Domingo, 21 de Junho de 2009

Green Buildings em Nova York 2009


Caros amigos,

Acabo de retornar da II Missão Técnica Green Buildings em Nova York que foi, na opinião de todos, um sucesso!

Na semana de 14 a 21 de junho cumprimos uma agenda repleta de visitas e experiências que, sem dúvida, ficarão gravadas de maneira definitiva na memória (e nas milhares de fotos) de todos os que tiveram oportunidade de acompanhar.

Além de termos tido uma visão um pouco mais aprofundada da evolução da arquitetura e do urbanismo de Nova York, pudemos visitar, com orientação e acompanhamento técnicos adequados, alguns dos mais representativos edifícios sustentáveis da cidade, alguns dos mais ativos escritórios de arquitetura sustentável, inclusive dois dos maiores escritórios do mundo, instituições e entidades relacionadas à promoção da sustentabilidade, além de visitar as feiras Buildings NY e GreenBuildings NY.

Isto para tratar apenas da agenda oficial, que foi complementada por oportunidades de relacionamento e descontração entre os participantes, arquitetos e engenheiros das 4 mais importantes regiões do país.

Foi de fato uma semana inesquecível.
Trarei mais informações sobre a missão, com mais ilustrações e detalhes, nos próximos dias aqui no blog.

Até breve.



Arq. Antonio Macêdo Filho

(A próxima Missão Técnica Green Buildings em Nova York será em junho de 2010, mas antes dela teremos outras oportunidades, por exemplo: Batimat 2009 em Paris com Dubai e Green Build Conference & Expo em Phoenix, ambas em novembro. Fique atento: http://www.amaisc.com.br/)




Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

WTorre Nações Unidas.

Caros,

Na primeira edição das Visitas Guiadas Green Buildings em São Paulo, realizada em março passado, visitamos uma série deles, inclusive este WTorre Nações Unidas, elegante edifício de escritórios projetado por Edo Rocha para a WTorre.

O empreendimento é um dos que estão buscando a certificação LEED e incorpora o que, na minha opinião, é o que parece ser o mais efetivamente viável para se fazer em um edifício de escritórios que vise obter a certificação internacional.

Acompanhe a seguir matéria a respeito do empreendimento, publicada em Projeto Design.

Passarelas unem edifícios com áreas de laje diferentes


Para o condomínio WTorre Nações Unidas, Edo Rocha optou pela implantação de dois edifícios menores e com diferentes gabaritos, em escala inferior à dos demais prédios da região. As fachadas paginadas com laminado melamínico de alta resistência e painéis de ACM estabelecem identidade própria para o conjunto, que deve receber certificação Leed para o núcleo e os envoltórios. A interligação por meio de passarelas e duas opções em área de laje visam dar mais flexibilidade à locação.

Texto de Nanci Corbioli
Publicada em PROJETO DESIGN, Abril de 2009
O empreendimento é formado por dois edifícios que combinam linhas retas e curvas

Dois novos edifícios, relativamente baixos em comparação com os demais do entorno, chamam a atenção de quem passa pela marginal do rio Pinheiros, nas proximidades da ponte Eusébio Matoso. O empreendimento é o WTorre Nações Unidas, marcado por grandes recuos que atendem à legislação - devido à presença de uma vila na parte posterior direita do lote e ao posicionamento frontal à grande avenida. Ocupando a porção central do terreno, os prédios têm 13 pavimentos-tipo (com altura equivalente a 17 andares) e dez pavimentos-tipo e cobertura (gabarito correspondente a 14 pisos).

Os volumes são interligados no térreo e também em alguns andares superiores através de vigas metálicas que funcionam como passarelas. Aliadas ao revestimento com laminado melamínico de alta resistência, próprio para aplicações externas, elas transformam a leitura dos edifícios, que possuem desenhos diferenciados. “As passarelas estabelecem unidade visual e permitem ir de um prédio a outro sem ter que descer até o térreo, o que traz mais flexibilidade para a locação”, avalia o arquiteto Mauro Halluli, integrante da equipe de Edo Rocha e coordenador do projeto.

O revestimento melamínico é de alta resistência e próprio para aplicações externas. Ele foi fixado por meio de uma estrutura auxiliar
Em pele de vidro, a fachada da edificação menor contrasta harmoniosamente com a do prédio mais alto, composta por painéis unitizados em módulos de 4,20 x 1,25 metros que incorporam caixilhos, vidros e revestimentos. Já montados, eles foram içados até o ponto de fixação na estrutura, o que garantiu maior rapidez à etapa de fechamento externo. Com a finalidade de romper com a idéia de uma fachada totalmente lisa, as chapas de ACM foram colocadas oito centímetros à frente dos vidros, criando pequenas saliências. No formato de régua, os laminados melamínicos em padrão madeira unificam as duas construções e foram instalados por meio de inserts de alumínio sobre uma estrutura metálica auxiliar, opção que também contribuiu para dar maior velocidade de execução. A própria paginação dos laminados, no padrão 0,50 x 2,50 metros, permitiu maior quantidade de pontos de fixação e com isso foi possível utilizar peças mais finas, com apenas oito milímetros de espessura, sem comprometer a estabilidade do conjunto. Dependendo do ponto, os peitoris empregam chapas de drywall ou blocos de concreto celular. “O projeto previa apenas o drywall, mas houve essa alteração durante a obra”, detalha Halluli. Outra característica marcante do conjunto - que também ajuda a formar sua identidade - são os trechos curvos das fachadas dos dois edifícios, ambos voltados para o quadrante de maior visibilidade, em direção da ponte Eusébio Matoso.

A marquise com acabamento em laminado melamínico prolonga-se para o interior do grande hall de acesso
O embasamento resulta da combinação entre fechamento em vidro do térreo de pé-direito duplo, pilares de seção circular com revestimento de aço inoxidável e marquise que marca o ponto de acesso e avança para o interior da recepção, compartilhada pelos dois edifícios. O piso interno, em mármore polido do Ceará, tem tonalidade contrastante com a pavimentação externa, feita com placas de basalto. O mezanino sobre o térreo apresenta painéis de madeira como revestimento e abriga setores de expedição e administração do condomínio. Externamente, as áreas comuns incluem um café e um salão de múltiplo uso projetado com todas as características necessárias para o funcionamento de um auditório.

Ambos os edifícios possuem core alinhado com a fachada posterior, o que libera em todos os andares a vista panorâmica para o rio, o Jockey Club e a Cidade Universitária. Os pavimentos-tipo do prédio maior somam cerca de 1,5 mil metros quadrados de área de laje, com pilares centrais formando vãos de aproximadamente dez metros. No edifício menor, que foi locado para uma única empresa, a área de laje é de 1,2 mil metros quadrados e os pilares, alinhados com a fachada, resultam em vãos de 11,25 metros e mais uma faixa em balanço. Incluído na categoria denominada triple A (classificação dos edifícios comerciais com avançados recursos de tecnologia e acabamentos de alto padrão), o empreendimento pleiteia a classificação Prata do Leed, conferida pelo United States Green Building Council (USGBC), na categoria que abrange o conjunto formado por núcleo e envoltórios.

O vidro evidencia o pé-direito duplo do térreo. Os fechamentos do mezanino empregam madeira

Entre os recursos sustentáveis da edificação estão sistema de captação e tratamento das águas pluviais, que são destinadas aos sistemas de irrigação e de ar condicionado, coberturas verdes que liberam a água da chuva gradativamente e fachadas com menos de 50% de área translúcida a fim de reduzir a entrada de calor e o consumo de energia com o condicionamento do ar. Adicionalmente, foram empregados vidros importados de nova geração que apresentam elevados índices de transmissão luminosa e baixos níveis de absorção de calor. “No início das obras os fornecedores ainda não estavam estruturados para atender aos parâmetros exigidos pelo Leed”, explica Halluli.
Outras características do empreendimento são as fachadas iluminadas por leds, geradores que atendem 100% às necessidades operacionais e ar condicionado insuflado pelo piso elevado.

Pilares revestidos por aço inoxidável marcam o embasamento do conjunto

As edificações possuem estrutura mista, com pilares e caixas de elevador em concreto, vigas metálicas e lajes do tipo steel deck. No interior dos pilares, cuja seção é reduzida nos pavimentos mais altos, foram acrescentados perfis metálicos em forma de I. A peça tem a finalidade de amarrar as vigas, todas jateadas para dar proteção contra o fogo. As passarelas que unem os dois prédios têm fechamentos laterais com placas cimentícias.

Vista do hall para a frente do empreendimento

As duas unidades do WTorre Nações Unidas foram erguidas durante a recente fase de aquecimento econômico, momento em que dificuldades como escassez de concreto, atrasos no fornecimento de materiais e filas de espera para a locação de equipamentos tornaram-se comuns na construção civil. Apesar de terem interferido no cronograma, esses problemas só não tiveram impacto mais significativo porque os prédios foram planejados em acordo com o conceito de obra seca. “O projeto evitou ao máximo os aspectos artesanais da construção. O objetivo era uma obra rápida, seca, que otimizasse mão-de-obra, materiais e não precisasse de muito espaço de canteiro”, destaca Halluli.
Inicialmente, as passarelas seriam espaços ajardinados de convivência, mas por questões relativas à área computável ficaram apenas com a função de interligação

Entre os projetos em andamento no escritório de Edo Rocha atualmente está o de uma terceira edificação com a mesma linguagem, a ser implantada no lote livre, atrás do prédio mais alto. Ela deve ser concluída até o final de 2010 e compartilhar as áreas comuns, acrescentando ao térreo lojas e praça de alimentação.
Detalhes das passarelas que unem pavimentos alternados e dão mais flexibilidade à locação

Hall e recepção são compartilhados pelos dois edifícios. Internamente, os acabamentos combinam mármore, aço inox e laminado melamínico







O pavimento-tipo do edifício maior soma 1,5 mil metros quadrados de área de laje, com pilares centrais que formam vãos de aproximadamente dez metros








Perspectiva do empreendimento já incorporando a terceira torre, que deve ser concluída no final de 2010




Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Chad Oppenheim

Caros,

Com satisfação informo que obtivemos na semana passada confirmação para a palestra do arquiteto norte-americano Chad Oppenheim no Fórum EcoTech, para a edição do Rio de Janeiro, em novembro.

Chad Oppenheim é um ativo arquiteto de Nova York que estudou em Cornell e fundou seu Oppenheim arquitetura + design em 1999, em Miami. É professor na Universidade Internacional da Flórida, é ganhador de prêmios de arquitetura e tem grande atuação não só nos EUA, Emirados Árabes, França, Grécia, Ilhas Turcas e no Japão.

Entre seus principais projetos, pode-se citar o Planeta Hollywood Hotel e o Cassino L'Defense, em Paris ; o Discovery Science Center, em Los Angeles; San Silencio Eco-resort,em Porto de Caldera; Dellis Cay ,nas Ilhas Turcas e Caicos; o Hard Rock Hotel, em Las Vegas; o Ten Museum Park e o COR Tower, em Miami, entre outros.

Este último, um interessante projeto que integra algumas soluções úteis para a sustentabilidade da construção. Acompanhe a seguir breve matéria sobre o projeto:
Edifício COR - Miami, EUA

O projeto consiste em um condomínio vertical multifuncional, em Miami, Flórida.

O edifício COR reúne residências, escritórios, academia e lojas, e tem como partido arquitetônico um núcleo de estrutura metálica e vidro cercado por um exoesqueleto de grande impacto visual que ao mesmo tempo que ele funciona como estrutura, também protege os ambientes internos dos raios solares, com a mesma função de um brise solei sobre a fachada envidraçada.
Além do sombreamento das áreas internas o exoesqueleto cria espacialmente nichos para os terraços e espaços de convívio coletivo da edificação.

A edificação abriga uma série de turbinas eólicas que agem em conjunto com o sistema de painéis fotovoltáicos e coletores solares para o aquecimento de água, que formam o sistema de geração de energia do edifício.
Ao lado observamos imagens e gráficos, desenvolvidos por conta dos estudos de conforto ambiental com o programa Ecotect, uma importante ferramenta de apoio para o estudo das condições conforto.
No COR todos estes sistemas se integram à fachada e ao entorno com uma leitura irregular e ao mesmo tempo composta por formas geométricas simples.

Com a utilização de modulações e do aço como sistema estrutural, obtém-se boa flexibilidade espacial tanto externamente na edificação como internamente, nas plantas dos pavimentos.
Acrescento a seguir um video no qual o arquiteto Chad Oppenheim comenta sobre o projeto da COR e os conceitos de sustentabilidade que ele aplica em seus projetos:
video

Para conhecer melhor o trabalho do arquiteto Chad Oppenheim, recomendo participar do Fórum EcoTech, para o qual é um convidados internacionais.
O Fórum EcoTech, que tem minha coordenação técnica, é o maior evento voltado para a sustentabilidade na construção de edifícios já realizado no Brasil. Mais informações em: http://www.forumecotech.com.br/
Arq. Antonio Macêdo Filho, com colaboração de Bruno Moraes

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Eficiência Energética

Apesar das iniciativas do governo para minimizar o consumo energético em edificações, o Brasil ainda tropeça na adequação de projetos mais eficientes

Por Eliane Quinalia, na revista Téchne, maio 2009.

Preocupação entre os países de Primeiro Mundo, a energia, bem como o melhor aproveitamento dos recursos naturais, também tem sido alvo de atenção entre os brasileiros, especialmente após a crise energética de 2001, que surpreendeu a população com o memorável blecaute. Foi a partir desse evento, que o governo brasileiro se viu obrigado a tomar medidas eficientes visando à expansão da capacidade energética e sua adequada limitação, nos casos em que a população precisava ser conscientizada sobre a melhor maneira de empregar tal recurso em residências.









Entretanto, engana-se quem pensa que apenas essas ações permearam o cenário de energia nacional. O famoso "apagão" trouxe à tona uma outra vertente - a da melhoria dos níveis de eficiência energética em eletrodomésticos e eletroeletrônicos, que não demoraram a influenciar também o panorama da construção civil, com o uso de sistemas construtivos que priorizassem a redução do consumo de energia. Nada mais justo, afinal, a construção e o uso dos edifícios são um dos maiores consumidores de recursos naturais no ambiente, consumindo cerca de 16,6% do fornecimento mundial de água pura, 25% de madeira e 40% de combustíveis fósseis e materiais manufaturados (Wines, 2000). Isso sem mencionar a emissão de CO2 na atmosfera, na qual a indústria cimenteira também tem grande participação.
O consumo de energia elétrica no mundo, especialmente nos países mais desenvolvidos, tem crescido com o passar dos anos. No Brasil, por exemplo, as edificações consomem anualmente 44% do total de energia elétrica do País, sendo 22% destinados ao setor residencial, 14% comercial e 8% para o público, conforme apontam os dados divulgados pelo LabEEE (Laboratório de Eficiência Energética em Edificações) da Universidade Federal de Santa Catarina. (Veja o quadro Evolução do consumo de energia elétrica por habitante no mundo).
Como estratégia para combater tal desperdício, o governo tem aprimorado leis, investido em programas de eficiência energética e recentemente desenvolveu o selo de eficiência em parceria com o Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), destinado a aparelhos e equipamentos energeticamente eficientes - etiqueta Inmetro (A-E). O que poucos imaginam é que esse selo também será empregado na construção civil em edifícios comerciais, de serviços e públicos, que passarão a receber etiquetas conforme o desempenho energético de cada construção. "Nosso marco legal é a lei 10.295/01 e o decreto que a regulamenta, 4.059/01. Ambos dispõem sobre a política nacional de conservação e uso racional de energia, atribuindo ao poder executivo a prerrogativa de estabelecer níveis máximos de consumo ou mínimos de eficiência para máquinas e aparelhos consumidores de energia, que permitiu determinar critérios para a etiquetagem de edificações", diz Paulo Augusto Leonelli, gerente do departamento de desenvolvimento energético do Ministério de Minas e Energia.
O Procel Edifica, como é chamado o programa, a partir deste ano deverá etiquetar os edifícios, concluídos ou em reforma e retrofit, atribuindo conceitos que vão de A a E conforme o consumo de eletricidade. A regra é simples: estarão enquadrados nesse programa os edifícios com área total útil mínima de 500 m2 e que apresentem tensão de abastecimento superior ou igual a 2,3 kV. O objetivo será avaliar a eficiência e potência instalada do sistema de iluminação, no sistema de condicionamento do ar e no desempenho térmico da envoltória (análise da cobertura, áreas de vidro, janelas, aberturas e vãos) do edifício. Com essas ações o governo espera atingir uma economia de 50% em novas construções e 30% no retrofit.













Iniciativas x impasses
Apesar do empenho do governo para incentivar projetos bioclimáticos com uso de energias renováveis nas construções, o Brasil ainda engatinha em termos de eficiência energética, principalmente se comparado aos demais países de primeiro mundo que investem pesado no desenvolvimento de tecnologias para a sustentabilidade e melhor aproveitamento energético.

De acordo com o engenheiro civil Roberto Lamberts, também coordenador do LabEEE (Laboratório de Eficiência Energética em Edificações), da Universidade Federal de Santa Catarina, o Brasil deveria caminhar de forma mais rápida nesse sentido, especialmente devido às alterações climáticas que afetam o mundo, em termos de aquecimento global. "As ações do governo ainda são modestas. É preciso evoluir muito em termos de medição da eficiência. A sociedade precisa se conscientizar e pressionar o governo para desenvolver níveis mais altos", explica. O engenheiro se baseia nos últimos fatos da administração de Barack Obama, no governo norte-americano, o qual destinou US$ 16,8 bilhões para o desenvolvimento de ações em eficiência energética e energia renovável, dos US$ 43 bilhões destinados à energia do país. "Os EUA têm investido, mas aqui ainda falta muito em termos de divulgação. As pessoas desconhecem o que é o programa de etiqueta. Todos deveriam saber."

A exigência de níveis de eficiência mais altos se deve particularmente à questão dos sistemas de condicionamento de ar em edificações. Os modelos etiquetados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) e Procel destinados à janela ou mesmo split, têm sido mais procurado por consumidores, especialmente na região Norte do País. Para se ter uma ideia, de acordo com a última pesquisa do Procel, o uso desse aparelho na região já representa 40% do consumo de energia elétrica, ou seja, mais até que o famoso vilão, o chuveiro, em outras regiões. (Veja o quadro Avaliação do mercado de eficiência energética no Brasil: Pesquisa na classe residencial). "Falta uma política pública mais agressiva do Ministério de Minas e Energia em elevar os níveis mínimos (E) de eficiência desse equipamento. Apenas assim teremos máquinas mais econômicas. Aqui no Brasil esse valor ainda é de 2.2. Ou seja, compra-se o equipamento por um preço baixo, mas o quanto se vai pagar de conta de luz é outra história", diz Lamberts.

O aumento do uso de ar-condicionado nessa região, e até no Brasil, pode ser facilmente explicado por um problema térmico das fachadas. Hoje, muitas construções ainda são entregues sem proteção externa, ou seja, venezianas e brises. Com isso, as salas ou aposentos recebem não apenas a luz solar, mas armazenam energia em forma de calor, fato que resulta na compra de aparelhos de ar para amenizar a sensação térmica de "estufa" deixada no ambiente. "Infelizmente, a maioria de nossas fachadas não são inteligentes. Elas deveriam ser projetadas para controlar os ganhos solares e bloquear o ganho excessivo de energia no verão. Nossas fachadas são inteiras de vidros transparentes. Falta ainda muito sombreamento", diz Lamberts.

Outro ponto que chama a atenção são os sistemas ou fontes alternativas de energia, que englobam especialmente os aquecedores solares de água. Recentemente o Brasil tem abraçado essa ideia como a solução de todos os problemas energéticos, o que não é verdade. Apesar da solução ser eficaz e proporcionar reduções energéticas notáveis, o mercado ainda sofre com problemas de instalação. Afinal, se o coletor for mal posicionado e a resistência elétrica no reservatório não for regulada - e isso traz custos - os resultados são ineficazes. Além disso, é recente, porém notável, a ação de algumas empresas em instalar tais sistemas para a baixa renda. A CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) e a CPFL Energia (Companhia Paulista de Força e Luz), por exemplo, deverão instalar sistema de aquecimento solar para água do chuveiro em seis mil moradias, em 300 municípios de São Paulo, até 2010. "A baixa renda deve ser privilegiada com tal sistema, especialmente se o mercado desenvolver coletores mais econômicos, como de plástico, por exemplo. Apenas seria necessário, nesse caso, complementar a instalação com um chuveiro elétrico", diz Lamberts. Nesse sentido, a classe média também pode ser beneficiada com aquecedores a gás, desde que o País se empenhe mais na qualificação de seus profissionais, já que a maior parte dos problemas desse setor se deve à má instalação de equipamentos.









Ferramentas auxiliares

Para auxiliar a concepção de edifícios mais eficientes, alguns softwares simuladores têm sido lançados no mercado, principalmente porque de acordo com as exigências do Procel Edifica, as novas construções deverão ter seu consumo de energia avaliado por um simulador validado pela Ashrae Standard 140, capaz de modelar variações horárias de ocupação, potência de iluminação e equipamentos e sistemas de ar-condicionado, definidos separadamente para cada dia da semana e feriados. No site do Procel Info, por exemplo, diversos programas gratuitos podem ser utilizados para tal aplicação, basta que o usuário esteja cadastrado no site. "O uso de softwares como o Energyplus, que permite a simulação horária do consumo de energia de um edifício para um ano inteiro, já é corriqueiro nos grandes empreendimentos executados em São Paulo", conta Leonelli. A ideia, é que o método de simulação compare o desempenho da edificação proposta com uma similar, cujas características estejam de acordo com os níveis de eficiência exigidos em projeto.

Vale ressaltar ainda, que segundo especialistas, a maioria dos investimentos em eficiência energética são retornáveis em menos de três anos, além de serem ambientalmente sustentáveis.

Tecnologias para sustentabilidade
Fachadas inteligentes
Projetadas para filtrar automaticamente a energia solar conforme as variações climáticas. Devem ter baixa manutenção e vidros autolimpantes, tendo preferencialmente cores claras na parte opaca para minimizar a manutenção, com o intuito de manter o conforto térmico no interior do edifício a um gasto mínimo de energia.







Sistema de condicionamento de ar

Tratamento destinado a controlar simultaneamente a temperatura, a umidade, a pureza e a distribuição de ar de um meio ambiente. Precisam ser escolhidos com cautela, já que a compra de um aparelho ineficiente ou maldimensionado pode trazer gastos energéticos ao consumidor. Para evitar prejuízos, deve-se verificar no site do Inmetro (Instituto de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) o nível de eficiência enérgetica dos aparelhos antes da compra.

Sistemas ou fontes alternativas de energia

Aquecedores solares de água, painéis fotovoltaicos e gás natural têm sido utilizados para minimizar os gastos energéticos. Os edifícios comerciais que utilizem água quente e contem com aquecedores solares deverão provar atendimento com uma fração solar igual ou superior a 60%. Além disso, a estimativa do programa é que o uso de energia eólica ou mesmo painéis fotovoltaicos possa proporcionar uma economia mínima de 10% no consumo de energia elétrica do edifício. Já os sistemas de cogeração podem melhorar em até 30% os gastos com energia.


Sistemas e equipamentos que racionalizem o uso da água

Economizadores de torneira, sanitários com sensores, aproveitamento de água pluvial podem proporcionar uma economia mínima de 20% no consumo de água do edifício.






Sistemas de iluminação

As luminárias, reatores e lâmpadas eficientes podem reduzir de 30% a 50% o consumo em iluminação. Assim, os ambientes fechados devem possuir ao menos um dispositivo de controle manual acessível para o acionamento independente da iluminação interna do ambiente. Sendo que cada dispositivo deve controlar uma área de até 250 m² para ambientes até 1.000 m², bem como uma área de até 1.000 m² para ambientes maiores do que 1.000 m². O uso de sistemas automáticos com desligamento de luz ou sensores de presença também se faz obrigatório.


Materiais isolantes

Fundamental em climas frios, o uso do isolante térmico não pode ser generalizado. Afinal, nos dias quentes a realidade é outra. Sua melhor aplicação ainda se dá na cobertura.








Consórcio Brasil leva projeto nacional para Europa







Uma iniciativa que tem chamado a atenção é a do Consórcio Brasil, grupo formado por acadêmicos de engenharia e arquitetura de seis universidades brasileiras, todos empenhados na divulgação de projetos de eficiência energética em âmbito mundial. Ao que consta, as universidades federais de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em parceria com a USP (Universidade de São Paulo) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) receberam um convite no início de 2008 para representar o País na 1a edição do Solar Decathlon Europe, que acontecerá no próximo ano em Madri, na Espanha.

Para entender um pouco melhor, esse concurso acadêmico organizado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos e realizado em território norte-americano desde 2002, foi desenvolvido para incentivar a construção de moradias autossuficientes em termos de energia, bem como conscientizar a sociedade sobre os temas ambientais, principalmente no que diz respeito ao uso de energia e recursos naturais. "É a primeira vez que universidades tão importantes se juntam para apresentar um trabalho no exterior sobre soluções bioclimáticas com integração de painéis solares térmicos e fotovoltaicos", conta Adnei Melges de Andrade, vice-diretor do IEE (Instituto de Eletrotécnica e Energia) e coordenador do Consórcio Brasil.

O concurso mundialmente conhecido em 2005, com a adesão da Escola Politécnica de Madri, logo recebeu o apoio do governo espanhol para promover a competição na Europa - continente engajado em questões sustentáveis e ambientais, tal como na Ásia, no que se refere às ações da China. De acordo com Andrade, os estudantes brasileiros de gradução, mestrado e doutorado deverão apostar no uso de materiais ecologicamente corretos e na concepção de uma moradia flexível, utilizando não apenas a inovação para melhorar as condições de sustentabilidade, mas também zelando pelos aspectos socioeconômicos da construção. "Já enviamos as maquetes e a apresentação audiovisual, mas a entrega do plano de operações para a montagem de protótipos será realizada em março de 2010", conta.

A equipe brasileira até o momento conta com o financiamento da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior) - órgão do Governo Federal ligado à educação e do Ministério da Habitação da Espanha, para locação de gruas e equipamentos e para a montagem dos protótipos no Parque do Retiro, em Madri.

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Utilize lâmpadas econômicas.

Por: Bruno Bertante de Moraes

O novo site da Philips incentiva seus clientes a trocarem as lâmpadas comuns por lâmpadas com menores impactos ambientais, o interessante que no site você vê o quanto esta contribuindo para a preservação do meio ambiente e o quanto sua conta de energia elétrica será reduzida com essa troca de lâmpada comum por econômica.

Posteriormente o site fornece a mesma relação, com 10 pessoas iguais a você, tendo essa mesma iniciativa, e posteriormente com 100 ,1000, e 10000 pessoas.

Confira o quanto você pode fazer para a preservação do meio ambiente, com simples iniciativas como essa, acesse o site da Philips

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Arq. Zanettini projeta para Brasília o primeiro edifício público que visa alcançar a certificação LEED

Por: Zanettini Arquitetura, Planejamento e Consultoria Ltda






Foto: Arq. Zanettini
O Arq. Siegbert Zanettini é Coordenador Geral e Responsável Técnico da Zanettini Arquitetura, Planejamento e Consultoria Ltda, empresa com 50 anos de atuação, reconhecimento e credibilidade nacional e internacional, liderança e pioneirismo nas áreas de arquitetura com aço, madeira, sustentabilidade e eco-eficiência e mais de 1000 projetos realizados, entre Centros de Pesquisa, Centros de Educação Ambiental, Centros de Compra e Distribuição, Indústrias, Hospitais, Escolas, Conjuntos Residenciais e Esportivos entre outros.

Centro de Pesquisas da Petrobrás CENPES.
Autor: Siegbert Zanettini, Co-Autor: José Wagner Garcia
O Fórum EcoTech em Salvador, terá como um de seus palestrantes o Arq. Siegbert Zanettini, falando sobre “A Plástica e a Estética da Arquitetura Sustentável“. Entre os projetos que serão apresentados, estará o Fórum do Meio Ambiente e da Fazenda Pública, primeiro edifício público a buscar a certificação LEED do USGBC.

FÓRUM DO MEIO AMBIENTE E DA FAZENDA PÚBLICA

O partido adotado retratou a concepção dinâmica e inovadora, valorizando a identidade arquitetônica do edifício e atendendo ao plano urbanístico local e aos critérios da certificação LEED do USGBC, através de um extenso trabalho e consultoria especializada desde a concepção inicial. A integração de um conjunto de conceitos multidisciplinares, onde todas as disciplinas
projetuais criaram e inovaram, influenciou significativamente no resultado final da arquitetura.









A edificação foi implantada longitudinalmente no eixo noroeste-sudeste. Assim, sua circulação horizontal principal cruza diagonalmente os limites do lote, permitindo o máximo aproveitamento da ventilação cruzada e iluminação natural nos ambientes internos e a criação de terraços ajardinados e vazios em todos os pavimentos, humanizando o ambiente de trabalho.
As superfícies envidraçadas norte e sul são adequadamente protegidas pelos terraços em balanço ou por telas em aço inoxidável, tensionadas e afastadas 80 cm da fachada, garantindo o sombreamento desejável e o conforto de seus usuários, além da conseqüente economia de energia, pelo abrandamento da carga térmica interior. As superfícies leste e oeste são cegas, evitando a incidência da radiação solar direta e ganhos térmicos indesejáveis oriundos destas orientações.

A estrutura em aço que se desenvolve em uma malha de 1,25x1,25m, lajes steel deck, fechamentos e divisórias em dry-wall, proporcionam espaços e sistemas flexíveis, permitindo fáceis alterações futuras e prolongando a vida útil do edifício com qualidade, maior agilidade no processo construtivo e um canteiro de obras mais limpo.

Por tanto, a proposta aborda o desafio de minimizar o impacto ambiental da construção, resultando em ambientes internos e externos que garantam o conforto ambiental do usuário; eficiência energética do edifício e sistemas; possibilidade de utilização de energia limpa; economia de água com reutilização de águas cinzas e pluviais para fins não potáveis e adoção de metais eficientes; e integração com a paisagem do entorno.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Fórum EcoTech - Fórum Internacional de Arquitetura e Tecnologias para a Construção Sustentável

Caros,

Como possivelmente já tenham conhecimento, lançamos neste mês de maio o Fórum EcoTech - Fórum Internacional de Arquitetura e Tecnologias para a Construção Sustentável, evento que estamos organizando pela A+C, em parceria com a Arco Editorial.

Como coordenador técnico do evento, tenho a satisfação de compartilhar com os colegas que estamos trabalhando para apresentar um evento de alto nível, com participação de destacados profissionais do Brasil e convidados estrangeiros.

O Forum EcoTech ocorrerá de julho a dezembro em São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Curitiba, nesta ordem.

A etapa de São Paulo contará com Nelson Faversani Jr., da Tishman Speyer, Nelson Kawakami, do GBC Brasil, Manuel Martins, da Fundação Vanzolini, Marcelo Roméro, da FAU-USP, Roberto Loeb, Loeb Arquitetura e Roger Frechette, convidado internacional do SOM - Skidmore Owings & Merryl, onde é responsável pela área de construção sustentável (mais informações em: http://amacedofilho.blogspot.com/2009/05/roger-e-frechette-projetando-com.html).

A programação das demais etapas será continuamente atualizada no site do evento: http://www.forumecotech.com.br/.

Espero vê-los em ao menos alguma delas.

Até lá.

Arq. Antonio Macêdo Filho.

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Para o controle da Luz e do Calor.

Por Gilmara Gelinski
Publicada originalmente em FINESTRA Edição 38

Com a função de filtrar os raios solares através da reflexão da radiação em todas as suas freqüências, de forma seletiva, os vidros refletivos podem ser grandes aliados do conforto ambiental e da eficiência energética nas edificações.

Desenvolvido com tecnologia que garante o controle eficiente da intensidade de luz e do calor transmitidos para os ambientes internos, através das fachadas e coberturas, o vidro refletivo requer, para sua especificação, que o projetista conheça suas características de desempenho e leve em consideração itens como transmissão de luz, calor, refletividade, cor do vidro, região em que se localiza a obra e finalidade da edificação. Sem esses e outros estudos, há riscos de o projeto apresentar problemas como claridade desconfortável e aquecimento do ambiente interno ou quebra de vidros em alto percentual, devido ao estresse térmico causado pela alta absorção energética.
O arquiteto Paulo Duarte, consultor de fachadas da AEC e da PCD Consultores, explica que o vidro refletivo pode ser fabricado com vidro monolítico, incolor ou colorido, que recebe numa de suas faces uma camada de óxidos ou sais, metálicos ou não. São essas substâncias que conferem ao produto as características de refletividade parcial.





Imagem: Edifício Spazio JK, projeto de Edo Rocha: vidro laminado refletivo prata da Glassec






A fabricação dos vidros refletivos pode ser realizada por meio de dois processos: o pirolítico, ou on line, e em câmara a vácuo, ou off line (sputtering methode).


No processo pirolítico, a camada refletiva é aplicada na face superior do vidro monolítico enquanto a placa ainda não esfriou, ou após sofrer novo aquecimento. Como a chapa de vidro está quente e com sua superfície em estado plástico, os óxidos penetram um pouco na superfície e, ao resfriar o vidro, a camada refletiva (chamada de camada dura, hard coat) torna-se resistente. Nesse método, o desempenho do vidro como filtro solar é mais fraco, ou intermediário. Geralmente apresenta refletividade externa maior. Em compensação, a relação refletividade interna/refletividade externa é melhor, pois reflete mais para o exterior do que para o interior. Por ter uma camada mais resistente, o vidro pirolítico pode ser curvado ou termoendurecido.

Imagem:Edifício Atrium V, projeto de Aflalo & Gasperini: vidro SGG Stadip Cool Lite azul e cinza, da Santa Marina.

Já no processo de câmara a vácuo, a camada refletiva é depositada em câmaras de alto vácuo, por bombardeio iônico e em atmosfera de plasma, depois de o vidro sair da linha de produção e ser resfriado. O resultado são vidros refletivos com melhor desempenho de proteção solar, porém com camada refletiva mais superficial. Esse tipo de vidro não admite a maioria dos beneficiamentos que utilizem calor, aplicados a outros vidros.
O vidro refletivo pode ser laminado, insulado, serigrafado ou temperado.
Porém, são necessários alguns cuidados em situações especiais: os vidros que passam pelo processo a vácuo não podem ser temperados e o processo de serigrafia deve ser feito antes do depósito dos óxidos. Os refletivos pirolíticos podem ser temperados e serigrafados após o processo de pirólise.
Como especificar
Segundo Paulo Duarte, o vidro refletivo deve ser especificado sempre que a incidência de radiação solar sobre uma fachada for excessiva, resultando no aquecimento interno do ambiente. Mas, observa ele, a escolha não é tão simples. É importante, antes de se falar sobre as características de especificação de um vidro refletivo, saber como ocorrem os fenômenos físicos que comandam o desempenho desse produto e como a radiação solar incide sobre uma construção, particularmente sobre as fachadas e coberturas (figura 1).
Figura 1 - Coeficiente fotoenergético

Entre 0 e 380 nanômetros estão as radiações ultravioleta (UV), que são invisíveis ao olho humano e têm características benéficas e maléficas para o homem. Na faixa entre 380 e 800 nanômetros, temos o espectro da luz visível, que, começa nas freqüências mais altas do violeta, passa pelo azul e vai pelo verde, amarelo até chegar ao vermelho, passando depois para as radiações no infravermelho (IV), que também são invisíveis e concentram mais calor (figura 2).

Figura 2 - Espectrofotometria Gráfico do espectro solar mostra a curva de distribuição das ondas da radiação oriundas do sol, tomando como base seus comprimentos de onda e suas freqüências.

A radiação solar é composta por aproximadamente 3% de UV, 42% de luz visível e 55% de IV. Ao atingir uma placa de vidro, essa radiação se divide da seguinte forma: parte atravessa o vidro, penetrando no ambiente interno (transmissão direta); parte é refletida para fora; e um terceiro percentual é absorvido pelo vidro, que se aquece e redistribui essa energia, devolvendo parte para o exterior e parte para o interior. Conclui-se que a quantidade total de radiação que passa para o interior é o percentual de transmissão direta (TD) mais a parte da energia absorvida pelo vidro que foi devolvida para o lado interno (AE).

Centro empresarial Times Square, projeto de Königsberger Vannucchi: vidro SG SI-20 On Clear, da Guardian

A radiação refletida não faz parte da energia que passa por transmissão direta, e vice-versa. Quando o vidro reflete demais, passa pouca radiação; quando absorve demais, além de permitir passar menos radiação, reduz a parcela refletida. A combinação entre os percentuais de radiação transmitida, refletida e absorvida definem o desempenho fotoenergético do vidro; o bom desempenho é o balanço desejável entre a transmissão de luz direta e o bloqueio máximo de calor. Este balanço ocorre matematicamente para cada comprimento de onda e vai muito além de simples cálculos aritméticos.

Não é fácil mensurar ou quantificar os valores fotoenergéticos, porém existem alguns coeficientes que definem seus índices. O balanço a considerar, na realidade, ocorre entre os percentuais de radiação, em todos os comprimentos de onda. No entanto, para a análise de um vidro para construção civil, são de grande interesse os valores relativos à luz visível. Por essa razão, alguns dos coeficientes analisados se referem à radiação luminosa e outros à radiação em todo o espectro. Só os especialistas analisam esses dados para comprimentos de onda específicos.
Para isso, devem ser considerados os seguintes coeficientes:
• Transmissão luminosa direta (TL) - em %.
• Refletividade luminosa externa (Re) - em %.
• Refletividade luminosa interna (Ri) - em %.
• Absorção de energia pelo vidro (AE) - em %.
• Fator solar (FS) - em %. É o coe- ficiente que indica a quantidade de radiação total que penetra no ambiente, considerando a transmissão direta e a radiação reirradiada pelo vidro - que depende da AE.
• Coeficiente de sombreamento (CS) - é outra maneira de expressar o FS, sendo a razão entre o FS do vidro analisado e o FS de um vidro monolítico padrão incolor de 3 milímetros.
• Valor U verão (Uv) - em unidades decimais, em W/m2.BC, é o coeficiente de transmissão de energia através do vidro. Essa transmissão ocorre devido à diferença de temperatura entre os lados externo e interno.
O que se procura, portanto, são coeficientes TL entre 30% e 50%, Re inferior a 25%, Ri inferior a 15%, AE inferior a 70%, FS inferior a 39%, CS inferior a 0,45 e valor Uv menor que 6,3 W/m2.BC.

Cobertura da piscina do Hotel Hilton São Paulo Morumbi, projeto de Botti Rubin: vidros laminados refletivos da Santa Marina.
No balanço fotoenergético, a dificuldade está em encontrar o equilíbrio entre a quantidade de luz e de calor transmitida para dentro do ambiente e a quantidade de luz refletida internamente. Nesse caso, vale lembrar: se a quantidade de luz direta transmitida for diminuída, haverá escurecimento do ambiente interno com efeitos negativos sobre a visão, exigindo-se mais energia para iluminação artificial; pode ocorrer, ainda, um efeito psicológico depressivo. A luz refletida causa o aspecto espelhado do vidro, resultando nas "caixas-espelho", que estão se tornando cada vez mais indesejáveis.

O vidro refletivo não é um espelho, ele reflete parcialmente para o lado onde há mais luz. Isso significa que durante o dia a reflexão é externa e durante a noite é interna, e se essa reflexão é excessiva o resultado pode ser desagradável. Portanto, passa a interessar o percentual de refletividade interna.

Alta, média e baixa reflexão

Não há uma classificação oficial, a interpretação desses dados é muito subjetiva. No entanto, nota-se uma tendência, há mais ou menos seis anos, no sentido de seleção de vidros menos refletivos. Para o arquiteto Paulo Duarte, esse conceito deve ser bem entendido, pois a maioria dos profissionais se preocupa apenas com o aspecto externo e esquece ou desconhece o fato de que, ao escurecer o dia, os mesmos vidros passam a ser refletivos internamente. Um dado importante e muito negativo é que, na maioria dos casos, os vidros de alto desempenho, como os de controle solar, apresentam coeficiente de refletividade interna (Ri) superior ao de refletividade externa (Re). Ou seja, se o arquiteto aceita ou deseja um vidro mais refletivo externamente, terá também maior refletividade internamente.

Paulo Duarte afirma que é possível classificar os vidros da seguinte maneira:

alta refletividade - refletividade externa superior a 25%;
média refletividade - refletividade externa entre 25% e 15%;
baixa refletividade - refletividade externa inferior a 15%.

Vidros coloridos

Os vidros coloridos refletivos tendem a enfatizar a refletividade interna, obrigando a uma revisão dos valores fotoenergéticos. Portanto, é importante considerar também o efeito da cor do vidro. Pode-se obter um vidro colorido refletivo de três maneiras.

A primeira é aplicando uma camada refletiva na face 2 do vidro monolítico incolor, que reflita uma cor - verde, azul, dourado etc.

A segunda ocorre com a aplicação de uma camada refletiva neutra - geralmente o prata neutro - na face 2 de um vidro monolítico colorido na massa. Nesse caso, a luz refletida adquire a cor da massa do vidro, podendo ser verde, bronze, cinza e variações.

A terceira e última maneira é aplicar a camada refletiva neutra na face 3 de um vidro laminado e colocar um filme colorido de PVB. Sendo os vidros incolores, a luz refletida atravessa a lâmina incolor e o PVB colorido, reflete na face 3 do segundo vidro e atravessa novamente o PVB, resultando na cor refletida correspondente ao PVB (figura 3).

Figura 3 - Indicação das faces de vidro

É preciso ficar atento à cor do vidro monolítico ao especificar um vidro refletivo. A utilização de vidros coloridos influencia a cor refletida e altera o desempenho fototérmico do vidro refletivo, reduzindo a transmissão de luz direta, melhorando o fator solar e piorando a absorção de calor, porque aumenta a absorção de energia pelo vidro.

Sede administrativa dos Laboratórios Pfizer, São Paulo, projeto da Empresa Brasileira de Engenharia e Projetos: vidros refletivos Blindex.

A escolha adequada
Após conhecer as particularidades que envolvem a concepção de um vidro refletivo, para especificá-lo é necessário observar os seguintes itens:

• Escolha o que melhor atender ao cliente e à obra. Isso implica conhecer o que o projeto de ar condicionado requer como desempenho do vidro para melhor suprir as necessidades de conforto térmico, com eficiência e economia.
• Não se pode escolher a cor do vidro considerando cores de encomenda; vidro não é tecido nem tinta, suas composições são limitadas.
• Nem sempre o vidro que apresenta exatamente a cor desejada é aceitável para o projeto. Nesse caso, deve-se fazer outra opção, para se obter uma alternativa que melhor se adapte ao projeto.
• O vidro refletivo tem reflexão para fora e para dentro do edifício, geralmente mais para dentro, e a reflexão interna pode apresentar uma cor detestável.
• Para resolver problemas acústicos, não é preciso procurar vidros insulados (duplos). Um laminado geralmente resolve melhor o problema, com custo menor.
• Vidro insulado com um componente refletivo oferece melhores coeficientes fotoenergéticos do que o vidro monolítico ou laminado, além de diminuir a transferência de calor - fator U mais baixo.

Também é preciso considerar o nível adequado de iluminação e determinar o bloqueio correto das radiações que mais conduzem o calor, de modo a reduzir a quantidade dele que penetra nos ambientes. O bloqueio de calor também implica o bloqueio da luz visível.
No caso do Brasil, um país que se estende desde a latitude 5B norte até 33B sul, temos a seguinte situação: grande parte do país na região tropical, parte no hemisfério norte e parte no sul, alguns Estados na região equatorial e Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul abaixo do trópico de Capricórnio. Isso significa que a incidência da radiação solar vem em diferentes ângulos nas diversas regiões e há um período de insolação maior em algumas delas.
Assim, é indicado selecionar vidros de média refletividade nos estados das regiões Norte e Nordeste e de baixa refletividade no Sul e Sudeste. Deve-se bloquear mais luz natural na região Norte e menos no Sul.

Os aspectos estéticos relativos às refletividades externa e, principalmente, interna também devem ser considerados, pois ninguém quer estar num quarto de hotel, por exemplo, de onde se pode observar uma bela paisagem, e, ao olhar através do vidro, ver quase somente sua própria imagem refletida.
De modo geral, é vantajoso haver incidência de luz natural suficientemente alta para garantir iluminação confortável no ambiente interno, sem excessos. Mas esse nível de iluminação é diferente para usos distintos. "Num quarto de hospital, por exemplo, é desejável um nível mais baixo de luminosidade, e numa UTI deve ser mais baixo ainda. Já no solário ou nas áreas previstas para exposição ao sol, o nível sobe", afirma Paulo Duarte.
"Para um escritório comum, o nível deve ser relativamente alto, mas sem desconforto. Nos locais em que haja predominância do uso de computadores, esse nível deve ser mais baixo, ou a visibilidade das telas será péssima."
Já as condições térmicas do ambiente têm variação menor para se atingir o ideal. O quanto se deve bloquear pode variar de acordo com a orientação da fachada, a estação do ano, o local em que se encontra a edificação e o uso. Mas a variação é pequena. E, considerando um país tropical, sempre é preciso diminuir razoavelmente a quantidade de calor que penetra no prédio.
Para coberturas, segundo Paulo Duarte, são indicados vidros que tenham baixo coeficiente de sombreamento (CS), menor que 0,40; transmissão luminosa (TL) entre 25% e 40%; refletividade interna (Ri) inferior a 18%; e valor Uv menor que 3 W/m2.BC.

Em tempo, Paulo Duarte é convidado para ministrar palestra no Fórum Ecotech.
Confira a programação do evento em: www.forumecotech.com.br.