quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Tour First - Torre sustentável em Paris

Tour First - Torre sustentável em Paris (La Défense)

Neste mês de novembro de 2009, tive oportunidade de acompanhar a quarta edição da Missão Técnica Paris Batimat, organizada agora pela ArqTours, by Raquel Palhares (na foto, à direita).

Em uma semana fria de outuno europeu, visitamos, além do Salão Batimat, maior feira de construção do mundo (este ano um pouco menor, mais ainda enorme), pudemos também realizar algumas visitas técnicas bem interessantes. Comentarei a Batimat em uma próxima postagem.

Dentre as visitas técnicas que realizamos, destaco aqui a Tour First, que está em construção (na verdade, reconstrução) em La Défense, na grande Paris. O edifício será, quando concluído, em 2010, o mais alto da França. Trata-se na verdade de um enorme retrofit do edifício original, concluído nos anos 80.

Antes de visitar a obra do Tour First, tivemos também oportunidade de visitar o escritório de arquitetura responsável pelo projeto, onde o arquiteto titular gentilmente nos recebeu para uma apresentação detalhada sobre a intervenção, que foi fruto de um concurso internacional e envolveu todo o edifício.

A empresa proprietária do edifício tinha a intenção com esta renovação se adequar aos novos requisitos de sustentabilidade e
novos parâmetros de mercado. Um dos requisitos fundamentais era a adequação ao referencial HQE - Haute Qualité Environnementale , certificação ambiental de edificações que é a referência para a certificação brasileira AQUA - Alta Qualidade Ambiental.

A possibilidade de demolição chegou a ser considerada, mas a renovação completa se mostrou a opção mais sensata para a região de La
Defénse, importante distrito financeiro da capital francesa.

A proposta vencedora incorporou, no balanço geral entre as áreas de demolição e construção, mais de 9.000 m2 aos 77.000 originais, incluindo novos dez andares, o que tornará o edifício o mais alto do país.

A planta original dispunha os pavimentos tipo de escritórios em três segmentos separados. O novo projeto, por sua vez, criou uma extensão nas plantas tipo de 1,5 m. para fora do prédio, em toda a sua periferia, de forma a que os segmentos de planta passaram a ser inter-conectados internamente, sem necessidade de ir ao hall, possibilitando a ocupação por uma mesma empresa de toda a planta.

Toda a fachada original foi substituída. Todos os caixilhos e vidros originais foram encaminhados para empresas de reciclagem. Para a nova fachada, estudos de insolação e radiação foram realizados com o auxílio de simulação computacional, para determinar quais as regiões que necessitariam de maior ou menor proteção, em função da incidência de radiação durante o ano, considerando-se, inclusive a influência do sombreamento dos edifícios vizinhos, especialmente nos pavimentos inferiores do edifício.

A partir destes estudos, foram distribuídas pelas fachadas, soluções distintas que envolvem vidros duplos ventilados, vidros duplos não ventilados e vidros simples.

Os sistemas de ar condicionado, por sua vez, também foram projetados para estas variações de demanda térmica pela planta.

Os elevadores originais foram também substituídos por modelos mais eficientes, com sistema de reaproveitamento de energia, novo conjunto de sistemas de iluminação e de automação e controle garantirão a também maior eficiência energética ao complexo.

A reforma do edifício incluiu também, por conta dos novos andares que foram somados à estrutura, reforços estruturais nas fundações, que, surpreendentemente, conforme soubemos durante a visita, são feitas em radier, com apenas 30 m. de profundidade.

Do alto da imponente torre, podemos ter uma bela
vista de Paris, e da região de La Défense.

Apesar do alto custo da reforma, em torno dos 300 milhões de Euros, os proprietários, antes mesmo da conclusão das obras, já ficaram muito satisfeitos. O empreendimento foi comercializado a investidores que já garantiram a ocupação plena do edifício, após conclusão das obras.

É um exemplo de sustentabilidade aplicada a grandes obras e a comprovação de que de fato não há construção sustentável sem viabilização comercial.

As certificações ambientais são fundamentais para garantir às edificações o caráter de green buildings e a valorização dos empreendimentos. O referencial francês HQE, assim como o AQUA no Brasil, são uma boa ferramenta para isto.

A IV Missão Técnica Paris Batimat 2009 foi realizada entre 01 e 09 de novembro e 2009. A próxima edição será na mesma época, em 2011. Muito provavelmente haverá novas obras como esta para visitarmos na dinâmica região de La Défense.

A bientôt, Paris.

Por Antonio Macêdo Filho.


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Super brizes em Salvador


Cidades portuárias são importantes por diversas razões. Em muitas delas os portos são a principal atividade econômica do lugar.

Muitas destas cidades, no entanto, evoluem, crescem, desenvolvem outros negócios. A conjuntura se altera, os mercados mudam, e em muitos casos os portos perdem o seu valor original e sua função econômica e social. É o caso, dentre outras, de Barcelona, Buenos Aires, Lisboa, Nova York, Rio de Janeiro e Salvador, para citar apenas cidades que conheço.

A sustentabilidade aqui é uma questão de vitalidade urbana, de renovação, de readequação. As cidades precisam se adequar.

Buenos Aires eu tive oportunidade de conhecer antes e depois da reforma do Puerto Madero. A mudança foi dramática, criou novos espaços para a cidade. Hoje, juntamente com a Recoleta, é a região mais valorizada da capital argentina.

Barcelona e Lisboa se aproveitaram de grandes eventos realizados para se revitalizarem. Os jogos olímpicos de 1992 e a Exposição Universal de 1998, respectivamente, trouxeram novas caras e novos usos para as regiões portuárias das duas cidades. O Puerto Olímpico, em Barcelona, tem uma atividade noturna que atrai gente de todo o mundo.

Em Salvador, minha cidade natal, desde os meus tempos de estudante de arquitetura, já se falava da tal grande reforma da região do porto, da revitalização do comércio, no centro.

Muitas propostas já foram feitas. Recentemente, recebi de colegas algumas imagens de uma proposta que me pareceu bem interessante. Os antigos galpões do porto serão, assim como foi feito em Buenos Aires, tomados por alamedas, lojas, escritórios e restaurantes.

O lugar é mesmo especial. A vista da Baía de Todos os Santos é fantástica e está ao lado de locais que levam a imagem da Bahia mundo à fora, como o Mercado Modelo, o Elevador Lacerda e o Centro Histórico.

Como na Baía de Todos os Santos - fato muito raro no Brasil e que ocorre também na Baía de Guanabara - o sol se põe sobre o mar, temos uma paisagem impagável, mas também um sol poente que pode incomodar muito os usuários das edificações ao largo da orla.

É preciso tomar cuidado com a solução de fachada oeste nestes edifícios. No caso desta proposta, encontraram um sistema interessante, com super-brises que envolvem completamente a fachada (vejam as imagens). Se tiver um espaçamento que permita visibilidade de dentro para fora, pode funcionar bem. Me pareceu elegante.

Espero que a iniciativa progrida e os colegas consigam promover um projeto executivo e uma execução de qualidade, como a Bahia merece. O turismo é uma importante força motriz e deve se incrementar nos próximos anos. A Copa do Mundo virá para ajudar a dar também um impulso importante.

Vamos ver o que o Rio de Janeiro fará com a sua região portuária, também degradada e repleta de grandes galpões e edifícios em estado precário. As olimpíadas e o Rio merecem.
Por Antonio Macêdo Filho



terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sustentabilidade segundo o AQUA

Reproduzo a seguir entrevista com Manuel Martins, da Fundação Vanzolini, responsável pela certificação de edificações AQUA.
Por Nanci Corbioli, publicada em PROJETODESIGN - Agosto de 2009

O engenheiro Martins foi um dos meus convidados palestrantes do Fórum EcoTech em São Paulo, que teve minha coordenação técnica.

Engenheiro civil formado pela Poli/USP em 1969 e doutor pelo Imperial College, de Londres, Manuel Carlos Reis Martins é o coordenador executivo do Processo Aqua, certificação de sustentabilidade conferida pela Fundação Vanzolini. Martins foi diretor e coordenador de qualidade no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e diretor da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

O Processo Aqua (Alta Qualidade Ambiental) é uma certificação adaptada à realidade brasileira pela Fundação Vanzolini e por professores do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Poli/USP. O processo é fundamentado no sistema francês Haute Qualité Environnementale (HQE), mas adota critérios próprios e incorpora normas da ABNT. Entre suas características está a exigência de desempenho avaliado como bom, superior ou excelente em 14 categorias relacionadas à qualidade ambiental do edifício. Manuel Martins destaca, no entanto, que no Aqua existe a flexibilidade de escolhas, de modo a garantir o desempenho. “O projetista poderá justificar suas decisões. Claro que com base profissional”, completa. Fundamentada em um sistema de gestão que garante o controle do projeto e a execução da obra, a certificação por ora é destinada a edifícios de escritórios, escolares e hoteleiros, mas em breve também estará disponível para empreendimentos residenciais.

Por que a Fundação Vanzolini escolheu um modelo francês de certificação de sustentabilidade?

A USP tem relações com universidades de outros países e na Poli tínhamos um trabalho de pós-graduação ligado ao desenvolvimento de bairros sustentáveis em Paris. Quando conhecemos o HQE, percebemos que ele tinha boas características e poderia ser usado como base para um processo brasileiro de certificação. O HQE foi desenvolvido a partir de uma visão ampla da cadeia produtiva e do setor da construção, e estabeleceu categorias, que nós chamamos de os 14 grandes objetivos, de forma abrangente e relevante em termos de sustentabilidade da construção. Os critérios de avaliação levam em conta o desempenho, o que de imediato já permitia a adoção de soluções locais. O que interessa é o desempenho e não se a fachada, a parede ou o teto vão ser feitos disso ou daquilo. Essa característica facilitou o processo de adaptação.


Manuel Martins durante os debates no Fórum EcoTech, entre o Prof. Marcelo Roméro e Antonio Macêdo.


Como foi feita essa adaptação?

O pessoal na Poli já conhecia bem o assunto antes de existir certificação. Eles estudam isso há muito tempo no Brasil e conheciam o processo francês. O primeiro referencial adaptado foi o de escritórios e escolas, e nosso mercado veio demandando outros. Para edifícios comerciais, o desdobramento era mais fácil porque bastava ajustar alguns itens. O Processo Aqua foi lançado em abril de 2008 e mesmo nessa fase inicial em que temos poucos certificados já surgiu o interesse pela certificação de hotéis e comércio. Também houve interesse pela certificação residencial, mas o processo é um pouco mais demorado porque os itens de conforto, que são o ponto principal, mudam muito. Nosso referencial para residências está em fase de ajuste em relação a normas técnicas e legislação e deve ficar pronto no final de julho. Não se trata simplesmente de um desdobramento do primeiro, porque leva em conta as 14 categorias em acordo com as peculiaridades desse tipo de edificação. Isso considera as normas técnicas brasileiras, e busca complementos na normatização estrangeira quando necessário ou no conhecimento técnico disponível no país, em universidade ou outros centros.

Por que essa diferença se os sistemas são praticamente os mesmos?


Há muitas coisas que são uma preocupação comum, como limitar vazão de água ou adotar sistemas economizadores. Em um hotel ou em um escritório as condições de conforto não são as mesmas de uma residência. No Brasil, a não ser em regiões específicas, as casas e apartamentos usam menos ar condicionado que os escritórios. Em termos de aquecimento é a mesma coisa. Por outro lado, a acústica em uma residência é mais exigente que num escritório e isso também vale para um quarto de hotel. Como são as condições acústicas e de conforto térmico em uma sala? Quais são as condições sanitárias de uma cozinha? Isso vai levar em conta basicamente o tipo de revestimento, mas há a acessibilidade e normas para alturas de balcões. Isso não existe em um prédio de escritórios.

Existem apartamentos muito pequenos em que pessoas em cadeiras de rodas não conseguem passar pela porta. Como um projeto desses ficará diante do Aqua?

Esse projeto não atende a norma e não será certificado. Por que um empreendimento residencial não pode ser pensado desde o início para que venha a ter bom desempenho e acessibilidade? O espaço físico só é limitante se o projeto não considerar esses parâmetros. Não é porque o espaço é menor ou se destina a determinada faixa de renda que precisa ser ruim ou deficiente em termos de funcionalidade. Como fazer um bom projeto, com custos restritos e preço de venda limitado? Esse é um desafio que pode ser melhor enfrentado se pensado desde o começo do processo. Quem decide é o empreendedor, ele vai investir e dizer como deve ser feito. Se o empreendedor estiver sensibilizado, os nossos profissionais sabem fazer. Alguns profissionais podem não estar muito acostumados porque não é esse o ritmo que veio até hoje, mas formação e conhecimento eles têm.

Como é feito o processo de certificação no sistema Aqua?

Ele é dividido em três etapas. A primeira é a fase Programa, em que é estabelecido o programa de necessidades, o perfil de sustentabilidade com os níveis de desempenho que o edifício pronto deverá apresentar, e o sistema de gestão do empreendimento, para viabilizar o controle total do projeto a fim de garantir que esses objetivos sejam alcançados. O empreendedor fará a autoavaliação da consistência disso tudo, levando em conta a coerência e a viabilidade dos objetivos propostos. Isso será submetido à Fundação Vanzolini e, se atender às normas, o empreendimento receberá o certificado da primeira fase e passará à etapa seguinte, que é a Concepção. Nesse momento será desenvolvido o projeto executivo, com todos os detalhes de como será o empreendimento, e em acordo com o sistema de gestão escolhido para garantir o controle. Nessa segunda etapa ocorre também uma autoavaliação, dessa vez mais profunda, para demonstrar como o projeto desenvolvido atenderá os critérios nos níveis Bom, Superior ou Excelente que foram propostos nos objetivos da primeira fase. A Fundação Vanzolini fará a auditoria e, se tudo estiver correto, será concedido o certificado da segunda fase. A terceira etapa é a Realização, que abrange a obra feita em acordo com o sistema de gestão e com os projetos, para concretizar o perfil proposto. Uma nova autoavaliação será feita no final da construção, que depois passará pela última auditoria para verificar se o projeto implantado resulta no perfil desejado. Se estiver tudo certo, a fundação concede o certificado.

O Processo Aqua foi lançado em abril de 2008 e nessa fase inicial já surgiu o interesse pela certificação de hotéis e comércio. Também houve interesse pela certificação residencial, mas o processo é um pouco mais demorado porque ositens de conforto mudam muito.

Por quanto tempo vale esse certificado?

O certificado da fase Programa é válido até sair o da fase de Concepção, e este até a certificação da fase de Realização, na entrega da obra. E o certificado final vale por um ano. Essa não é uma certificação que se renova depois. Todos os elementos necessários ao bom desempenho do prédio em uso, que envolvem arquitetura e sistemas, já têm que estar ali.

Não existem fatores que podem de alguma forma alterar o desempenho desses sistemas durante o uso?

Existem, e por isso terá outra certificação depois, que poderá ser renovada periodicamente. Ainda estamos terminando de elaborá-la e não foi definido o prazo para renovação, mas acredito que serão auditorias anuais. Isso porque aquele sistema de gestão que se estabeleceu para garantir o atendimento desde o programa até a entrega da obra não é igual ao de gestão do uso. Uma coisa é projetar e construir, outra é usar. Os agentes que desenvolvem o programa, o projeto e constroem são uns, os que controlam a operação do edifício são outros. Se o síndico ou o condomínio quiserem manter a certificação ao longo do tempo, terão que estabelecer um sistema de gestão e de controle do uso, e nisso estarão incluídas boas práticas ambientais. Quem vai operar terá que garantir que serão mantidos os desempenhos dos sistemas nos níveis previstos. Isso será feito por meio de medições, registros, relatórios de desempenho. Além da avaliação documental, o operador mostrará também os sistemas em funcionamento. Há, por exemplo, um critério que contempla gestão de resíduos na operação do edifício, com condições sanitárias adequadas e aproveitamento pela cadeia local.

As economias em uso de energia, água, manutençãoe tratamento de resíduos vão garantir o retorno em prazo entre dois e cinco anos. Em um seminário,ouvi investidores dizendo que são locados mais rapidamente os conjuntos de escritórios em umprédio sustentável.

Quanto uma obra sustentável é mais cara que uma obra sem essa preocupação?

É necessário haver valores de referência. Primeiro é preciso imaginar a obra sustentável e depois imaginá-la não sustentável para ver a diferença. Talvez se gaste mais na fachada, mas em compensação menos no sistema de ar condicionado. No mundo, os números médios para projeto e construção são de até 5% do valor total da obra. As economias em uso de energia, água, manutenção e tratamento de resíduos vão garantir o retorno desses 5% em prazo que varia entre dois e cinco anos. Esse retorno beneficia o usuário e o empreendedor. Em um seminário, ouvi investidores dizendo que são locados mais rapidamente os conjuntos de escritórios em um prédio sustentável e que a construção mantém seu valor patrimonial por mais tempo devido aos sistemas de controle e manutenção.

Existem obras já certificadas pelo Processo Aqua?

A certificação tem pouco mais de um ano e por enquanto dois empreendimentos já receberam os primeiros certificados. Um é o Centro de Eventos Nortel, perto do Shopping Center Norte [zona norte de São Paulo], que recebeu a certificação da fase Programa durante a Feicon [março de 2009]. São três torres e um espaço para minigolfe que ninguém usava. Por isso, resolveram usá-lo para criar um centro de eventos. Uma de suas características é o teto verde, para reduzir os efeitos do calor, captar água de chuva e também para manter a vista dos hóspedes do hotel. O outro empreendimento é a loja Leroy Merlin em Niterói, que completou a certificação da fase Concepção e já está no final da obra. O previsto é que em agosto ela passe pela avaliação da etapa de Realização. Ali eles precisavam resolver outra questão. A frente da loja ficou voltada para o oeste e eles solucionaram esse problema usando materiais para a proteção contra o calor. Essa é uma característica do Aqua. Não é obrigatório ter determinada orientação, mas soluções adequadas devem ser previstas nas fases Programa e Concepção. O Aqua aceita soluções que tragam economia no restante do projeto e reduzam a necessidade de outras medidas. O que todo mundo quer é uma construção sustentável, confortável, saudável e econômica, tanto no investimento como no uso.

Então os critérios de certificação são flexíveis?

Sim. No Aqua ninguém ganha pontos só por colocar determinada coisa no prédio. Por exemplo, o sistema solar para aquecimento de água vai garantir pontuação no Leed [certificação norte-americana Leadership in Energy and Environmental Design, concedida pelo United States Green Building Council]. É certo que esse sistema reduz muito o consumo de energia nas edificações. Mas qual sistema devo instalar em um prédio de escritório que terá somente dois ou três chuveiros lá embaixo para os funcionários da limpeza e da manutenção? Claro que será o elétrico, porque não se justifica instalar as placas de captação e um sistema de distribuição todo complicado para quando o chuveiro for aberto lá embaixo já sair água quente na hora, sem ter que perder litros e mais litros de água fria até a quente chegar ao ponto de consumo. Essa flexibilidade do Processo Aqua permite escolhas em favor do melhor desempenho. Limitar a vazão de água é outro exemplo. Em edifícios altos precisa ter limitador de vazão, isso é básico. O mais relevante é otimizar o consumo, buscar sistemas economizadores, calcular e justificar as escolhas com o quanto de água será economizado. Se for feito dessa maneira, o sistema vai alcançar nível excelente. Não existe um número de referência. Cada empreendimento tem seu próprio potencial de economia.

Como é feita essa análise?

Alguns elementos são analisados numericamente, como o percentual de redução no consumo de energia ou qual a transmitância térmica. Mas há outros em que a análise é por demonstração. Por exemplo, o potencial para redução do consumo de água. O projeto já reduziu a vazão, emprega sistemas economizadores e água da chuva para algumas finalidades. Se não houver mais nada a fazer, fica estabelecido o consumo de água potável e se isso estiver justificado e explicado, a certificação levará em conta esses cálculos e justificativas.

Se não existem números de referência, como saber se o desempenho é bom, superior ou excelente?

A referência é a própria edificação sem esses elementos. É como se fossem dois projetos, um com todos os recursos e outro sem eles, para ver o quanto se economiza. Como seria o desempenho de um projeto se nada disso fosse feito? E qual é o ganho se fizer? Os projetistas têm mais facilidade para desenvolver um projeto já nesse conceito. Quando os agentes começam a pensar um empreendimento, imaginam qual sistema construtivo será usado, como vai ser o consumo de água etc. Se na hora de fazer o programa os profissionais puderem gastar um pouco mais de tempo pensando naquilo que deve ser feito, terão maiores chances de encontrar as melhores opções. Dedicar mais tempo ao programa e ao projeto sempre vai garantir mais economia, porque adaptar depois sairá mais caro. Quanto mais adiantado o projeto ou a obra, menor será a flexibilidade de mudança e maiores os custos. Precisa haver uma mudança de cultura geral, gastar mais tempo no desenvolvimento do programa e do projeto, ter gerenciamento integrado do empreendimento desde o programa até a entrega. Esses são os fatores que mais exigem esforços de mudança. As pessoas estão acostumadas a pedir o projeto para ontem. A decisão de fazer um empreendimento pode até demorar um pouco, mas quando isso fica decidido vem junto aquela aflição de construir e não há tempo para fazer essa reflexão inicial que deixaria o resultado muito melhor.

O senhor pode apontar outras diferenças entre os sistemas Aqua e Leed?

Temos apenas uma ideia sobre isso porque nosso objeto não é fazer um confronto ponto a ponto com o Leed. Os próprios americanos discutem a relevância do Leed, mas creio que seja um sistema adequado para as características deles. Em termos macro, todos os processos de certificação são semelhantes e envolvem as mesmas preocupações: emissão de carbono, energia, água, implantação no território, resíduos, conforto. No hemisfério norte há grande sensibilidade para a questão da energia, e nos Estados Unidos, com o novo presidente, eles estão ainda mais sensíveis a isso. O nome Leed corresponde a liderança em energia e projeto de engenharia, o que já evidencia o foco. No Brasil, nossa preocupação com água, resíduos, conforto e saúde não é menor que a preocupação com a energia. Por isso, nosso processo não prioriza um fator. No Aqua, são avaliados 14 requisitos e o empreendimento deve alcançar ao menos três resultados excelentes, quatro superiores e sete bons para obter a certificação. Não é possível abandonar algum critério ou escolher os quesitos nos quais pontuar. No entanto, se algum item estiver fora do contexto, é possível justificar que aquilo não se aplica ao projeto. Não é ignorar algum item, tem que justificar, dizer o porquê. No Aqua, quando o critério de avaliação não for bom para o contexto do projeto, é possível propor um parâmetro diferente do que está na norma, usar o referencial de outra maneira. No geral a norma pede baixa transmitância térmica, mas nas regiões mais quentes do país, por exemplo, pode ser necessário um tipo de envoltório que durante a noite favoreça a dissipação do calor acumulado ao longo do dia, até com a ajuda de ventilador, se for o caso. O projeto terá que responder em termos de orientação, sombreamento, equipamentos de proteção de fachadas, mas a norma não diz se tem que usar ar condicionado, se tem que usar brises. Existe a flexibilidade de o projeto responder de outra forma para garantir o desempenho e o projetista poderá justificar suas decisões. Claro que isso tem que apresentar base profissional. E nos casos mais complexos envolve até consultorias tanto no projeto como na avaliação de certificação.

Então o Aqua não avalia, por exemplo, a relação entre áreas opacas e translúcidas numa fachada?

Para o Processo Aqua não interessa qual é essa relação, o que conta é o desempenho final, e o profissional tem total liberdade criativa. Essa é uma das principais diferenças entre o Aqua e o Leed. A outra grande diferença é que o Aqua exige um sistema de gestão para garantir que o empreendimento realmente atinja os níveis previstos. A transmitância térmica tem que ser menor que a referência, dada por um edifício médio, com materiais nossos médios e características médias. Melhorar a aptidão do envoltório do edifício, partido arquitetônico, orientação, implantação, porte, aspecto geral, tudo isso deve ser considerado para limitar as necessidades energéticas. Existem simulações de computador para calcular qual vai ser a necessidade de energia no edifício para os sistemas de resfriamento, aquecimento, iluminação. No quesito energia, já começa no desempenho superior. Ou o projeto é superior ou não é nada. Se o projeto consumir 10% a menos que a referência, está no nível superior; se o consumo for 20% menor, então o nível é excelente. O edifício que atingiu o excelente tem consumo no mínimo 20% menor. É isso que o atendimento à norma garante.

A certificação, qualquer que seja, garante que o empreendimento será realmente sustentável?

O Processo Aqua está focado nos critérios do desempenho, então o projeto vai ser o melhor do ponto de vista técnico, de conforto, funcionalidade, economia. Ter a certificação é uma garantia de que esses critérios são reais e estão presentes, de que o assunto foi tratado e resolvido de forma abrangente e relevante. É assim que se trabalha com normas.

No Processo Aqua, são avaliados 14 requisitos eo empreendimento deve alcançar ao menos três resultados excelentes, quatro superiores e setebons para obter a certificação. Não é possível abandonar algum critério ou escolher os quesitos nos quais pontuar.

O Processo Aqua contempla conformidade dos materiais e questões sociais, como o emprego formal e as formas de obtenção dos materiais?

Sim. Essa é uma característica específica do Brasil e foi uma maneira de contribuir um pouco mais, porque o HQE não abrange esses aspectos. Existem no Aqua critérios para conhecer e usar fornecedores formais de produtos, sistemas e processos construtivos. A formalidade dos fornecedores deve se estender aos seus trabalhadores. Mas na verdade isso é um know-how do empreendedor. Ele que tem de conhecer esses fornecedores e não comprar de qualquer jeito, de qualquer um. Precisa ter critério.

sábado, 19 de setembro de 2009

São Paulo e as Megacidades

São Paulo e as Megacidades: desafios e oportunidades do desenvolvimento sustentável
Por Carlos Leite * (Versão adaptada do artigo original publicado na Revista DOM, Fundação Dom Cabral, 2009, publicado em arqbacana.com.br )

Prêmio Nobel de 2008, o economista Paul Krugman prognosticou que o crescimento das cidades será o futuro do modelo econômico de desenvolvimento. É nas megacidades que se verificam as maiores transformações, gerando uma demanda inédita por serviços públicos, matérias-primas, produtos, moradia, transporte e emprego.

Trata-se do grande desafio para os governos e as empresas, exigindo mudanças na gestão pública e nas formas de governança com maior participação da sociedade civil organizada e da iniciativa privada, obrigando o mundo a rever os padrões de conforto típicos da vida urbana – do uso exacerbado do carro à redução da emissão de gases.

O desafio é a reinvenção das megacidades por modelos de desenvolvimento sustentável. E as intervenções no exterior mostram possibilidades de enfrentar problemas comuns às megacidades, principalmente no reaproveitamento sustentado dos seus vazios urbanos.

Atividades econômicas, voltadas para os setores da informação e da comunicação, mas vinculadas à vocação do território, com novos valores locais, e aliados a políticas de desenvolvimento econômico e urbano e a gestão urbana eficiente, podem contribuir decisivamente para a redução do quadro de esvaziamento produtivo de áreas centrais a partir da reutilização dos espaços vagos, combatendo a perda de vitalidade do tecido urbano. Ou seja: promove-se o desejável redesenvolvimento urbano sustentável.

Todo o território ao longo da orla ferroviária de São Paulo, por exemplo, áreas centrais dotadas de boa infra-estrutura urbana e memória (Barra Funda, Brás, Mooca, Ipiranga etc.), podem se regenerar urbanística e economicamente e gerar uma metrópole mais compacta, mais sustentável.
Cidades com bons sistemas de transportes públicos, que têm evitado baixa densidade e expansão desmedida terão menores níveis de emissões de gases de efeito estufa per capita do que cidades que não têm. Muitas das mais desejáveis (e caras) zonas residenciais das cidades mais interessantes do mundo têm altas densidades e possuem centros onde andar a pé e de bicicleta são meios de mobilidade preferidos por grande parte da população.
E a Copa do mundo de futebol de 2014 no Brasil? E a possibilidade do Rio sediar uma futura Olimpíada? Alavancam oportunidades ou são meros instrumentos de marketing político?
Barcelona 1992 ou Sydney 2000, dentre outros exemplos, sinalizam claramente que há nos grandes eventos esportivos uma rara oportunidade para as megacidades se reinventarem se – e isto é fundamental – tais eventos se inserirem em uma desejável e necessária estratégia de regeneração urbana mais ampla.
Barcelona estava desenvolvendo sua famosa metástase urbana invertida: células doentes do território ao se regenerarem contaminavam positivamente as células vizinhas e, tendo uma estratégia de recuperação de todo o doente, a cidade se reinventava. O urbanista Oriol Bohigas comandava brilhantemente tal operação quando surgiu a oportunidade de sediar as Olimpíadas de 92. A oportunidade, estrategicamente planejada, transformou-se na maior das células de multiplicação positiva no seu antigo e desativado território industrial-portuário.
O vazio urbano central transmutou-se em parque linear, nas praias artificiais, na marina e na vila olímpica - conjuntos residenciais de interesse social - , que redesenharam a cidade e a tornaram mais viva e compacta. O potencial do território central regenerado e reestruturado produtivamente é imenso na nova economia, desde que planejado estrategicamente.
Mais recentemente, Sydney aproveitou a ocasião das Olimpíadas para reabilitar toda uma área urbana deteriorada e, em alguns lugares, contaminada (brownfields).
Paulo Mendes da Rocha e equipe, quando desenvolveram o plano de uma São Paulo olímpica, adotaram uma bela e oportuna estratégia de inserção pulverizada dos diversos equipamentos esportivos pelas áreas urbanas paulistanas que podem se alavancar similarmente aos casos acima descritos (diversas áreas de intervenção ocorriam, não à toa, em territórios das operações urbanas).
Sob o prisma do desenvolvimento urbano sustentado, voltar a crescer para dentro da metrópole e não mais expandi-la é outro aspecto altamente relevante nestes casos: reciclar o território é mais inteligente do que substituí-lo. Reestruturá-lo produtivamente é possível e desejável no planejamento estratégico metropolitano. Ou seja: regenerar produtivamente territórios metropolitanos existentes deve ser face da mesma moeda dos novos processos de inovação econômica e tecnológica.
Grandes eventos esportivos, culturais e turísticos têm se convertido em oportunidades estratégicas na reconfiguração dos territórios degradados das megacidades a partir de modelos de desenvolvimento mais compactos. Sustentabilidade urbana adquirida. Sustentabilidade esportiva promovida.
O desafio é planejar estrategicamente as cidades para captar as oportunidades. Coisa que as seguidas administrações públicas no Brasil não tem tido competência de realizar até o momento, infelizmente.

* Carlos Leite - Carlos Leite é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e de cursos de MBA (FIA/USP, Fundação Dom Cabral), e consultor em Desenvolvimento Sustentável. Arquiteto e urbanista, com pós-doutorado pela CalPoly University.

Cartão-postal "verde"

Cartão-postal "verde"
Para economista, EcoArenas podem ajudar a promover a imagem do Brasil
por Karlo Dias / Vinícius Costa - Salvador postado em 11/09/2009 em Copa2014.org.br
Estádio de Hannover (Alemanha): solução criativa para reúso de água

Para o economista Ian McKee, credenciado pelo LEED - Leadership in Energy and Environmental Design (ou Liderança em Design de Energia e Meio-Ambiente), por meio do U.S Green Building Council (Conselho de Construções Sustentáveis), nos EUA, o conceito de EcoArenas pode ser um novo cartão-postal do país em 2014.

Para isso acontecer, além de construir "EcoArenas" deve-se agregar serviços diversos ao redor dos estádios. “Shopping e casas de show são exemplos que podem ajudar na sustentabilidade”, afirma.
Na questão ambiental, McKee dá idéias que podem mudar a realidade brasileira e, assim, criar complexos esportivos ambientalmente sustentáveis. “O país já dispõe de energia limpa e renovável, mas se forem usadas coberturas preferencialmente brancas, que reduzem o calor e ampliam a luminosidade teremos um ganho adicional”, explica.

Em outra apresentação, o engenheiro Anderson Benite, do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), mostrou que a Copa no Brasil será uma oportunidade de impulsionar a consciência ambiental no país. “Temos produtos e tecnologia para fazer uma Copa diferente”, disse Benite, que apresentou os principais critérios e normas para obter a certificação LEED.

"O sistema estabelece critérios para medir o desempenho e a sustentabilidade dos projetos. As normas vão do design à construção e operação dos equipamentos. Através delas serão observadas as características do terreno, dos materiais, da água e da energia utilizada na construção, e, por fim, do conforto dos torcedores que vão utilizar os equipamentos”, enumera.
Ao apontar os benefícios da certificação LEED, o engenheiro Anderson Benite enfatizou a responsabilidade socioambiental, redução dos custos operacionais das obras e a equivalência de desempenho dos empreendimentos. “Somado a isso, ainda podemos destacar a geração de mídia espontânea, que surge naturalmente com estes projetos”, afirma.

A organização da Copa recomendou a adoção do selo LEED nos estádios
Desigualdade social

Elitizar o futebol a partir das grandes construções que estão por vir é a uma das preocupações do presidente do Sinaenco-BA (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia), Claudemiro Santos Júnior. Ele explica que o país é pobre e a questão da sustentabilidade deve ser ainda mais discutida.
Para Santos, “a área ao redor do estádio pode ser a saída para auxiliar o fator econômico sustentável”. No entanto, ressalta que ainda não se pode prever tal investimento, pois existe a barreira governamental. “Todos os governos estão atrasados. Eles deveriam se integrar para agilizar a discussão sobre as arenas”, fala.
O arquiteto alemão Class Schulitz, um dos responsáveis pelo projeto da Fonte Nova, sinalizou a relação estádio-ambiente. “Pode-se utilizar água da chuva nos mictórios,” diz. Ele, que também foi responsável pelo planejamento do estádio de Hannover, na Alemanha, disse que lá, foram aplicadas formas alternativas de irrigação do gramado, exemplo que pode ser adotado também no estádio baiano. O Fórum dos Arquitetos da Copa prossegue nesta sexta-feira com um debate sobre a viabilidade econômica das arenas e visita ao estádio Roberto Santos, no bairro de Pituaçu, em Salvador.

Construção Sustentável: um poderoso aliado da saúde ambiental do planeta

Construção Sustentável: um poderoso aliado da saúde ambiental do planeta
por Luis Cesar Stano

As construções oferecem um enorme campo para a economia de energia, e talvez as oportunidades mais amplamente reconhecidas de aumento da eficiência energética estejam nos lares e nos locais de trabalho. (Relatório Brundtland, 1987).

Todas as pesquisas, estudos e avaliações quanto à saúde ambiental de nosso planeta chegam inexoravelmente à conclusão, hoje já encarada como indiscutível, de que o grau de deterioração dos ecossistemas da Terra, em grande parte provocado por ações antrópicas, está atingindo níveis que podem colocar em risco a sobrevivência de muitas das espécies vegetais e animais que aqui habitam. Incluindo nós, os seres humanos.

Em um contexto como esse, nenhuma atividade econômica pode prescindir de uma avaliação criteriosa de seus potenciais impactos quanto ao consumo de recursos naturais ou à liberação de poluentes para o meio ambiente, levando em conta todas as etapas de seu ciclo de vida.
Essa preocupação com a eficiência ambiental, ou ecoeficiência, começa a estender-se, cada vez com maior celeridade, a um dos setores mais tradicionais da atividade humana: a construção civil.

Alguns dados relacionados à construção civil permitem consolidar um quadro nítido da grandeza dos impactos negativos que a atividade pode impor ao meio ambiente:

:: Mais da metade dos recursos naturais extraídos na América Latina são consumidos na construção civil;

:: Os resíduos das construções e demolições no Brasil totalizam cerca de 80 milhões de toneladas por ano;

:: A operação de edifícios no Brasil é responsável por 18% do consumo total de energia no país e por 50% do consumo de energia elétrica;

:: Os edifícios são responsáveis por 25% das emissões globais de gases de efeito estufa.

A magnitude desses impactos abre, por outro lado, imensas oportunidades de melhoria, uma vez que as principais tecnologias necessárias à melhoria do desempenho ambiental das edificações já se encontram disponíveis hoje em dia, abrangendo todas as etapas do ciclo de vida dos edifícios, desde a concepção e projeto, passando pelos processos de construção e de uso das edificações e chegando até a etapa de demolição.

A fase de ocupação do edifício é merecedora de especial atenção, pois nessa etapa, até mesmo em função de sua longa duração, concentram-se as maiores parcelas de impacto ambiental e de custos. A concepção adequada do edifício, o uso de materiais isolantes mais eficazes e de técnicas de circulação de ar podem permitir, por exemplo, redução significativa dos impactos ambientais associados à energia necessária para aquecimento/refrigeração; projetos arquitetônicos que viabilizem o melhor aproveitamento da iluminação natural, conjugados ao uso das lâmpadas mais eficientes hoje disponíveis e de sensores de movimento, conduzem à sensível redução na demanda de energia para iluminação; o reaproveitamento das águas servidas ou da chuva pode minimizar a necessidade de captação de água das redes municipais de abastecimento.

Os governos também têm um papel fundamental a desempenhar no engajamento de todos os agentes sociais rumo à maior sustentabilidade da construção civil, por meio de ações como:

:: Educação e conscientização dos moradores e ocupantes de prédios residenciais e comerciais no sentido de orientar suas escolhas e comportamentos na direção de produtos, serviços e atitudes mais ecoeficientes;

:: Incentivo à melhoria da eficiência energética de prédios novos e já existentes e à introdução de inovações no projeto e operação de edifícios;

:: Estabelecimento de códigos, padrões, mecanismos de avaliação e sistemas de rotulagem ambiental para prédios, eletrodomésticos e sistemas de iluminação, considerando inclusive seus ciclos de vida;

:: Incentivo à renovação de prédios residenciais e comerciais, com a adoção de tecnologia ambientalmente mais amigáveis.

No mundo todo podem ser encontrados exemplos de ações governamentais voltadas para a melhoria do desempenho ambiental da construção.

No Brasil, o Procel – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica criou em 2003 o programa Procel Edifica, que visa a promover condições para o uso eficiente da eletricidade nas edificações, reduzindo os desperdícios de energia, de materiais e os impactos sobre o meio ambiente, por meio de projetos nas áreas de capacitação tecnológica e profissional, inserção do tema conforto ambiental e eficiência energética nos cursos de arquitetura e engenharia, bem como pela disseminação dos conceitos e práticas de eficiência energética das edificações e conforto ambiental entre os profissionais de arquitetura e engenharia e aqueles envolvidos em planejamento urbano.O Procel Edifica estima que seria possível obter uma melhoria de 30% na eficiência energética de prédios já existentes por meio de reformas e modernizações e de 50% com a introdução de tecnologias mais ecoeficientes no projeto, construção e operação de novos edifícios.

Também a União Européia, com a Diretiva 2002/91/EC, manifestou seu compromisso com a melhoria do desempenho energético das edificações, estabelecendo requisitos tais como:

:: Aplicação de estrutura e metodologia para o cálculo do desempenho energético integrado de edificações;

:: Requisitos mínimos para o desempenho energético de novas construções e de grandes edificações já existentes submetidas a reformas e renovações de maior porte;:: Certificação energética de edificações.

A certificação por terceira parte de edificações começa de fato a ganhar corpo em todo o mundo, com iniciativas como a Leadership in Energy and Environmental Design – LEED, promovida pelo United States Green Building Council, que concede certificados a prédios que atingem uma determinada pontuação em requisitos distribuídos ao longo de sete categorias: localização sustentável, eficiência no uso da água, energia e atmosfera, materiais e recursos, qualidade ambiental interna, projeto inovador e prioridades regionais.

Os requisitos abordam aspectos tais como escolha do local da construção (proteção de áreas verdes, habitats e recursos naturais; reabilitação de áreas degradadas; possibilidade de deslocamento a pé e uso de transporte público como alternativa ao transporte individual; maximização de áreas não construídas; espaço prioritário para o estacionamento de bicicletas e veículos não poluentes; redução das áreas de solo cobertas e maximização da infiltração da água; redução do uso de água potável e utilização de tecnologias inovadoras para o tratamento das águas servidas; estabelecimento de padrões mínimos de desempenho energético; utilização de fontes renováveis de energia; uso da iluminação natural; implantação de sistemas individuais de medição do consumo de energia; facilidades para coleta e armazenamento de materiais recicláveis; minimização da poluição provocada pela atividade de construção; gestão ambientalmente adequada dos resíduos da construção; utilização de materiais reaproveitados ou reciclados, de materiais disponíveis na região e de madeira certificada; garantia da qualidade ambiental interior das edificações; atendimento a prioridades ambientais específicas de cada região.

O prédio atualmente ocupado pela Universidade Petrobras no Rio de Janeiro, com 52 mil m2 de área construída, foi o primeiro edifício a receber no Brasil a certificação LEED na modalidade Core & Shell. O edifício utiliza revestimento externo que minimiza a necessidade de uso de sistemas de condicionamento do ar interior, promove o aproveitamento controlado da iluminação natural, a coleta da água da chuva e o reuso da água servida em pias e lavatórios, reduzindo em 40% a necessidade de captação de água da rede pública.

Estima-se que um edifício dotado dessas facilidades custe entre 7% e 10% mais caro que uma construção comum. O investimento adicional, porém, é amortizado em prazo curto pela redução dos dispêndios operacionais da edificação, sem contar os inegáveis benefícios para o meio ambiente.

Se o consumo de energia nas edificações continuar a crescer às taxas atuais, elas estarão consumindo em 2050 quase tanta energia quanto a indústria, a manufatura e a mobilidade juntas. (WBCSD, Energy Efficiency in Buildings, 2006).

*Luis Cesar Stano é Gerente de Desempenho em SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde) da Petrobras.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Procel Edifica incorpora avanços das últimas três décadas

por Fernanda Dalla Costa — Publicado em 21/07/2009 em Revista Sustentabilidade

Os 35 anos que separam o lançamento das etiquetas de eficiência energética nos EUA e na Europa da brasileira, permitiu que a etiqueta nacional incorporasse experiências, novas tecnologias e metodologias, tornando-a potencialmente mais eficaz e alinhada às necessidades de um imóvel moderno, concluiu Marcelo Roméro, arquiteto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, durante o Fórum Ecotech.

A etiqueta de eficiência energética brasileira, Procel Edifica, foi lançada no início de julho e ainda é voluntária. Nos EUA e na França, a etiquetagem de edifícios já é uma obrigação legal dos empreendimentos, ele disse durante apresentação no fórum que ocorreu em São Paulo.

"Apesar de atrasada, a nossa regulamentação é melhor que a deles, pois temos a experiência de 35 anos de trabalho incorporada na nossa regulamentação", comentou o professor.
Assim, o sistema brasileiro já inclui a questão da água, o modelamento matemático, as ferramentas de simulação, a norma ASHRAE 90.1 de 2004, comentou.

Arq. Marcelo Roméro, Eng. Manuel Martins e Arq. Antonio Macêdo Filho, durante o Fórum EcoTech
Nas últimas três décadas não houve só convergência dos meios de comunicação, como também dos produtos eletroeletrônicos e conceitos de conservação.

Para o professor, a iniciativa da classificação brasileira, que ainda tem um caráter voluntário, se tornará obrigatória para novas construções daqui a três ou quatro anos. Ele acredita, no entanto, que a crescente conscientização dos compradores de imóveis irá forçar a adoção da etiqueta pela maioria da construtoras.

O sistema, apresentado oficialmente pelo Procel Edifica no começo de julho, pretende regulamentar a eficientização energética dos edifícios não residenciais, oferecendo a etiqueta A para os empreendimentos com maior grau de eficiência e a etiqueta G para os com menor eficiência.

Investimento em tecnologias verdes em um imóvel pode ser recuperado em até 4 anos

Investimento em tecnologias verdes em um imóvel pode ser recuperado em até 4 anos
por Fernanda Dalla Costa — Publicado em 21/07/2009 em Revista Sustentabildade

O custo adicional de construção de edifícios com tecnologias de baixo impacto ambiental e eficiência energética, estimados entre 3% a 7% do valor de uma obra convencional, pode ser recuperado em três a quatro anos por meio de economia nas contas de luz, de água e condomínio, disse o Nelson Faversani Jr, gerente de obras da incorporadora Tishman Speyer Properties, no Fórum Ecotech.

"O investimento tem que se pagar por economia ou pela sua estratégia nos negócios", disse.
Segundo Faversani, estudos comparativos feitos pela própria empresa, a aplicação de tecnologias de preservação água reduz o custo de manutenção mensal de R$ 4,00/m2 para R$ 2,50/m2 e enquanto projetos de eficiência energética reduzem de R$ 6,40/m2 para R$ 3,50/m2 a conta de energia elétrica. Juntas, essas economias representam R$ 4,40/m2 ao mês a menos
que o usuário desembolsará.
O engenheiro calculou que o custo convencional de construção por metro quadrado de um edifício comercial de altíssimo padrão está cerca de R$ 3.700, incluindo o preço do terreno em São Paulo. Mas a inclusão de tecnologias que preservem o meio ambinete aumentam este custo uns 5% do valor da obra em média, ou seja, R$ 185,00/m2. Portanto a economia de R$ 4,40 por metor quadrado por mês pode ser recuperada em 42 meses, concluiu.

Estes cálculos, no entanto precisam estar evidentes para o comprador para diferenciar um projeto mais completo de outros que, segundo Faversani, que querem apenas fazer uma ação mercadológica.

Arq. Antonio Macêdo, Arq. Roberto Loeb e Eng. Nelson Faverani, durante os debates, no Forum EcoTech.
"Investir em publicidade de sustentabilidade é muito importante e as iniciativas que são só marketing confundem o cliente", disse.
Diante disso, ele enfatizou a importância da clareza e da transparência com relação aos dados de sustentabilidade na hora da negociação.

Assim, diversos aspectos devem ser apresentados, como a questão da durabilidade dos materiais, o fato de estar na vanguarda da nova revolução na construção, o fato de retardar a obsolescência dos edifícios, além da economia financeira e de recursos naturais na operação do edifício.

O melhor jeito, acrescentou o engenheiro, é argumentar em termos de economia total na manutenção do prédio, que é responśavel por cerca de 80% to custo no ciclo de vida de 50 anos de um imóvel. Os estudos comparativos entre edifícios convencionais e edifícios com as tecnologias novas mostraram que as economias em um prédio sustentável podem chegar a 30% na taxa de condomínio, 40% na conta de energia elétrica, 50% na conta de água e 30% na manutenção.

Para Faversani, o Brasil possui todas as técnicas necessárias para que essas reduções sejam efetivas nas construções, mas para isso o usuário deve estar sensibilizado e saber aproveitar ao máximo a tecnologia.

Entre as mais empregadas estão automação da iluminação, projeção que conta com elevadores e sistemas de ar condicionados de com sistemas de economia de energia, reuso de águas da chuva a cinzas, aproveitamento de água de condensação nas torres de resfriamento, metais e lavatórios com baixo aproveitamento de água, descargas com duplo disparo, sistemas de coleta seletiva e reciclagem além de um projeto que aproveite ao máximo as características físicas naturais do terreno.

"Os critérios de sustentabilidade dão o potencial ao edifício, mas não garantem que ele será sustentável ao longo de toda a sua vida útil, porque depende da educação do usuário", disse.
Assim, conclui que os melhores resultados no segmento são conseguidos quando além de uma qualidade do projeto e dos materiais, o cliente necessita ser conscientizado para aproveitar os recursos e as tecnologias sejam simples e de fácil manutenção.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Visitas Técnicas Green Buildings em Nova York

Green Buildings em Nova York - Segunda edição

Em junho passado tive a satisfação de acompanhar a segunda edição da Missão Técnica Green Buildings em Nova York, na qual pudemos realizar algumas visitas bastante interessantes.

Acompanhe a seguir trechos de algumas delas, capturados em filmagens feitas com câmeras fotográficas amadoras, por mim mesmo ou outros colegas participantes da missão.









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Apresentação do The Solaire, primeiro edifício residencial certificado LEED dos EUA.


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Apresentação de animação do projeto do Bank of America Tower, pré-registrado LEED platina, por colega argentino, membro da equipe de arquitetos do escritório responsável pelo projeto.


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Visita ao 7 WTC, certificado LEED gold, primeira das novas torres do conjunto do World Trade Center, nos escritórios da incorporadora responsável pelo complexo, cujas obras pudemos ver em andamento.

Estas são apenas algumas das muitas visitas que fizemos em uma semana de agenda intensa em Nova York.
São todas sempre muito interessantes e enriquecedoras. Em 2010 retornaremos para mais.

Fiquem atentos em: www.arqtours.com.br

domingo, 19 de julho de 2009

Fórum EcoTech: Primeira Etapa - São Paulo

Caros,

Após alguns meses de preparativos diversos, realizamos com sucesso, na semana passada em São Paulo, a primeira etapa do Fórum EcoTech, maior evento sobre sustentabilidade na construção já realizado no Brasil, que ocorrerá também em outras importantes capitais do país.

Recebemos na sala do Teatro do Novotel Jaraguá, no centro da cidade, profissionais de todas as partes do Brasil e alguns do exterior, para participarem do evento. Durante o dia tivemos uma boa panorâmica do estágio em que estamos em relação à sustentabilidade na construção, inclusive em relação ao contexto mundial.

Na abertura, após as saudações iniciais, feitas por mim e por Fernando Mungioli, da Arco Editorial, eu fiz uma breve panorâmica do cenário em que nos encontramos em relação ao uso da energia e suas consequências no meio ambiente global e o impacto das construções, fazendo questão de ressaltar que há de fato respostas para as muitos dos aspectos mais relevantes e problemáticos. Há propostas bem sucedidas. Vimos muitas delas durante o Fórum EcoTech.

Em seguida tivemos a contribuição de Nelson Kawakami do Green Building Council Brasil, que apresentou uma análise sobre a evolução das edificações certificadas LEED no país, que tem se destacado também nesta área, internacionalmente, com expressivo crescimento no número de edificações que estão buscando a certificação no país.

O prof. Marcelo Roméro, da FAU-USP, destacou a importancia da eficiência energética dos edifícios e apresentou proposta de projeto para um centro de pesquisa a ser construído na USP que será autosuficiente em energia, primeiro caso brasileiro, em se tratando de edifícios conectados à rede pública.
O prof. Manuel Martins , da Fundação Vanzolini, apresentou o processo de certificação de edificações AQUA, os conceitos sobre quais foi desenvolvida no Brasil a partir do modelo francês HQE, bem como os métodos a serem adotados para se obtê-la.



O Eng. Nelson Faversani apresentou o conceito de sustentabilidade adotado pela Tishmann Speyer em seus empreendimentos, muitos deles certificados. Nos debates, o engenheiro teve oportunidade de ressaltar a importância do trabalho do arquiteto de projetos, uma vez que as mais viáveis e bem sucedidas soluções para a tornar uma edificação mais sustentável devem ser pensadas nesta fase, não após a concepção básica da arquitetura.

O Arq. Roberto Loeb apresentou alguns dos seus projetos mais destacados, especialmente no que se refere aos cuidados com a implatação, orientação e proteção em relação à radiação solar, deixando claro que a boa arquitetura, com o que concordo e reafirmo, é por essência sustentável, independentemente de selos ou certificações. Estes apenas vieram para ratificar esta condição e ajudar a viabilizar negócios.
O Arq. Bruno Oliveira, da Brasoftware, representante Autodesk, apresentou as vantagens que o processo de projetos BIM - Building Information Modeling pode trazer para a sustentabilidade na medida em que permite um nível de integração entre os diversos projetos nunca antes possível. Apresentou ainda interessante video no qual se pode perceber até onde o processo pode evoluir, com impressionante interoperabilidade.
Em seguida tivemos a contribuição do Arq. inglês Russell Gilchrist, do Skidmore Owings & Merrill, dos Estados Unidos, com passagens pelos escritórios ingleses Norman Forster e Richard Rogers, que veio a São Paulo em lugar do seu colega Eng. Roger Frechette, que não pode comparecer por ter sido mantido em quarentena, na China, com sintomas da nova gripe.
Russell Gilchrist resumiu o compromisso do escritório americano com a sustentabilidade em seus projetos por todo o mundo, ilustrando sua apresentação com o impressionante caso da Pearl River Tower, em construção em Guangzhou, China, edifício que reune diversas estratégias úteis para que se alcancem os mais elevados níveis de eficiência e sustentabilidade.
Nos debates, todos foram unânimes em afirmar a necessidade de se investir mais em projetos e em planejamento, nos quais modelos físicos e digitais, bem como simulações e reuniões de coordenação e integração sejam frequentes, de forma a que se possa atingir melhores resultados em busca da Arquitetura e Construção Sustentável.

Ficou também claro que oportunidades como a próprio Fórum EcoTech, são também importantes para dar mais visibilidade aos assuntos relacionados à sustentabilidade da construção.

Nas próximas etapas do Fórum EcoTech 2009, que tem organização da A+C Desenvolvimento Profissional, com minha coordenação técnica, e apoio da Arco Editorial, teremos outras contribuições de destacados profissionais, inclusive convidados internacionais, de elevada capacitação e reconhecimento para dar continuidade à discussão da construção sustentável no Brasil.














quinta-feira, 25 de junho de 2009

Hospital Sarah Fortaleza por João Filgueiras Lima (Lelé).

Pesquisador estuda hospital Sarah Fortaleza
Texto resumido a partir de reportagem publicada originalmente em FINESTRA Edição 50


Motivado pela vontade de melhor compreender as variáveis de conforto ambiental e sua integração com o projeto arquitetônico, o arquiteto e urbanista Jorge Isaac Perén focou seu mestrado no projeto do hospital Sarah Kubitschek de Fortaleza, concebido pelo arquiteto João Filgueiras Lima (Lelé). Para Isaac Perén, as obras de Lelé evidenciam as melhores soluções bioclimáticas para favorecer a ventilação e a iluminação naturais.

“A preocupação constante com o conforto ambiental e a economia de energia são características de suas obras: escolas, centros de vivência, elementos para infra-urbana, mobiliário urbano e hospitais. Apesar de Lelé ter um conjunto de obras voltadas para a arquitetura bioclimática, Perén optou por projetos de hospitais pela sua complexidade. “O arquiteto que consegue soluções bioclimáticas em hospitais conseguirá em qualquer outra edificação”, afirma. As soluções arquitetônicas para esse tipo de projeto estão subordinadas às características climáticas do local. “Por isso, a orientação, forma do edifício e as características de seus componentes - geometria e orientação de janelas, aberturas, cobertura e paredes - respondem à direção dos ventos e à posição do sol”, observa Perén.


Esquema do sistemas de ventilação natural


O hospital da rede Sarah em Fortaleza foi construído sobre um terreno cuja topografia, natureza do solo e nível do lençol freático favoreceram a execução da obra. Uma grande área arborizada, abundante em espécies locais, ocupa mais de 1/3 do terreno. Um bloco vertical abriga apartamentos e enfermarias. “Embora a disposição horizontal seja a ideal para projetos de hospitais, pois possibilita o acesso direto dos pacientes aos jardins adjacentes às áreas de tratamento e internação, no Sarah Fortaleza o arquiteto optou por verticalizar parte do programa para preservar a grande área arborizada do terreno”, afirma Perén.

Ventilação

Para o pesquisador, a setorização do hospital Sarah Kubitschek Fortaleza ilustra bem esses aspectos. O programa foi organizado de maneira a aproveitar os ventos provenientes do sudeste. Da mesma forma, as galerias de ventilação, no subsolo, foram orientadas para captar os ventos dominantes. E os sheds funcionam como sucção do ar quente. O bloco vertical (enfermarias e internação) foi localizado na parte posterior do terreno para não barrar as correntes de ar e permitir, assim, a ventilação natural dos ambientes flexíveis.

Os ambientes com ar-condicionado estão localizados na parte posterior ou na lateral do edifício, dando assim uma localização mais privilegiada para os ambientes ventilados naturalmente. Para atender aos princípios da ventilação natural foram desenvolvidos dois sistemas, que podem operar simultaneamente: o de convecção e o de ventilação cruzada. No modo por convecção, o ar frio é injetado através das galerias de ventilação do subsolo e extraído pelos sheds, com as aberturas a favor dos ventos dominantes, dando o efeito de sucção.


O programa foi organizado de maneira a aproveitar os ventos provenientes do sudeste

Merece atenção especial, devido ao funcionamento das galerias de ventilação. Já o sistema de ventilação cruzada ocorre através de dois sheds, com aberturas voltadas em sentido oposto. A eficiência desse sistema poderá ser eventualmente aumentada com o emprego de equipamento mecânico de exaustão ou insuflamento, localizado na abertura do shed.

Outro dado da pesquisa de Perén é que, no hospital de Fortaleza, a grande cobertura em arco está formada por vigas de metal apoiadas nos pilares periféricos da área de fisioterapia. Lâminas de metal, apoiadas às vigas, permitem a ventilação dos ambientes e funcionam como brises, protegendo o jardim interno da radiação direta do sol e da chuva. A cobertura em arco foi concebida com brisesmóveis, que deveriam mudar sua inclinação conforme a passagem do sol.

Mas essa idéia não foi executada e a inclinação dos brises é fixa.


O programa foi organizado de maneira a aproveitar os ventos provenientes do sudeste

Projetos

Perén observa que o arquiteto é quem orienta e deve saber que, hoje, os itens bioclimáticos são uma exigência de projeto. Porém devem estar contidos no raciocínio projetual. “Precisamos evoluir e integrar mais a prática à pesquisa. E alimentar, assim, a indústria, na procura de componentes de melhor qualidade”, conclui Perén, que cita o custo como uma limitante nos projetos.


Fachada sudoeste

Ao final de sua pesquisa, o arquiteto concluiu que a forma é fundamental para garantir eficientes ventilação e iluminação naturais. “A forma do edifício não pode ser gratuita e atender unicamente a valores estéticos. Quando se chega a uma forma, cujo objetivo é favorecer a passagem do vento e a entrada da luz natural, talvez seja um pouco mais difícil, mas é mais inteligente. O programa hospitalar pode ser agrupado em: ambientes flexíveis (passíveis de serem ventilados naturalmente) e ambientes especiais (com ventilação artificial). Dependendo das características climáticas do local, a setorização do programa pode ser realizada a partir desses aspectos, localizando os ambientes flexíveis em função dos ventos dominantes”, finaliza Perén.


Fachada sudeste

Inaugurado em setembro de 2001, o hospital da rede Sarah em Fortaleza tem capacidade instalada de 61 leitos. Isaac Perén formou-se em 2002, pelo Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Primeiro estádio verde para a Copa.

Com estádio verde, Osasco quer ser subsede da Copa de 2014
Texto resumido a partir de reportagem de Adilson Melendez, publicada originalmente em PROJETO DESIGN Edição 350.

O primeiro estádio verde do país, criado pelo arquiteto Carlos de La Corte, pode receber 20 mil pessoas e incorpora uma arena multiuso.
Das candidatas a receber jogos da Copa do Mundo de 2014, São Paulo é tida como barbada - a divulgação da decisão sobre as sedes escolhidas estava marcada para meados de março. Em consequência, outros municípios paulistas vêm montando estratégias com a intenção de se tornar subsedes, servindo de base para o treinamento das seleções que vão disputar a primeira fase da competição na capital.

Cidade da região metropolitana de São Paulo, Osasco quer deixar de ser simples alternativa no segundo tempo dessa definição. Em janeiro, autoridades do município apresentaram um argumento para garantir a vaga de subsede: o desenho de um complexo esportivo que pretendem implantar em Vila Yolanda, em terreno ocupado pelo atual Estádio Municipal Elzo Piteri.

A proposta foi desenvolvida pelo arquiteto Carlos de La Corte, da empresa Arena Consultoria Projeto e Viabilidade, em colaboração com o escritório GCP Arquitetos. Fazem parte do complexo um estádio para 20 mil pessoas, uma arena de múltiplo uso para 7 mil espectadores e um centro comunitário. “Procuramos abordar o projeto com o conceito de parque urbano, sem enclausuramentos”, detalha o autor.

Para reforçar o caráter urbano da intervenção, uma praça integra o estádio e a arena. A implantação prevê aproveitar a topografia do lote, evitando grandes movimentos de terra. As arquibancadas laterais do estádio são cobertas e apenas atrás de um dos gols foram dispostos assentos. A imagem foge à da arena convencional totalmente envolta pela plateia, por dispor de espaços mais arejados e arquitetura mais fluida.

Não é a primeira vez que Osasco abraça a causa esportiva e lança mão da ideia de construir um estádio. Uma dessas tentativas foi registrada na edição 147 de PROJETO DESIGN, em novembro de 1991. Desenvolvido pelo escritório Ícaro de Castro Mello Arquitetos Associados (atual Castro Mello Arquitetos), o estádio teria capacidade para 44 mil pessoas. A Método, informava a nota, assinara contrato de 20 milhões de dólares para implantá-lo no prazo de 18 meses.

Apesar da capacidade menor, a nova proposta de estádio envereda pela adoção de técnicas modernas, como o teto verde, a utilização da água da chuva para irrigação do gramado e alimentação dos sanitários e os painéis fotovoltaicos para geração de energia, entre outras. Será, segundo as autoridades e o autor do projeto, o primeiro estádio verde brasileiro.

Outra promessa “sustentável” é aproveitar o material de demolição das construções existentes. Mas aqui o uso será parcimonioso: o atual estádio de Vila Yolanda não vai além de um campo varzeano, que não conta sequer com arquibancadas fixas.
O antigo projeto para o estádio de Vila Yolanda, desenhado pelo escritório Ícaro de Castro Mello, previa capacidade para 44 mil pessoas

terça-feira, 23 de junho de 2009

Governo incentiva uso de energia alternativa

Caros,

Acredito que, entre os colegas, a maioria já deve conhecer o suficiente a respeito, mas acho que permanece oportuno o comentário que acrescento a seguir.

O uso de coletores solares é simples, relativamente barato e, para uso residencial unifamiliar, de elevada eficácia no fornecimento de água quente para consumo doméstico. Mas o melhor mesmo é que para isto, utiliza apenas uma fonte de energia limpa, renovável, gratuita e praticamente infinita, o sol.

No Brasil, apesar de ser um dos países que mais recebem radiação solar no mundo, o sistema mais utilizado para aquecimento de água é ainda o chuveiro elétrico, equipamento que transforma energia elétrica, forma nobre de energia (que precisa ser produzida, transformada e transmitida), em calor, forma pobre de energia, resultante não aproveitável de qualquer processo de transformação de energia, que equivale, em muitos casos, a perda de rendimento, ou baixa eficiência no processo.

Um chuveiro elétrico pode custar menos de R$ 20,00, mas pode ter potências de 8.000 W, frequentemente o equipamento mais potente de uma residência, que, para a classe média brasileira, pode facilmente ter 3 banheiros, cada um com um chuveiro elétrico.

Consideremos agora o seguinte: Todo o sistema elétrico brasileiro, das usinas às tomadas elétricas, está dimensionado para atender à demanda de pico, que é representada por um verdadeiro "pão de açucar" no gráfico da curva de carga de um dia típico padrão nacional, por um período de aproximadamente 3 horas, entre 17:30 h. e 20:30 h., todos os dias. Boa parte desta demanda é devida ao uso do chuveiro elétrico em todo o país. Em cidades médias ou grandes isto pode representar 20% de tudo o que se consome na ponta, que é, não por acaso, quando a energia é mais cara para o consumidor.

Gráfico: Curva de carga típica nacional - fonte: Procel - Eletrobrás

Ou seja, o uso de coletores solares para aquecimento de água para uso doméstico, além de trazer benefícios econômicos diretos para o próprio usuário e consumidor, traz ainda importantes benefícios para o país como um todo, uma vez que colabora para diminuir a demanda futura de energia, quando ela é mais necessária, na ponta.

Toda esta introdução se justifica por que parece que o assunto finalmente chegou às esferas superiores do poder executivo do nosso país. O programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, ambicioso projeto para habitação social, está prevendo o uso de coletores solares para aquecimento de água para estas residências populares. O governo está preocupado com o conforto do banho do brasileiro de baixa renda? Acho que não é caso. O governo está preocupado com a demanda energética nacional, por que sabe que se não fizer isto, o usuário fatalmente porá chuveiros elétricos e o problema apenas crescerá. Não há mesmo outra opção.

Mas tem que fazer bem feito, dimensionar adequadamente, especificar adequadamente, considerando-se as características regionais de insolação, os hábitos de consumo, etc. Sei que há no Ministério de Minas e Energia técnicos bem capacitados a fazê-lo. Espero que sejam bem sucedidos no processo.

Acrescento a seguir matéria a respeito do assunto, que reproduzo com autorização dos colegas da revista Sistemas Prediais.

Boa leitura.

Arq. Antonio Macêdo Filho.

Governo incentiva uso de energia alternativa
Por Alberto Nascimento, na revista Sistemas Prediais, editora Novatécnica.

Um sinal de que o uso da energia solar está cada vez mais em evidência é o Programa Minha Casa, Minha Vida, lançado no final de março pelo Governo Federal, que tem a meta de construir um milhão de casas para famílias brasileiras de baixa renda. O projeto prevê o uso da energia solar térmica em substituição aos chuveiros elétricos. Além disso, está prevista a aplicação de outras soluções sustentáveis como o reaproveitamento de água, sistemas de coleta e tratamento de esgoto e uso de madeira de origem certificada.



As tecnologias e materiais ambientalmente sustentáveis vão variar dependendo da região do país. Em algumas localidades, por exemplo, poderão ser instalados sistemas de coleta e reaproveitamento de água de chuva. Já as placas solares devem ser utilizadas em todas as cidades.

Com base em estudos técnicos e experiências piloto realizadas no Rio de Janeiro - onde já se utiliza placas solares em casas populares - o aproveitamento da energia solar, mesmo que apenas para substituir os chuveiros elétricos nas habitações do programa, pode poupar 520 megawatts /ano e evitar a emissão de 830 mil toneladas de gases poluentes. O custo estimado para a instalação dos equipamentos é de R$ 1,9 mil por habitação, o que corresponde a cerca de 3% do valor da obra.
"Isso não é custo, é investimento que vai virar economia. Será sentida no bolso dessas famílias, que vão pagar menos de conta de luz, e pelo ambiente, que será menos poluído", disse o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, que participou da solenidade de lançamento do Programa ao lado de outros onze ministros, treze governadores e dezenas de parlamentares, além de representantes de movimentos sociais e entidades empresariais.
O Programa também prevê mais rapidez e simplificação dos procedimentos para os licenciamentos ambientais dos projetos de casas populares. Resolução nesse sentido será apreciada na próxima reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que será realizada até o final de abril.

A proposta em pauta prevê procedimento uniforme e simplificado para o licenciamento de empreendimentos até 100 habitações; licença única para todo o empreendimento; um critério único para todos os estados; e um prazo máximo de 60 dias para a expedição da licença ambiental. As condições para o licenciamento serão: preservação de áreas de proteção permanente; o empreendimento não pode estar localizado em área de risco e terá que ter infra-estrutura de esgoto, entre outros.
Casas padronizadas

O programa prevê imóveis padronizados. As casas térreas possuirão 35m², e os apartamentos, 42 m².

Especificação da tipologia 1 (casa térrea com 35 m2)
- Compartimentos: sala, cozinha, banheiro, 2 dormitórios, área externa com tanque.
- Área da unidade: 35 m².
- Área interna: 32 m².
- Piso: cerâmico na cozinha e banheiro, cimentado no restante.
- Revestimento de alvenarias: azulejo 1,50m nas paredes hidráulicas e box. Reboco interno e externo com pintura PVA no restante.
- Forro: laje de concreto ou forro de madeira ou pvc.
- Cobertura: telha cerâmica.
- Esquadrias: janelas de ferro ou alumínio e portas de madeira.
- Dimensões dos compartimentos: compatível com mobiliário mínimo.
- Pé-direito: 2,20m na cozinha e banheiro, 2,50m no restante.
- Instalações hidráulicas: número de pontos definido, medição independente.
- Instalações elétricas: número de pontos definido, especificação mínima de materiais.
- Aquecimento solar/térmico: instalação de kit completo.
- Passeio: 0,50m no perímetro da construção.

Especificação da tipologia 2 (apartamento com 42 m²)

• Compartimentos: sala, cozinha, área de serviço, banheiro, 2 dormitórios.
• Prédio: 4 pavimentos, 16 apartamentos por bloco – opção: até 5 pavimentos e
20 apartamentos.
• Área da unidade: 42m².
• Área interna: 37 m².
• Piso: cerâmico na cozinha e banheiro, cimentado no restante.
• Revestimento de alvenarias: azulejo 1,50m nas paredes hidráulicas e box. Reboco
interno e externo com pintura PVA no restante.
• Forro: laje de concreto.
• Cobertura: telha fibrocimento.
• Esquadrias: janelas de ferro ou alumínio e portas de madeira.
• Dimensões dos compartimentos: compatível com mobiliário mínimo.
• Pé-direito: 2,20m na cozinha e banheiro, 2,40m no restante.
• Instalações hidráulicas: número de pontos definido, medição independente.
• Instalações elétricas: número de pontos definido, especificação mínima de materiais.
• Aquecimento solar/térmico: instalação de kit completo.
• Passeio: 0,50m no perímetro da construção.


Acrescento este vídeo, que ilustra a reportagem acima da revista Sistema Prediais, explicando como é o funcionamento de um aquecedor solar.
O sistema de aquecimento solar já é bastante conhecido no Brasil, porem poderia ser mais utilizado nas edificações.


video



O futuro das lâmpadas incandescentes

Caros,

Aqueles que já estiveram em meus cursos já sabem, mas quero aqui compartilhar a minha visão sobre um assunto relevante e, no momento, oportuno: o futuro das lâmpadas incandescentes comuns.

Quando Thomas Edison inventou a lâmpada incandescente tinha provavelmente noção de que estava fazendo algo importante. Não sabemos, no entanto, se ele esperava com isto mudar o mundo. Mas mudou. Além da lâmpada, ele também criou um novo negócio: o serviço de iluminação pública elétrica, em Nova York, na década de 1860. As cidades e forma como as pessoas viviam nelas, mudaram definitivamente.

Sua mais famosa invenção, no entanto, a lâmpada incandescente, não mudou muito, na verdade, em todos estes anos. É basicamente a mesma. Mudou o material do filamento, a quantidade de ar (e oxigênio) dentro do bulbo, e ponto. Ou seja, ainda usamos hoje a mesma tecnologia criada no século 19.

Nós estamos falando de um equipamento que utiliza apenas 5% da energia que consome para efetivamente produzir aquilo a que se propõe: luz visível. Os restantes 95% são desperdiçados em forma de radiação não visível, basicamente infra-vermelho, ou seja, calor. Se fosse um aquecedor, teríamos uma eficiência de 95%, seria ótimo. Mas estamos falando de lâmpadas, e de uma eficiência de 5%.

A conta fica ainda pior se consideramos que muitas delas são utilizadas em ambientes condicionados artificialmente (em restaurantes, shoppings, lojas), o que quer dizer que todo o calor que estas lâmpadas despejam nos ambientes tem de ser retirado com ar condicionado, gastando-se ainda mais energia e dinheiro. Me parece um contra senso.

No Brasil inteiro as pessoas compram lâmpadas incandescentes achando que estão fazendo um excelente negócio pagando menos de R$ 2,00 por cada uma. Daí as acendem acionando os seus 60 watts e deixando-as acessas a noite inteira do lado de fora de casa, por exemplo. Economizariam muito, elas próprias e o país como um todo, se utilizassem, por exemplo, fluorescentes de 15 watts.

Então, não resta dúvida, temos que banir de uma vez por todas as incandescentes, certo?
Bem, não é tão simples assim. Vamos devagar.
Quem vai bancar esta susbstituição?
E a questão do mercúrio das fluorescentes?
E as indústrias de lâmpadas incandescentes, que têm no Brasil um dos maiores mercados do mundo?
E a reciclagem das lâmpadas, como anda?
Há ainda o fato de que há algumas aplicações nas quais somente as incandescentes dão certo.

Então, o que eu recomendo é o seguinte:
Tente não usar nenhuma incandescente comum. Se encontrar alguma por aí, substitua.
Se se trata de instalações novas, não há por que usá-las. Basta projetar sem elas.
Mas, especialmente em ambientes residenciais, sempre haverá aquela arandela, abajur ou lustre onde só cabem incandescentes comuns, de rosca E27, e colocar fluorescentes não dá, mesmo as de temperatura de cor baixa, ou seja, de luz quente. Aí não tem jeito. temos que ir mesmo para as incandescentes. Pelo menos certifique-se que sejam luminárias de uso eventual, para iluminação secundária, não funcional.

O texto que segue, publicado na revista Lume, da minha amiga Maria Clara, que me autorizou a reprodução aqui, evolui o assunto e traz, quase literalmente, luz (e calor) à discussão.

Boa leitura.

Arq. Antonio Macêdo Filho


Até quando elas vão resistir?
Por Claudia Sá, na revista LUME Arquitetura.

SUSTENTABILIDADE. ESTA É A PALAVRA DE ORDEM.

Depois que o mundo se deu conta que é preciso usar os bens naturais com parcimônia, o mercado que está sempre de olho na oportunidade da vez, virou o seu foco para a ecologia.

Hoje, das pequenas empresas às multinacionais, todas têm o seu “braço” verde.

E isso não é bom? Sim, claro, mas os ambientalistas agora temem que essa enxurrada de ações pró meio ambiente acabe se tornando tão ou mais prejudiciais que os velhos hábitos, pela pressa de ser executada, já que a regra número um na selva dos negócios é chegar primeiro.
No que diz respeito à eficiência energética, o mundo parece ter elegido o seu grande vilão, ou melhor, vilã – a velha lâmpada incandescente. Países como a Austrália e a Irlanda e o Estado norte-americano da Califórnia já saíram na frente e proibiram o uso do produto.

A campanha, que tem ganhado força por toda a Europa, chegou às terras brasileiras. Tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei, de autoria do deputado cearense Arnon Bezerra, que pretende proibir a fabricação, a venda e o uso das lâmpadas incandescentes no País, a partir de 2010.

Polêmica

A proibição do uso dessa tecnologia seria eficiente para resolver a escassez da energia elétrica? As lâmpadas fluorescentes compactas (FLCs) que têm sido apresentadas como substitutas das incandescentes são realmente ecológicas porque duram mais? Estas são algumas das questões levantadas pelos que discordam da proposta, que vão de entidades de classe a profissionais ligados ao setor.

A presença de mercúrio na composição das FLCs, metal altamente nocivo ao meio ambiente, está no centro da discussão, já que o principal apelo da campanha pelo banimento das incandescentes é o impacto ambiental causado por elas, por desperdiçarem energia.
Para a Associação Internacional de Lighting Designers Profissionais (IALD), sediada nos Estados Unidos e de alcance mundial, a falha dessa ação reside na proibição do uso indistinto desse tipo de lâmpadas. Em nota oficial divulgada à imprensa, em março último, a instituição afirma que a questão deve ser tratada com cautela, caso contrário corre o risco de ser ineficiente.

Entre os argumentos da entidade estão: a inexistência de uma tecnologia que substitua as lâmpadas incandescentes para alguns usos e os danos que uma proibição imediata provocaria ao meio ambiente, devido à quantidade de lixo que produziria. “As lâmpadas incandescentes não devem ser proibidas até que suas recolocações estejam provadas ser uma melhoria ambiental total”, afirmou trecho da nota.

O lighting designer brasileiro Guinter Parschalk, que tem seu trabalho reconhecido internacionalmente e é um dos diretores da Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação (Asbai), é uma das vozes dissonantes ao banimento. “O movimento de proibir, além de ineficiente, compromete muito mais o impacto ambiental e de uma forma mais nociva”,disse.

Guinter, segundo informou, é um dos convidados da Associação Inglesa de Lighting Designers para palestrar em um seminário em Londres, em setembro próximo, que pretende orientar as autoridades daquele país sobre os prejuízos que a medida pode provocar ao meio ambiente, já que a Inglaterra também possui o seu projeto de lei.

“A escassez da energia elétrica no mundo é fruto do crescimento populacional. É uma questão séria e complexa que não pode ser resolvida com a simples substituição das lâmpadas incandescentes e, posteriormente halógenas, por fluorescentes”, argumentou.

O lighting designer lembra, ainda, que as lâmpadas fluorescentes são econômicas quando usadas em locais onde não sejam acesas e apagadas com freqüência, como os ambientes de trabalho, por consumirem uma grande carga de energia ao serem ligadas. Em residências, por exemplo, onde não há controle de quantas vezes as lâmpadas são acionadas, o consumo pode continuar alto após a troca das incandescentes pelas fluorescentes.

Quem apóia

São inúmeras as entidades que apóiam a substituição das lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes no mundo. Entre elas, o Greenpeace, que lidera uma campanha, iniciada em 2007, em Berlim, pelo banimento das incandescentes.

Nessa ocasião, um ativista esmagou dez mil lâmpadas com um rolo-compressor, em frente ao Portão de Brandenburgo, às vésperas do encontro entre ministros europeus e representantes dos países-membros do G8 na cidade alemã.

No Brasil, um dos maiores apoiadores da substituição das lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes é a Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação, a ABilumi, que representa os interesses das empresas de importação e distribuição de equipamentos de iluminação.
Segundo o presidente da entidade, Alexandre Cricci,“um dos principais objetivos da associação é criar campanhas nacionais de conscientização da população para a substituição das lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes”. No entanto, faz ressalvas ao projeto de lei brasileiro. “A proposta precisa passar por alguns ajustes.

Um deles é o prazo, que é muito curto”, declarou.

O projeto de lei brasileiro

O projeto de lei que tramita no congresso, de autoria do deputado Arnon Bezerra, propõe a proibição da fabricação, importação, venda e uso das lâmpadas incandescentes comuns, a partir de 1º de janeiro de 2010, e sua substituição pelas fluorescentes compactas. A proposta também determina que os fabricantes e comerciantes que descumprirem a lei estarão a sujeitos à multa e outras sanções.

Para que as comunidades mais carentes tenham acesso às FLCs, que são, em média, cinco vezes mais caras que as incandescentes, o deputado sugere a distribuição gratuita das lâmpadas. Os recursos, segundo Bezerra, viriam dos programas de eficiência energética dos governos estaduais.

“Qual o problema de as próprias estatais de energia subsidiarem, como já estão fazendo, ou doarem lâmpadas de baixo consumo para os mais pobres? Isso representará mais lucro para as próprias distribuidoras, uma vez que haverá menos desperdício”, questionou o deputado.

Ele cita como exemplos, os programas da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) e da Light (RJ), que têm distribuído geladeiras eficientes e substituindo lâmpadas e fiações antigas para as populações de baixa renda.

“A Coelba já trocou 800 geladeiras para seus clientes. A Celpe vai empregar 1,9 milhão na distribuição de cerca de 1.300 geladeiras para consumidores de baixa renda, e a Light vai doar 600 eletrodomésticos desse tipo, num projeto piloto. Paralelamente à substituição da geladeira, as três concessionárias incluem ações de troca das lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes e também da fiação elétrica das residências contempladas”, argumentou.

Incandescentes

Prós:
-São consideradas lixo comum, o que significa que o descarte não causa grandes danos ao meio ambiente;
- Têm índice de reprodução de cor de 100, valor ainda não alcançado por nenhuma outra tecnologia;
- São em média de 5 vezes mais baratas do que as concorrentes.

Contras:
- Utilizam apenas 5% da energia que consomem, transformando os outros 95% em calor;
- Têm vida curta, em torno de 700 a 1000 horas (um ano).

Fluorescentes

Prós:
- Consomem de 4 a 5 vezes menos energia que as lâmpadas comuns (incandescentes);
- Têm longa vida; algumas chegam a durar até 6000 horas (seis anos);
- Trabalham em baixa temperatura;
- Estão disponíveis com aparências de cor desde o branco-quente até o branco-frio.

Contras:
- Possuem mercúrio em sua composição, que é altamente tóxico;
- Têm um índice de reprodução de cor de até 85;
- Praticamente todas as lâmpadas fabricadas no mundo têm baixo fator de potência;
- São mais caras que as incandescentes.
O impacto na indústria

Para a Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux), o projeto de lei, se aprovado do jeito que está, será danoso ao País, por não haver produção nacional de lâmpadas fluorescentes e o prazo não permitir que o setor se ajuste às novas regras. “A substituição abrupta das lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas causaria danos aos consumidores, aos fabricantes e ao País, disse o coordenador do Grupo Setorial de Lâmpadas da associação”, Isac Roizenblatt.

A troca, segundo Isac, deveria ser progressiva e abrir exceções para alguns usos. “Sou a favor de um programa de conservação de energia que limite a comercialização das lâmpadas incandescentes de forma gradativa, a exemplo dos programas europeu “Make the Switch” e norte-americano “H.R. 6”, que consideram um período de cerca de dez anos e ainda permitem algumas exceções para lâmpadas de aplicações especiais”, declarou.

Isac lembra também que o Brasil, desde o apagão, tornou se um dos maiores consumidores, per capita, de lâmpadas fluorescentes compactas, o que, segundo ele, demonstra que a lei é desnecessária para transição de uma tecnologia para outra. “Praticamente uma de
cada quatro lâmpadas residenciais comercializadas é fluorescente compacta e, em relação às instaladas, a proporção deve estar em torno de uma compacta para três incandescentes”, avaliou.

Outra questão levantada pela Abilux é a qualidade e o desempenho das lâmpadas importadas, que, segundo a associação, devem ser regulamentados e fiscalizados.

“Já foram importadas mais de 500 milhões de lâmpadas fluorescentes compactas e se estas tivessem a vida que está escrita nas embalagens, não haveria espaço hoje para as lâmpadas incandescentes. Logo, fica claro que há lâmpadas no mercado de baixa qualidade”, calculou Isac.

Reciclagem

Um dos principais desafios dos governos para viabilizar a utilização massiva das lâmpadas fluorescentes sem grandes prejuízos para as populações e o meio ambiente é a reciclagem, já que o mercúrio, um de seus componentes, pode contaminar os lençóis freáticos. Um trabalho árduo a ser feito, visto que ainda existem poucas recicladoras no mundo. No Brasil, existem em torno de dez, apenas.

Para Guinter o grande obstáculo a ser vencido é fazer com que os equipamentos utilizados em residências retornem à cadeia produtiva. “Enquanto uma lâmpada fluorescente tubular é bem empregada numa empresa, onde a reciclagem pode ser feita facilmente sob orientações dos governos, nas residências esta operação se torna inviável, porque o uso é pulverizado” opinou Guinter.

O lighting designer adianta que tem um projeto, ainda em desenvolvimento, para suavizar o impacto desses produtos no meio ambiente e viabilizar a reciclagem. Trata-se de um sistema de troca de lâmpadas usadas pelas novas, com abatimento no preço, como acontecia com os “cascos” de refrigerantes, cerveja etc.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Energia Solar Fotovoltáica na Arquitetura

Caros,

Há pouco mais de uma década, em 1998, eu estava estudando eficiência energética no IEE -Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP e conheci o prof. Roberto Zilles, entusiasta da energia solar fotovoltaica. Se ainda hoje a coisa ainda continua precisando "pegar", naquele tempo era preciso mesmo muito entusiasmo.

Mas, eu também acredito que os painéis fotovoltaicos são uma grande solução e que quando nos apercebermos disto, o Brasil tem tudo para assumir posição de destaque, mundialmente falando.
Há muitos exemplos de sucesso por aí, em lugares com muito menos sol, com sistemas integrados à rede pública, economizando grandes quantidades de energia para os seus países, que incentivam o uso dos painéis por consumidores de todas as escalas.

Estou certo que isto acontecerá também aqui e que o entusiasmo do prof. Zilles, que já se conta em décadas, não será em vão. Mas está demorando muito!

Há algumas iniciativas louváveis de técnicos e pesquisadores, para os quais os problemas de aplicação estão resolvidos, mas a coisa só irá mesmo para frente quando houver compromisso sério dos organismos reguladores no sentido de tornar viável a utilização em larga escala dos painéis fotovoltaicos no Brasil. Com tanto sol de graça, é mesmo uma pena não usarmos mais.

A seguir reproduzo video do Discovery Channel sobre o processo de fabricação dos painéis fotovoltaicos e matéria a respeito do cenário brasileiro, publicada na Finestra, com texto da Cida Paiva.

Antonio Macêdo Filho.

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No Brasil, o meio acadêmico sai na frente não apenas na pesquisa, como também na implantação de projetos com uso de energia fotovoltaica
Por Cida Paiva, Em FINESTRA Edição 56

No Brasil, os primeiros passos

A experiência bem-sucedida de alguns países europeus com o uso dessa fonte de energia renovável e limpa, aliada à crescente crise energética mundial, incentiva projetos com sistemas fotovoltaicos em universidades brasileiras. Fora do círculo acadêmico, no entanto, eles ainda constituem objeto de desejo para o mercado.
A crise de energia que gerou o apagão em várias regiões do país, em 2001, foi um dos sinais da necessidade de buscar novas fontes de fornecimento. No Brasil, o meio acadêmico sai na frente não apenas na pesquisa, como na elaboração de programas de incentivo. O Laboratório de Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (Labsolar/UFSC), que há alguns anos pesquisa e aplica essa tecnologia, vem desenvolvendo os projetos Estádios Solares e Aeroportos Solares, em parceria com o Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina (Ideal) e com a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), no caso das instalações aéreas, que já têm como projeto piloto o novo terminal de passageiros de Florianópolis.


Cobertura do prédio administrativo do Instituto de Eletrotécnica da USP ganhou painéis fotovoltaicos

Além disso, um convênio de transferência tecnológica entre Brasil e Alemanha na área energética, assinado no ano passado, tem incentivado encontros para auxiliar na formulação de políticas de apoio mútuo. Presente em uma dessas reuniões, na cidade de Colônia, em que a pauta era energia elétrica, Ricardo Rüther, coordenador do Labsolar e diretor técnico do Ideal, afirmou que “os aeroportos são uma ótima vitrine para demonstrar a tecnologia fotovoltaica e, ao mesmo tempo, compensar um pouco das emissões de CO2 relacionadas à aviação comercial”. Em uma viagem de ida e volta Florianópolis-Brasília, exemplifica Rüther, cada passageiro é responsável pela emissão de cerca de 680 quilos de CO2 na atmosfera, o que corresponde a quase 40 reais (considerando a cotação internacional dos créditos de carbono, adotada em programa para a redução do efeito estufa no planeta). Para que o aeroporto de Florianópolis ficasse completamente abastecido por energia solar, bastaria que, ao longo de um ano, cada um dos mais de 100 milhões de passageiros aéreos no Brasil pagasse menos de 25 centavos.

Instalação em edifício na Universidade Federal do Rio Grande do Sul


Aproveitando a demanda por instalações esportivas, que virá com a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, os pesquisadores também trabalham para alinhavar o projeto Estádios Solares, que propõe a implantação de módulos fotovoltaicos nas coberturas, a exemplo do que vem ocorrendo na Alemanha e em outros países europeus. “Estamos na fase de produção piloto, domínio de tecnologia, sem produção comercial significativa”, observa Trajano Viana, pesquisador do Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE), da Universidade Federal de Santa Catarina. Em novembro de 2008, a UFSC sediou o 2º Congresso Brasileiro de Energia Solar, mais uma prova do interesse em aproveitar esse recurso natural como fonte de calor e de geração de eletricidade.



Exemplos de módulos fotovoltaicos






EXPERIMENTO NO IEE


Em São Paulo, o prédio administrativo do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (IEE/USP) ganhou painéis fotovoltaicos, com potência nominal de 12 quilowatts, instalados em 120 metros quadrados de sua fachada. O sistema produz, em média, 50% das necessidades de energia elétrica da edificação, cuja demanda nos dias de semana é de cem quilowatts-hora. Aos sábados e domingos, o excedente é injetado na rede elétrica. Integrados na fachada como elementos construtivos, os módulos fotovoltaicos produzem energia, reduzem a carga térmica do prédio e também funcionam como brises.

O sistema conectado à rede (on-grid) não permite acúmulo de energia em bateria - se não for consumida, a eletricidade é devolvida automaticamente à rede. Nos países onde essa tecnologia é bem desenvolvida, o ponto de conexão da energia fotovoltaica ocorre antes do contador, fora da instalação da residência. Dessa forma, não há redução de consumo do ponto de vista da concessionária, mas o proprietário do sistema recebe uma tarifa prêmio por quilowatt-hora produzido com o sistema solar, chegando a cinco vezes mais que o valor da tarifa média de referência. “Essas bonificações são uma forma de incentivar os sistemas conectados às redes elétricas”, observa Roberto Zilles, professor do IEE.


Edifício Bionordica AG, Neumarkt / Alemanha







MERCADO DÁ PEQUENOS PASSOS

Ainda não há demanda do mercado brasileiro para a aplicação de painéis fotovoltaicos em edificações. E a oferta existente é de produtos importados, como os oferecidos pela fabricante alemã Schüco, detentora de tecnologia de ponta em sistemas de fachadas. Mas já há mudanças nesse quadro, e a empresa deu um dos primeiros passos nesse sentido, em 2008, ao criar um Departamento de Energia Solar em sua unidade na Argentina, após pesquisas que apontaram a receptividade para o uso desse tipo de energia em obras residenciais. E há planos de propor a mesma ação para o mercado brasileiro em 2010.

Desde a década de 1990, a Schüco desenvolve tecnologia que possibilita aproveitar a luz solar para a geração de energia elétrica. Os projetos amplamente aplicados em edificações em países europeus incluem estudos que indicam o investimento necessário para gerar a energia fotovoltaica desejada para determinada obra. O pacote tecnológico envolve células fotoelétricas, cabeamento, transformadores e sistemas de integração, que podem ser ligados à fachada, à cobertura de vidro, a brises ou outras partes do edifício. Por serem fechadas, as células fotoelétricas impedem a visibilidade entre áreas internas e externas. Assim, os painéis são utilizados, geralmente, em fachadas cegas ou coberturas. “Caso haja interesse no mercado brasileiro, a empresa pode atender a solicitação num prazo entre 30 e 120 dias”, observa Michael Eidinger, gerente geral da Schüco no Brasil.


Placas semitransparentes da Heliodinâmica


A Alcoa, outra grande produtora de sistemas de fachadas, também começa a voltar sua atenção para possíveis movimentos do mercado brasileiro. Na mais recente edição da Fesqua (feira de esquadrias e componentes), realizada no final do ano passado, em São Paulo, a empresa mostrou um protótipo de caixilhos com sistema fotovoltaico, tendo como base uma de suas linhas, a Unit. “Nosso objetivo foi apresentar a tecnologia aqui no Brasil e constatamos que houve grande interesse”, observa Cíntia Figueiredo, coordenadora de novos produtos da Alcoa. Ainda é cedo para detalhar como será o produto final, desenvolvido em parceria com empresas especializadas na tecnologia fotovoltaica, como a Heliodinâmica, fornecedora dos painéis para o protótipo. Apesar da experiência da Alcoa no exterior, onde já oferece os painéis fotovoltaicos entre seus produtos, os estudos para o mercado brasileiro consideram as características regionais, principalmente quanto às tipologias. “Mas é importante frisar que o edifício que vier a utilizar essa tecnologia já deve ser projetado com essa finalidade, o que também envolve a orientação solar e a necessidade de não sofrer sombreamento, entre outros fatores”, explica Cíntia. Ela observa que os painéis fotovoltaicos não devem ser encarados como limitação aos projetos arquitetônicos - ao contrário, como demonstram excelentes exemplos em outros países.

Protótipo da Alcoa, com caixilhos da linha Unit

“O mercado brasileiro ainda está por descobrir a energia fotovoltaica. Trata-se de um dos investimentos mais rentáveis e a durabilidade das placas solares fotovoltaicas é de 25 anos, pelo menos”, afirma Bruno Topel, diretor da Heliodinâmica. Pioneira nessa tecnologia no Brasil, a empresa fabrica placas de até 140 Wp para o setor de telecomunicações e para utilização em locais desprovidos de rede elétrica. Em algumas rodovias de São Paulo há painéis em funcionamento, para os sistemas de controle de tráfego, instalados em postes com cerca de seis metros de altura.

“As placas fotovoltaicas fabricadas pela Heliodinâmica podem ser transparentes nos espaços intercelulares, característica que permite a passagem parcial da luz solar e um efeito visual high-tech”, comenta Topel. Esses painéis podem ser aplicados em fachadas, janelas, coberturas ou sacadas e em diversos tamanhos, formatos e acabamentos, de acordo com as exigências do projeto. “Até mesmo a disposição das células fotovoltaicas pode seguir o padrão desejado”, ele acrescenta.



Sistemas fotovoltaicos isolados







Sistemas fotovoltaicos conectados a rede




MUDANÇAS NA LEI

A produção de energia elétrica a partir de fontes alternativas deve corresponder, até 2020, a 25% de toda a energia gerada e consumida no Brasil. Essa é a proposta do projeto de lei 523/2007, do deputado Mendes Thame (PSDB/SP), em tramitação na Câmara dos Deputados. Ele estabelece ainda que esse índice atinja 35% até 2030. Caso isso não ocorra, ficará proibida a expedição de licenças ambientais para novos empreendimentos convencionais de geração de energia elétrica, mesmo estando em fase de instalação e operação. Atualmente, no Brasil, a tecnologia fotovoltaica vem sendo utilizada em áreas desprovidas de rede elétrica ou onde a energia fornecida é de má qualidade. Nesses locais, a eletricidade fotovoltaica faz funcionar bombas de água, televisores e geladeiras, além de iluminar postos de saúde, escolas, centros comunitários e de pesquisa. Alimenta, ainda, telefonia, internet e cercas elétricas. Em regiões urbanas brasileiras, já é aplicada na sinalização (viária, fluvial, aeroportuária), iluminação pública, semáforos, alimentação de sistemas críticos e energia de backup, entre outros usos, conforme a resolução 83/2004 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).



domingo, 21 de junho de 2009

Green Buildings em Nova York 2009

Caros amigos,

Acabo de retornar da II Missão Técnica Green Buildings em Nova York que foi, na opinião de todos, um sucesso!

Na semana de 14 a 21 de junho cumprimos uma agenda repleta de visitas e experiências que, sem dúvida, ficarão gravadas de maneira definitiva na memória (e nas milhares de fotos) de todos os que tiveram oportunidade de acompanhar.

Além de termos tido uma visão um pouco mais aprofundada da evolução da arquitetura e do urbanismo de Nova York, pudemos visitar, com orientação e acompanhamento técnicos adequados, alguns dos mais representativos edifícios sustentáveis da cidade, alguns dos mais ativos escritórios de arquitetura sustentável, inclusive dois dos maiores escritórios do mundo, instituições e entidades relacionadas à promoção da sustentabilidade, além de visitar as feiras Buildings NY e GreenBuildings NY.

Isto para tratar apenas da agenda oficial, que foi complementada por oportunidades de relacionamento e descontração entre os participantes, arquitetos e engenheiros das 4 mais importantes regiões do país.

Trarei mais informações sobre a missão, com mais ilustrações e detalhes, nos próximos dias aqui no blog.

Até breve.



Arq. Antonio Macêdo Filho

(A próxima Missão Técnica Green Buildings em Nova York será em junho de 2010, mas antes dela teremos outras oportunidades, por exemplo: Batimat 2009 em Paris com Dubai e Green Build Conference & Expo em Phoenix, ambas em novembro. Darei sempre notícias a respeito aqui no blog.)




sexta-feira, 19 de junho de 2009

WTorre Nações Unidas.

Caros,

Na primeira edição das Visitas Guiadas Green Buildings em São Paulo, realizada em março passado, visitamos uma série deles, inclusive este WTorre Nações Unidas, elegante edifício de escritórios projetado por Edo Rocha para a WTorre.

O empreendimento é um dos que estão buscando a certificação LEED e incorpora o que, na minha opinião, é o que parece ser o mais efetivamente viável para se fazer em um edifício de escritórios que vise obter a certificação internacional.

Acompanhe a seguir matéria a respeito do empreendimento, publicada em Projeto Design.

Passarelas unem edifícios com áreas de laje diferentes


Para o condomínio WTorre Nações Unidas, Edo Rocha optou pela implantação de dois edifícios menores e com diferentes gabaritos, em escala inferior à dos demais prédios da região. As fachadas paginadas com laminado melamínico de alta resistência e painéis de ACM estabelecem identidade própria para o conjunto, que deve receber certificação Leed para o núcleo e os envoltórios. A interligação por meio de passarelas e duas opções em área de laje visam dar mais flexibilidade à locação.

Texto de Nanci Corbioli
Publicada em PROJETO DESIGN, Abril de 2009
O empreendimento é formado por dois edifícios que combinam linhas retas e curvas

Dois novos edifícios, relativamente baixos em comparação com os demais do entorno, chamam a atenção de quem passa pela marginal do rio Pinheiros, nas proximidades da ponte Eusébio Matoso. O empreendimento é o WTorre Nações Unidas, marcado por grandes recuos que atendem à legislação - devido à presença de uma vila na parte posterior direita do lote e ao posicionamento frontal à grande avenida. Ocupando a porção central do terreno, os prédios têm 13 pavimentos-tipo (com altura equivalente a 17 andares) e dez pavimentos-tipo e cobertura (gabarito correspondente a 14 pisos).

Os volumes são interligados no térreo e também em alguns andares superiores através de vigas metálicas que funcionam como passarelas. Aliadas ao revestimento com laminado melamínico de alta resistência, próprio para aplicações externas, elas transformam a leitura dos edifícios, que possuem desenhos diferenciados. “As passarelas estabelecem unidade visual e permitem ir de um prédio a outro sem ter que descer até o térreo, o que traz mais flexibilidade para a locação”, avalia o arquiteto Mauro Halluli, integrante da equipe de Edo Rocha e coordenador do projeto.

O revestimento melamínico é de alta resistência e próprio para aplicações externas. Ele foi fixado por meio de uma estrutura auxiliar
Em pele de vidro, a fachada da edificação menor contrasta harmoniosamente com a do prédio mais alto, composta por painéis unitizados em módulos de 4,20 x 1,25 metros que incorporam caixilhos, vidros e revestimentos. Já montados, eles foram içados até o ponto de fixação na estrutura, o que garantiu maior rapidez à etapa de fechamento externo. Com a finalidade de romper com a idéia de uma fachada totalmente lisa, as chapas de ACM foram colocadas oito centímetros à frente dos vidros, criando pequenas saliências. No formato de régua, os laminados melamínicos em padrão madeira unificam as duas construções e foram instalados por meio de inserts de alumínio sobre uma estrutura metálica auxiliar, opção que também contribuiu para dar maior velocidade de execução. A própria paginação dos laminados, no padrão 0,50 x 2,50 metros, permitiu maior quantidade de pontos de fixação e com isso foi possível utilizar peças mais finas, com apenas oito milímetros de espessura, sem comprometer a estabilidade do conjunto. Dependendo do ponto, os peitoris empregam chapas de drywall ou blocos de concreto celular. “O projeto previa apenas o drywall, mas houve essa alteração durante a obra”, detalha Halluli. Outra característica marcante do conjunto - que também ajuda a formar sua identidade - são os trechos curvos das fachadas dos dois edifícios, ambos voltados para o quadrante de maior visibilidade, em direção da ponte Eusébio Matoso.

A marquise com acabamento em laminado melamínico prolonga-se para o interior do grande hall de acesso
O embasamento resulta da combinação entre fechamento em vidro do térreo de pé-direito duplo, pilares de seção circular com revestimento de aço inoxidável e marquise que marca o ponto de acesso e avança para o interior da recepção, compartilhada pelos dois edifícios. O piso interno, em mármore polido do Ceará, tem tonalidade contrastante com a pavimentação externa, feita com placas de basalto. O mezanino sobre o térreo apresenta painéis de madeira como revestimento e abriga setores de expedição e administração do condomínio. Externamente, as áreas comuns incluem um café e um salão de múltiplo uso projetado com todas as características necessárias para o funcionamento de um auditório.

Ambos os edifícios possuem core alinhado com a fachada posterior, o que libera em todos os andares a vista panorâmica para o rio, o Jockey Club e a Cidade Universitária. Os pavimentos-tipo do prédio maior somam cerca de 1,5 mil metros quadrados de área de laje, com pilares centrais formando vãos de aproximadamente dez metros. No edifício menor, que foi locado para uma única empresa, a área de laje é de 1,2 mil metros quadrados e os pilares, alinhados com a fachada, resultam em vãos de 11,25 metros e mais uma faixa em balanço. Incluído na categoria denominada triple A (classificação dos edifícios comerciais com avançados recursos de tecnologia e acabamentos de alto padrão), o empreendimento pleiteia a classificação Prata do Leed, conferida pelo United States Green Building Council (USGBC), na categoria que abrange o conjunto formado por núcleo e envoltórios.

O vidro evidencia o pé-direito duplo do térreo. Os fechamentos do mezanino empregam madeira

Entre os recursos sustentáveis da edificação estão sistema de captação e tratamento das águas pluviais, que são destinadas aos sistemas de irrigação e de ar condicionado, coberturas verdes que liberam a água da chuva gradativamente e fachadas com menos de 50% de área translúcida a fim de reduzir a entrada de calor e o consumo de energia com o condicionamento do ar. Adicionalmente, foram empregados vidros importados de nova geração que apresentam elevados índices de transmissão luminosa e baixos níveis de absorção de calor. “No início das obras os fornecedores ainda não estavam estruturados para atender aos parâmetros exigidos pelo Leed”, explica Halluli.
Outras características do empreendimento são as fachadas iluminadas por leds, geradores que atendem 100% às necessidades operacionais e ar condicionado insuflado pelo piso elevado.

Pilares revestidos por aço inoxidável marcam o embasamento do conjunto

As edificações possuem estrutura mista, com pilares e caixas de elevador em concreto, vigas metálicas e lajes do tipo steel deck. No interior dos pilares, cuja seção é reduzida nos pavimentos mais altos, foram acrescentados perfis metálicos em forma de I. A peça tem a finalidade de amarrar as vigas, todas jateadas para dar proteção contra o fogo. As passarelas que unem os dois prédios têm fechamentos laterais com placas cimentícias.

Vista do hall para a frente do empreendimento

As duas unidades do WTorre Nações Unidas foram erguidas durante a recente fase de aquecimento econômico, momento em que dificuldades como escassez de concreto, atrasos no fornecimento de materiais e filas de espera para a locação de equipamentos tornaram-se comuns na construção civil. Apesar de terem interferido no cronograma, esses problemas só não tiveram impacto mais significativo porque os prédios foram planejados em acordo com o conceito de obra seca. “O projeto evitou ao máximo os aspectos artesanais da construção. O objetivo era uma obra rápida, seca, que otimizasse mão-de-obra, materiais e não precisasse de muito espaço de canteiro”, destaca Halluli.
Inicialmente, as passarelas seriam espaços ajardinados de convivência, mas por questões relativas à área computável ficaram apenas com a função de interligação

Entre os projetos em andamento no escritório de Edo Rocha atualmente está o de uma terceira edificação com a mesma linguagem, a ser implantada no lote livre, atrás do prédio mais alto. Ela deve ser concluída até o final de 2010 e compartilhar as áreas comuns, acrescentando ao térreo lojas e praça de alimentação.
Detalhes das passarelas que unem pavimentos alternados e dão mais flexibilidade à locação

Hall e recepção são compartilhados pelos dois edifícios. Internamente, os acabamentos combinam mármore, aço inox e laminado melamínico







O pavimento-tipo do edifício maior soma 1,5 mil metros quadrados de área de laje, com pilares centrais que formam vãos de aproximadamente dez metros








Perspectiva do empreendimento já incorporando a terceira torre, que deve ser concluída no final de 2010




terça-feira, 16 de junho de 2009

Chad Oppenheim

Caros,

Com satisfação informo que obtivemos na semana passada confirmação para a palestra do arquiteto norte-americano Chad Oppenheim no Fórum EcoTech, para a edição do Rio de Janeiro, em novembro.

Chad Oppenheim é um ativo arquiteto de Nova York que estudou em Cornell e fundou seu Oppenheim arquitetura + design em 1999, em Miami. É professor na Universidade Internacional da Flórida, é ganhador de prêmios de arquitetura e tem grande atuação não só nos EUA, Emirados Árabes, França, Grécia, Ilhas Turcas e no Japão.

Entre seus principais projetos, pode-se citar o Planeta Hollywood Hotel e o Cassino L'Defense, em Paris ; o Discovery Science Center, em Los Angeles; San Silencio Eco-resort,em Porto de Caldera; Dellis Cay ,nas Ilhas Turcas e Caicos; o Hard Rock Hotel, em Las Vegas; o Ten Museum Park e o COR Tower, em Miami, entre outros.

Este último, um interessante projeto que integra algumas soluções úteis para a sustentabilidade da construção. Acompanhe a seguir breve matéria sobre o projeto:

Edifício COR - Miami, EUA

O projeto consiste em um condomínio vertical multifuncional, em Miami, Flórida.

O edifício COR reúne residências, escritórios, academia e lojas, e tem como partido arquitetônico um núcleo de estrutura metálica e vidro cercado por um exoesqueleto de grande impacto visual que ao mesmo tempo que ele funciona como estrutura, também protege os ambientes internos dos raios solares, com a mesma função de um brise solei sobre a fachada envidraçada.
Além do sombreamento das áreas internas o exoesqueleto cria espacialmente nichos para os terraços e espaços de convívio coletivo da edificação.

A edificação abriga uma série de turbinas eólicas que agem em conjunto com o sistema de painéis fotovoltáicos e coletores solares para o aquecimento de água, que formam o sistema de geração de energia do edifício.
Ao lado observamos imagens e gráficos, desenvolvidos por conta dos estudos de conforto ambiental com o programa Ecotect, uma importante ferramenta de apoio para o estudo das condições conforto.
No COR todos estes sistemas se integram à fachada e ao entorno com uma leitura irregular e ao mesmo tempo composta por formas geométricas simples.

Com a utilização de modulações e do aço como sistema estrutural, obtém-se boa flexibilidade espacial tanto externamente na edificação como internamente, nas plantas dos pavimentos.
Acrescento a seguir um video no qual o arquiteto Chad Oppenheim comenta sobre o projeto da COR e os conceitos de sustentabilidade que ele aplica em seus projetos:
video

Para conhecer melhor o trabalho do arquiteto Chad Oppenheim, recomendo participar do Fórum EcoTech, para o qual é um convidados internacionais.
O Fórum EcoTech, que tem minha coordenação técnica, é o maior evento voltado para a sustentabilidade na construção de edifícios já realizado no Brasil. Mais informações em: http://www.forumecotech.com.br/
Arq. Antonio Macêdo Filho, com colaboração de Bruno Moraes

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Eficiência Energética

Apesar das iniciativas do governo para minimizar o consumo energético em edificações, o Brasil ainda tropeça na adequação de projetos mais eficientes

Por Eliane Quinalia, na revista Téchne, maio 2009.

Preocupação entre os países de Primeiro Mundo, a energia, bem como o melhor aproveitamento dos recursos naturais, também tem sido alvo de atenção entre os brasileiros, especialmente após a crise energética de 2001, que surpreendeu a população com o memorável blecaute. Foi a partir desse evento, que o governo brasileiro se viu obrigado a tomar medidas eficientes visando à expansão da capacidade energética e sua adequada limitação, nos casos em que a população precisava ser conscientizada sobre a melhor maneira de empregar tal recurso em residências.


Entretanto, engana-se quem pensa que apenas essas ações permearam o cenário de energia nacional. O famoso "apagão" trouxe à tona uma outra vertente - a da melhoria dos níveis de eficiência energética em eletrodomésticos e eletroeletrônicos, que não demoraram a influenciar também o panorama da construção civil, com o uso de sistemas construtivos que priorizassem a redução do consumo de energia. Nada mais justo, afinal, a construção e o uso dos edifícios são um dos maiores consumidores de recursos naturais no ambiente, consumindo cerca de 16,6% do fornecimento mundial de água pura, 25% de madeira e 40% de combustíveis fósseis e materiais manufaturados (Wines, 2000). Isso sem mencionar a emissão de CO2 na atmosfera, na qual a indústria cimenteira também tem grande participação.
O consumo de energia elétrica no mundo, especialmente nos países mais desenvolvidos, tem crescido com o passar dos anos. No Brasil, por exemplo, as edificações consomem anualmente 44% do total de energia elétrica do País, sendo 22% destinados ao setor residencial, 14% comercial e 8% para o público, conforme apontam os dados divulgados pelo LabEEE (Laboratório de Eficiência Energética em Edificações) da Universidade Federal de Santa Catarina. (Veja o quadro Evolução do consumo de energia elétrica por habitante no mundo).
Como estratégia para combater tal desperdício, o governo tem aprimorado leis, investido em programas de eficiência energética e recentemente desenvolveu o selo de eficiência em parceria com o Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), destinado a aparelhos e equipamentos energeticamente eficientes - etiqueta Inmetro (A-E). O que poucos imaginam é que esse selo também será empregado na construção civil em edifícios comerciais, de serviços e públicos, que passarão a receber etiquetas conforme o desempenho energético de cada construção. "Nosso marco legal é a lei 10.295/01 e o decreto que a regulamenta, 4.059/01. Ambos dispõem sobre a política nacional de conservação e uso racional de energia, atribuindo ao poder executivo a prerrogativa de estabelecer níveis máximos de consumo ou mínimos de eficiência para máquinas e aparelhos consumidores de energia, que permitiu determinar critérios para a etiquetagem de edificações", diz Paulo Augusto Leonelli, gerente do departamento de desenvolvimento energético do Ministério de Minas e Energia.
O Procel Edifica, como é chamado o programa, a partir deste ano deverá etiquetar os edifícios, concluídos ou em reforma e retrofit, atribuindo conceitos que vão de A a E conforme o consumo de eletricidade. A regra é simples: estarão enquadrados nesse programa os edifícios com área total útil mínima de 500 m2 e que apresentem tensão de abastecimento superior ou igual a 2,3 kV. O objetivo será avaliar a eficiência e potência instalada do sistema de iluminação, no sistema de condicionamento do ar e no desempenho térmico da envoltória (análise da cobertura, áreas de vidro, janelas, aberturas e vãos) do edifício. Com essas ações o governo espera atingir uma economia de 50% em novas construções e 30% no retrofit.













Iniciativas x impasses
Apesar do empenho do governo para incentivar projetos bioclimáticos com uso de energias renováveis nas construções, o Brasil ainda engatinha em termos de eficiência energética, principalmente se comparado aos demais países de primeiro mundo que investem pesado no desenvolvimento de tecnologias para a sustentabilidade e melhor aproveitamento energético.

De acordo com o engenheiro civil Roberto Lamberts, também coordenador do LabEEE (Laboratório de Eficiência Energética em Edificações), da Universidade Federal de Santa Catarina, o Brasil deveria caminhar de forma mais rápida nesse sentido, especialmente devido às alterações climáticas que afetam o mundo, em termos de aquecimento global. "As ações do governo ainda são modestas. É preciso evoluir muito em termos de medição da eficiência. A sociedade precisa se conscientizar e pressionar o governo para desenvolver níveis mais altos", explica. O engenheiro se baseia nos últimos fatos da administração de Barack Obama, no governo norte-americano, o qual destinou US$ 16,8 bilhões para o desenvolvimento de ações em eficiência energética e energia renovável, dos US$ 43 bilhões destinados à energia do país. "Os EUA têm investido, mas aqui ainda falta muito em termos de divulgação. As pessoas desconhecem o que é o programa de etiqueta. Todos deveriam saber."

A exigência de níveis de eficiência mais altos se deve particularmente à questão dos sistemas de condicionamento de ar em edificações. Os modelos etiquetados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) e Procel destinados à janela ou mesmo split, têm sido mais procurado por consumidores, especialmente na região Norte do País. Para se ter uma ideia, de acordo com a última pesquisa do Procel, o uso desse aparelho na região já representa 40% do consumo de energia elétrica, ou seja, mais até que o famoso vilão, o chuveiro, em outras regiões. (Veja o quadro Avaliação do mercado de eficiência energética no Brasil: Pesquisa na classe residencial). "Falta uma política pública mais agressiva do Ministério de Minas e Energia em elevar os níveis mínimos (E) de eficiência desse equipamento. Apenas assim teremos máquinas mais econômicas. Aqui no Brasil esse valor ainda é de 2.2. Ou seja, compra-se o equipamento por um preço baixo, mas o quanto se vai pagar de conta de luz é outra história", diz Lamberts.

O aumento do uso de ar-condicionado nessa região, e até no Brasil, pode ser facilmente explicado por um problema térmico das fachadas. Hoje, muitas construções ainda são entregues sem proteção externa, ou seja, venezianas e brises. Com isso, as salas ou aposentos recebem não apenas a luz solar, mas armazenam energia em forma de calor, fato que resulta na compra de aparelhos de ar para amenizar a sensação térmica de "estufa" deixada no ambiente. "Infelizmente, a maioria de nossas fachadas não são inteligentes. Elas deveriam ser projetadas para controlar os ganhos solares e bloquear o ganho excessivo de energia no verão. Nossas fachadas são inteiras de vidros transparentes. Falta ainda muito sombreamento", diz Lamberts.

Outro ponto que chama a atenção são os sistemas ou fontes alternativas de energia, que englobam especialmente os aquecedores solares de água. Recentemente o Brasil tem abraçado essa ideia como a solução de todos os problemas energéticos, o que não é verdade. Apesar da solução ser eficaz e proporcionar reduções energéticas notáveis, o mercado ainda sofre com problemas de instalação. Afinal, se o coletor for mal posicionado e a resistência elétrica no reservatório não for regulada - e isso traz custos - os resultados são ineficazes. Além disso, é recente, porém notável, a ação de algumas empresas em instalar tais sistemas para a baixa renda. A CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) e a CPFL Energia (Companhia Paulista de Força e Luz), por exemplo, deverão instalar sistema de aquecimento solar para água do chuveiro em seis mil moradias, em 300 municípios de São Paulo, até 2010. "A baixa renda deve ser privilegiada com tal sistema, especialmente se o mercado desenvolver coletores mais econômicos, como de plástico, por exemplo. Apenas seria necessário, nesse caso, complementar a instalação com um chuveiro elétrico", diz Lamberts. Nesse sentido, a classe média também pode ser beneficiada com aquecedores a gás, desde que o País se empenhe mais na qualificação de seus profissionais, já que a maior parte dos problemas desse setor se deve à má instalação de equipamentos.









Ferramentas auxiliares

Para auxiliar a concepção de edifícios mais eficientes, alguns softwares simuladores têm sido lançados no mercado, principalmente porque de acordo com as exigências do Procel Edifica, as novas construções deverão ter seu consumo de energia avaliado por um simulador validado pela Ashrae Standard 140, capaz de modelar variações horárias de ocupação, potência de iluminação e equipamentos e sistemas de ar-condicionado, definidos separadamente para cada dia da semana e feriados. No site do Procel Info, por exemplo, diversos programas gratuitos podem ser utilizados para tal aplicação, basta que o usuário esteja cadastrado no site. "O uso de softwares como o Energyplus, que permite a simulação horária do consumo de energia de um edifício para um ano inteiro, já é corriqueiro nos grandes empreendimentos executados em São Paulo", conta Leonelli. A ideia, é que o método de simulação compare o desempenho da edificação proposta com uma similar, cujas características estejam de acordo com os níveis de eficiência exigidos em projeto.

Vale ressaltar ainda, que segundo especialistas, a maioria dos investimentos em eficiência energética são retornáveis em menos de três anos, além de serem ambientalmente sustentáveis.

Tecnologias para sustentabilidade
Fachadas inteligentes
Projetadas para filtrar automaticamente a energia solar conforme as variações climáticas. Devem ter baixa manutenção e vidros autolimpantes, tendo preferencialmente cores claras na parte opaca para minimizar a manutenção, com o intuito de manter o conforto térmico no interior do edifício a um gasto mínimo de energia.


Sistema de condicionamento de ar

Tratamento destinado a controlar simultaneamente a temperatura, a umidade, a pureza e a distribuição de ar de um meio ambiente. Precisam ser escolhidos com cautela, já que a compra de um aparelho ineficiente ou maldimensionado pode trazer gastos energéticos ao consumidor. Para evitar prejuízos, deve-se verificar no site do Inmetro (Instituto de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) o nível de eficiência enérgetica dos aparelhos antes da compra.

Sistemas ou fontes alternativas de energia

Aquecedores solares de água, painéis fotovoltaicos e gás natural têm sido utilizados para minimizar os gastos energéticos. Os edifícios comerciais que utilizem água quente e contem com aquecedores solares deverão provar atendimento com uma fração solar igual ou superior a 60%. Além disso, a estimativa do programa é que o uso de energia eólica ou mesmo painéis fotovoltaicos possa proporcionar uma economia mínima de 10% no consumo de energia elétrica do edifício. Já os sistemas de cogeração podem melhorar em até 30% os gastos com energia.


Sistemas e equipamentos que racionalizem o uso da água

Economizadores de torneira, sanitários com sensores, aproveitamento de água pluvial podem proporcionar uma economia mínima de 20% no consumo de água do edifício.






Sistemas de iluminação

As luminárias, reatores e lâmpadas eficientes podem reduzir de 30% a 50% o consumo em iluminação. Assim, os ambientes fechados devem possuir ao menos um dispositivo de controle manual acessível para o acionamento independente da iluminação interna do ambiente. Sendo que cada dispositivo deve controlar uma área de até 250 m² para ambientes até 1.000 m², bem como uma área de até 1.000 m² para ambientes maiores do que 1.000 m². O uso de sistemas automáticos com desligamento de luz ou sensores de presença também se faz obrigatório.


Materiais isolantes

Fundamental em climas frios, o uso do isolante térmico não pode ser generalizado. Afinal, nos dias quentes a realidade é outra. Sua melhor aplicação ainda se dá na cobertura.








Consórcio Brasil leva projeto nacional para Europa







Uma iniciativa que tem chamado a atenção é a do Consórcio Brasil, grupo formado por acadêmicos de engenharia e arquitetura de seis universidades brasileiras, todos empenhados na divulgação de projetos de eficiência energética em âmbito mundial. Ao que consta, as universidades federais de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em parceria com a USP (Universidade de São Paulo) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) receberam um convite no início de 2008 para representar o País na 1a edição do Solar Decathlon Europe, que acontecerá no próximo ano em Madri, na Espanha.

Para entender um pouco melhor, esse concurso acadêmico organizado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos e realizado em território norte-americano desde 2002, foi desenvolvido para incentivar a construção de moradias autossuficientes em termos de energia, bem como conscientizar a sociedade sobre os temas ambientais, principalmente no que diz respeito ao uso de energia e recursos naturais. "É a primeira vez que universidades tão importantes se juntam para apresentar um trabalho no exterior sobre soluções bioclimáticas com integração de painéis solares térmicos e fotovoltaicos", conta Adnei Melges de Andrade, vice-diretor do IEE (Instituto de Eletrotécnica e Energia) e coordenador do Consórcio Brasil.

O concurso mundialmente conhecido em 2005, com a adesão da Escola Politécnica de Madri, logo recebeu o apoio do governo espanhol para promover a competição na Europa - continente engajado em questões sustentáveis e ambientais, tal como na Ásia, no que se refere às ações da China. De acordo com Andrade, os estudantes brasileiros de gradução, mestrado e doutorado deverão apostar no uso de materiais ecologicamente corretos e na concepção de uma moradia flexível, utilizando não apenas a inovação para melhorar as condições de sustentabilidade, mas também zelando pelos aspectos socioeconômicos da construção. "Já enviamos as maquetes e a apresentação audiovisual, mas a entrega do plano de operações para a montagem de protótipos será realizada em março de 2010", conta.

A equipe brasileira até o momento conta com o financiamento da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior) - órgão do Governo Federal ligado à educação e do Ministério da Habitação da Espanha, para locação de gruas e equipamentos e para a montagem dos protótipos no Parque do Retiro, em Madri.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Utilize lâmpadas econômicas.

Por: Bruno Bertante de Moraes

O novo site da Philips incentiva seus clientes a trocarem as lâmpadas comuns por lâmpadas com menores impactos ambientais, o interessante que no site você vê o quanto esta contribuindo para a preservação do meio ambiente e o quanto sua conta de energia elétrica será reduzida com essa troca de lâmpada comum por econômica.

Posteriormente o site fornece a mesma relação, com 10 pessoas iguais a você, tendo essa mesma iniciativa, e posteriormente com 100 ,1000, e 10000 pessoas.

Confira o quanto você pode fazer para a preservação do meio ambiente, com simples iniciativas como essa, acesse o site da Philips