esforços do governo são efetivamente concretizados em um processo de etiquetagem de edificações para o Brasil (inicialmente para edifícios comerciais, de serviços e públicos), obtida através de avaliação dos requisitos contidos no Regulamento Técnico da Qualidade do Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos (RTQ-C).
No ano de 2012, (Portaria Inmetro nº 18, de 16 de Janeiro de 2012) é publicado Regulamento Técnico da Qualidade do Nível de Eficiência Energética de Edificações Residenciais (RTQ-R) para a classificação dos edifícios residenciais. Assim como o RTQ-C, o documento é complementado pelo Regulamento de Avaliação da Conformidade do Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos (RAC-C), que apresenta o processo de avaliação das características do edifício para etiquetagem junto ao Laboratório de Inspeção acreditado pelo Inmetro.
Ambas as etiquetagens (RTQ-C e RTQ-R) seguem uma metodologia muito similar à encontrada nas transposições da Diretiva 2002/91/EC para os Estados Membros, como por exemplo o Decreto-Lei nº 80/2006 de Portugal sobre o Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE), com o mesmo foco na parte energética relativa ao uso do edificado fruto do comportamento térmico da construção e de seus sistemas energéticos (e.g. arrefecimento ou aquecimento), mas com uma diferença crucial, a etiquetagem Brasileira não é obrigatória e também não tem requisitos mínimos de eficiência, nesse ponto mais próxima da Diretiva 93/76/CEE.
Segundo Marcos André Borges, coordenador do programa de etiquetagem do Inmetro, o objetivo do Procel Edifica é provocar um impacto no mercado imobiliário e na medida em que existam prédios etiquetados e outros não, as pessoas iriam dar preferência a esse instrumento (Globo News, 2012). Além disso, Marcos André Borges faz uma alusão ao Procel para eletrodomésticos, onde indica que 80% dos consumidores já usam esse tipo de informação os comprar. Porém, prédios e apartamentos não são eletrodomésticos, eles acabam por não ser tão similares entre si como os eletrodomésticos e não são encontrados um ao lado do outro em uma loja.
Muitos outros fatores são levados em conta na hora de adquirir imóveis, como a ordem de grandeza do investimento, a disponibilidade, localização, tamanho, oferta de serviços pelo condomínio etc. Além disso, a inércia do mercado imobiliário é muito maior que a dos eletrodomésticos, o que pode levar muito tempo para a adoção da etiquetagem e sua percepção pela sociedade. Nessa linha de raciocínio, é interessante ressaltar “o objetivo de impactar o mercado imobiliário” mencionado acima. Lembremos que o Procel Edifica é uma etiquetagem voluntária e sem requisitos mínimos de eficiência, assim como estabelecido na Europa em 1993.
Se lá se percebeu que a certificação voluntária não surtiu o efeito desejado, e com isso resolveram introduzir uma nova regulamentação em 2002 para tornar seu uso obrigatório, o que levaria a pensar que no Brasil isso funcionaria? Se o processo de etiquetagem brasileiro é tão parecido com o Europeu, por que não aprender com os erros deles e o tornar obrigatório e com requisitos mínimos de eficiência, como já é feito em alguns outros produtos certificados pelo Inmetro?
Paralelamente ao Procel Edifica surge no Brasil em 2007 o Green Building Council Brasil (GBCB), que traz consigo a certificação LEED que até hoje certificou 67 empreendimentos (Gbc Brasil, 2012). Entretanto, nenhum desses empreendimentos é residencial, dado que, até então, somente está disponível no Brasil o LEED para edificações comerciais. Mas isto está prestes a mudar, pois o GBCB está tentendo criar referenciais brasileiros a serem adotados para as categorias residências (casas populares, de classe média e alta) e desenvolvimentos urbanos (conjuntos habitacionais, condomínios, loteamentos ou bairros novos). Estes referenciais têm como base o LEED for Homes desenvolvido pelo USGBC e os pré-requisitos descritos pelo Procel Edifica, não esquecendo do uso racional da água, de materiais e recursos, qualidade ambiental interna, regras sociais e inovação (Gbc Brasil, 2012).
Não se pode negar a importância da introdução de certificação energética no Brasil para uma futura redução no uso de energia do país, dado que somente o setor residencial respondeu por 22% do consumo final de energia elétrica no ano de 2004 e este possui um potencial de conservação energética de 32%, somente considerando refrigeração, condicionamento ambiental (somente equipamentos), iluminação e aquecimento de água (MME; EPE, 2007). Levando-se em conta que o isolamento térmico não entrou nos ganhos do condicionamento ambiental e dado que com o aumento da renda, há um aumento de conforto (maior aquisição de ar-condicionado), este potencial ainda pode ser muito maior.
Portanto, atualmente, o brasileiro tem a opção de “escolher” residências ou edificações comerciais quem tenham dois tipos diferentes de certificação. Esse fato é muito importante, tanto pelo lado informativo quanto pela qualidade dos empreendimentos, mas pode trazer algumas complicações dado que as certificações LEED e Procel não são necessariamente comparáveis e o LEED segue uma vertente mais ampla, voltada mais para a sustentabilidade, enquanto o Procel, praticamente, só valoriza as consequências do uso de energia (com um maior foco para eletricidade).
ELETROBRAS; PROCEL. Avaliação dos resultados do Procel 2003. Rio de Janeiro: [s.n.].
GBC BRASIL. Gbc Brasil. Disponível em:. Acesso em: 22 nov. 2012.
GLOBO NEWS. G1 – Casas e apartamentos podem receber selo Procel de eficiência energética. 8 nov. 2012.
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA; EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Plano Nacional de Energia 2030 – Eficiência Energética. Brasília: [s.n.].
PÉREZ-LOMBARD, L. et al. A review of benchmarking, rating and labelling concepts within the framework of building energy certification schemes. Energy and Buildings, v. 41, n. 3, p. 272–278, mar. 2009.
U.S. GREEN BUILDING COUNCIL. LEED for Existing Buildings v2.0 Reference Guide. [S.l.] U.S. Green Building Council, out. 2006.
Gustavo Haydt – é doutor em Sistemas Sustentáveis de Energia pela Universidade do Porto no âmbito do programa MIT Portugal, Pós-graduado em Energias Renováveis pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2005). Atualmente é pesquisador no Grupo de Economia da Energia (GEE) do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador associado no Associated Laboratory for Energy, Transports and Aeronautics.
(Nota – artigo publicado no Infopetro (http://infopetro.wordpress.com), blog do Grupo de Economia de Energia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GEE/UFRJ)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Selo Qualiverde: Prefeitura incentiva construções de prédios ecoeficientes

Publicado em Procel Info por Lara Martinho, novembro de 2012.

Rio de Janeiro - Para incentivar empreendimentos que contemplem ações favoráveis ao desenvolvimento sustentável, reduzindo impactos ambientais, a prefeitura do Rio de Janeiro criou a certificação Qualiverde


Rio de Janeiro - Com o objetivo de incentivar empreendimentos que contemplem ações favoráveis ao desenvolvimento sustentável, de modo a aumentar a eficiência energética e reduzir impactos ambientais, a prefeitura do Rio de Janeiro criou a qualificação Qualiverde para edificações. O objetivo da certificação, instituída por meio do Decreto nº 35745, de 06 de junho de 2012, é zelar pela utilização racional e sustentável dos recursos naturais. A ideia surgiu há cerca de dois anos, quando a prefeitura, através da Secretaria de Urbanismo fez este estudo e chegou a conclusão da necessidade da certificação.

Os critérios ou práticas para a obtenção do Selo foram formulados e listados no referido decreto, que pode ser visto na íntegra no Portal da Prefeitura do Rio. As exigências são de cunhos diversos e contemplam desde as fases de planejamento e execução da obra até o funcionamento do empreendimento após a sua conclusão.

Exemplos de ações que devem ser adotadas por uma construção que deseja ter a qualificação é a utilização de telhado verde no teto do último pavimento da edificação, sendo permitidas áreas destinadas à circulação ou locação de painéis de captação de energia solar; o uso de aquecimento solar da água; a iluminação eficiente - que consiste na troca de lâmpadas incandescentes por fluorescentes -; estudos para a utilização da ventilação natural existente; tecnologias de economia e eficiência no uso de água e energia durante e depois das obras.

O empreendimento é qualificado de acordo com o número de ações que promove, ou seja, cada ação de sustentabilidade gera pontos para a edificação. Essa pontuação também é destacada no decreto, ao lado de cada ação descrita. O empreendimento que atingir, no mínimo, 70 pontos, já é qualificado como Qualiverde, e o que atingir, no mínimo, 100 pontos, será contemplado com a qualificação Qualiverde Total. A única diferença entre as duas certificações está na pontuação, pois seguem os mesmos critérios.

Segundo o arquiteto da Secretaria Municipal de Urbanismo da Prefeitura do Rio, Pedro Rolim, o objetivo do decreto é aumentar consideravelmente o número de construções ecoeficientes na cidade. Com investimentos privados de R$ 500 milhões em 35 projetos do governo estadual, a capital carioca quer atingir o patamar europeu e norte-americano, que equivale a uma média de 15% de construções sustentáveis no hall de suas novas obras.

O empreendimento é qualificado pelas ações que promove, ou seja, cada ação de sustentabilidade gera pontos para a edificação.


Desde o decreto, somente a Vila dos Atletas, localizada na Barra da Tijuca, possui o Selo. Segundo Rolim, é a primeira edificação pública a ser qualificada.

A divulgação do Qualiverde é feita através de seminários pelo Brasil e no exterior e tem o apoio da Firjan, do Conselho de Meio Ambiente, entre outras organizações.

Além de reduzirem a emissão de gases do efeito estufa e estimularem as práticas de desenvolvimento sustentável, as construções poderão obter descontos de até 50% ou mesmo isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). A qualificação em forma de decreto serve para que a prefeitura tenha a agilidade necessária para acompanhar as inovações tecnológicas que chegam ao mercado.

Como conseguir o Selo? 
Para requerer o Selo Qualiverde é necessário seguir vários procedimentos, como o preenchimento de formulário da prefeitura com informações do estabelecimento que serão analisadas pelas secretarias municipais de Urbanismo e Meio Ambiente. O formulário está disponível no site supracitado, anexo ao decreto municipal. Sendo aprovado, o projeto recebe o licenciamento para as obras com as exigências necessárias para obtenção do Selo. Após as obras, verificam-se as ações de sustentabilidade na obra e, então, é concedida a certificação.

No caso de projetos de reforma ou de modificação de construção já existente, as ações e práticas de sustentabilidade deverão ser relativas à edificação em sua totalidade, bem como ao lote em que ela se encontra e não somente ao acréscimo de área construída ou reformada. Ou seja, é preciso fazer uma averiguação do local para detectar que adaptações serão necessárias e no que vai afetar a edificação ou o local onde se encontra.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Empresa carioca desenvolve novo modelo de turbina eólica para residências

Publicado em Automatic House - Novembro de 2012

Protótipos instalados em Maricá, Rio de Janeiro, na sede da empresa
Protótipos instalados em Maricá, Rio de Janeiro, na sede da empresa

A Enersud desenvolveu um novo modelo de turbina eólica para ser instalado nas grandes cidades, no topo de edifícios e casas. O plano de microgeração foi desenvolvido para atender às necessidades dos pequenos consumidores de energia, que poderão instalar os aerogeradores na parte superior das suas residências.
Fabricadas com tecnologia totalmente brasileira, as turbinas têm eixo vertical e a energia nelas gerada deverá suprir a demanda residencial, e também poderá ser utilizada nos sistemas internos de segurança de condomínios. Caso haja sobras, o consumidor poderá dispensar o excedente energético na rede pública, com um sistema de compensação que será estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A Enersud investiu um milhão de reais na construção dos novos aerogeradores, e a previsão é de que o equipamento entre no mercado a partir do segundo semestre do ano que vem. A empresa está bastante animada com a implantação desse novo modelo no Brasil, e acredita que, daqui pra frente, haverá um crescimento de 30% nos negócios.
Os primeiros protótipos foram instalados em Maricá, Rio de Janeiro, na sede da empresa, mas, em breve, mais turbinas serão implantadas em Salvador e em algumas cidades do norte do Rio de Janeiro. A Enersud diz que os estudos da microgeração com o uso de turbinas verticais estavam sendo desenvolvidos há algum tempo, no entanto, apenas recentemente houve avanços no uso e fabricação dessa tecnologia.
A empresa ainda estima que o mercado brasileiro absorva aproximadamente mil turbinas eólicas de pequeno porte por ano. Com informações daEnersud.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Prédio com ‘energia zero’

Publicado em Ambiente Energia em Outubro de 2012

Por Silvio Anunciação, do Jornal da Unicamp - Os edifícios residenciais, comerciais e públicos são responsáveis por aproximadamente 47% de toda a eletricidade consumida no país, conforme relatório do Ministério de Minas e Energia e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), instituições do governo federal. O dado é um dos fundamentos de estudo conduzido na Unicamp pelo engenheiro de controle e automação Bruno Wilmer Fontes Lima.
O pesquisador da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) acaba de propor metodologia para desenvolvimento de sistema de geração de energia que permitirá a esses prédios a produção de toda a eletricidade consumida por eles. O projeto utilizaria fontes renováveis, principalmente, painéis solares fotovoltaicos – dispositivos responsáveis pela captação e transformação da energia solar em elétrica. O estudo integra mestrado apresentado por Bruno Lima ao Programa de Pós-Graduação em Planejamento de Sistemas Energéticos da FEM.
“A ideia surgiu com esta nova tendência de edificações que podem gerar a própria eletricidade que consomem. Isso vem sendo implantado em alguns países da Europa,  no Japão e nos Estados Unidos. Nestes países já existem legislações obrigando, a partir de 2020, que prédios públicos sejam edifícios de energia zero, isto é, prédios que, ao longo do ano, gerem toda a eletricidade que consomem a partir de fontes renováveis”, conceitua o estudioso.
De acordo com ele, sua pesquisa objetiva, em especial, auxiliar engenheiros e arquitetos no dimensionamento de sistemas de energia zero, permitindo maior adoção deste tipo de edificação no país. O engenheiro revela que esta metodologia será aplicada, inclusive, em um laboratório de ensino e pesquisa da Unicamp, cujo projeto já está em andamento. O edifício para abrigar o laboratório deverá ser construído nas instalações da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC).
“A meta do projeto, desenvolvido em parceria com a CPFL [Companhia Paulista de Força e Luz], é ter o menor impacto ambiental durante sua construção e operação, além de tornar o prédio um edifício de energia zero. O laboratório contará com aproximadamente 600 metros quadrados e será integralmente instrumentado e monitorado, de modo a ser utilizado para futuras pesquisas nesta área”, informa o pesquisador.
O docente do Departamento de Energia da FEM, Gilberto de Martino Jannuzzi, orientou a dissertação. Já o projeto para a construção do laboratório da Unicamp, que deverá ser um dos primeiros edifícios de energia zero do país, é coordenado pela professora Vanessa Gomes da Silva, do Departamento de Arquitetura e Construção da FEC. O estudo de Bruno Lima obteve financiamento da CPFL, por meio de convênio com o Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da instituição.
Viabilidade – Ecologicamente corretos, os edifícios de energia zero também podem ser viáveis do ponto de vista econômico. O engenheiro e estudioso da Unicamp afirma ter efetuado cálculos demonstrando que, em aproximadamente 15 anos, os custos com a implementação e manutenção do sistema são pagos com a economia de energia obtida.
“O edifício de energia zero é mais caro que um prédio convencional, principalmente, devido ao acréscimo de custo para instalação do sistema de geração de energia. Mas os valores vêm diminuindo. É importante que estas tecnologias e conceitos tornem-se viáveis, pois só assim se popularizarão. Mas, infelizmente, ainda existem obstáculos no Brasil. O primeiro é que quem investe na construção do edifício, geralmente, não é aquele que vai pagar a conta de eletricidade. Outro problema é que, normalmente, a tomada de decisão não é feita sob uma visão de longo prazo”, destaca Bruno Lima.
Para o orientador do trabalho, o docente Gilberto de Martino Jannuzzi, uma série de fatores tem permitido o desenvolvimento de projetos renováveis e viáveis economicamente. Ele cita “o avanço das tecnologias de geração descentralizada de energia, a integração com edifícios e o conhecimento sobre as possibilidades de eficiência energética”.
A geração distribuída de eletricidade, de acordo com Gilberto Jannuzzi, é aquela produzida próxima ou no próprio local de consumo. “A sua utilização a partir de fontes renováveis pode atender parte da crescente demanda por energia no país, evitando, por exemplo, a construção de novas hidrelétricas e termelétricas; e reduzindo os impactos socioambientais”, esclarece o orientador, que atua como pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Unicamp.
Compensação - Recentemente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) baixou uma norma que deve estimular a implementação de projetos mais eficientes no país, como os dos edifícios de energia zero. Aprovada em abril deste ano, a resolução cria um sistema de compensação de energia. Ele permite que proprietários de geração distribuída de eletricidade, como seriam os donos de edifícios de energia zero, possam injetar o excedente da eletricidade não consumida na rede de distribuição.
A distribuidora, por sua vez, utilizaria este excedente como crédito para abater do consumo de eletricidade. Essa situação ocorreria, por exemplo, em momentos em que o sistema não fosse capaz de produzir energia suficiente, como nos horários de pico ou em períodos noturnos, quando os sistemas de energia solar não funcionam.
“Esta resolução possibilita certa viabilidade para os edifícios de energia zero no Brasil. Ela permite redução de custos porque dispensa a utilização de uma bateria para o sistema poder armazenar o excedente da eletricidade. O sistema com a bateria é mais caro do ponto de vista da manutenção e tem um impacto ambiental muito maior que os sistemas sem baterias. É assim que funciona na Europa e nos EUA”, explica Bruno Lima.
Etapas - A metodologia proposta pelo pesquisador da Unicamp consiste em etapas simples que incluem análises sobre o consumo de energia do edifício e sobre o potencial energético local. Ele cita como exemplo a cidade de Campinas, cujo potencial foi analisado com base em dados do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp.
“Os indicadores do Cepagri demonstram que o potencial eólico da região não é muito forte. A velocidade média anual do vento é muito reduzida, abaixo de 2 metros por segundo. Para uma geração eólica boa são necessários ventos com uma média anual acima de 5,5 metros por segundo, de acordo com estudos de especialistas da área. Por outro lado, o potencial solar da região é muito relevante”, detalha.
O estudo propõe ainda o dimensionamento e a simulação do sistema de geração, concluindo com a avaliação dos resultados para averiguar se a energia gerada seria suficiente para classificar o edifício como zero. “Indicamos também ferramentas para auxiliar na escolha de um sistema dentre diversas opções de arranjos e tecnologias, bem como o seu custo, o da eletricidade produzida por ele e o tempo de retorno de energia”, esclarece.
Solstício Energia - Após a conclusão do mestrado, o engenheiro Bruno Lima irá se dedicar às atividades da Solstício Energia, empresa recém-incubada por ele e mais um grupo de amigos na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp) da Agência de Inovação Inova Unicamp. “O empreendimento irá desenvolver projetos fotovoltaicos e, principalmente, buscar alternativas para tornar esta fonte de energia mais acessível à população com a redução de custos”, divulga.
Publicação
Dissertação: “Geração distribuída aplicada a edificações: edifícios de energia zero e o caso do Laboratório de Ensino da FEC-Unicamp”
Unidade: Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM)
Autor: Bruno Wilmer Fontes Lima
Orientador: Gilberto de Martino Jannuzzi
Financiamento: CPFL
(Fotos: Antônio Scarpinetti)