sábado, 19 de setembro de 2009

São Paulo e as Megacidades

São Paulo e as Megacidades: desafios e oportunidades do desenvolvimento sustentável
Por Carlos Leite * (Versão adaptada do artigo original publicado na Revista DOM, Fundação Dom Cabral, 2009, publicado em arqbacana.com.br )

Prêmio Nobel de 2008, o economista Paul Krugman prognosticou que o crescimento das cidades será o futuro do modelo econômico de desenvolvimento. É nas megacidades que se verificam as maiores transformações, gerando uma demanda inédita por serviços públicos, matérias-primas, produtos, moradia, transporte e emprego.

Trata-se do grande desafio para os governos e as empresas, exigindo mudanças na gestão pública e nas formas de governança com maior participação da sociedade civil organizada e da iniciativa privada, obrigando o mundo a rever os padrões de conforto típicos da vida urbana – do uso exacerbado do carro à redução da emissão de gases.

O desafio é a reinvenção das megacidades por modelos de desenvolvimento sustentável. E as intervenções no exterior mostram possibilidades de enfrentar problemas comuns às megacidades, principalmente no reaproveitamento sustentado dos seus vazios urbanos.

Atividades econômicas, voltadas para os setores da informação e da comunicação, mas vinculadas à vocação do território, com novos valores locais, e aliados a políticas de desenvolvimento econômico e urbano e a gestão urbana eficiente, podem contribuir decisivamente para a redução do quadro de esvaziamento produtivo de áreas centrais a partir da reutilização dos espaços vagos, combatendo a perda de vitalidade do tecido urbano. Ou seja: promove-se o desejável redesenvolvimento urbano sustentável.

Todo o território ao longo da orla ferroviária de São Paulo, por exemplo, áreas centrais dotadas de boa infra-estrutura urbana e memória (Barra Funda, Brás, Mooca, Ipiranga etc.), podem se regenerar urbanística e economicamente e gerar uma metrópole mais compacta, mais sustentável.
Cidades com bons sistemas de transportes públicos, que têm evitado baixa densidade e expansão desmedida terão menores níveis de emissões de gases de efeito estufa per capita do que cidades que não têm. Muitas das mais desejáveis (e caras) zonas residenciais das cidades mais interessantes do mundo têm altas densidades e possuem centros onde andar a pé e de bicicleta são meios de mobilidade preferidos por grande parte da população.
E a Copa do mundo de futebol de 2014 no Brasil? E a possibilidade do Rio sediar uma futura Olimpíada? Alavancam oportunidades ou são meros instrumentos de marketing político?
Barcelona 1992 ou Sydney 2000, dentre outros exemplos, sinalizam claramente que há nos grandes eventos esportivos uma rara oportunidade para as megacidades se reinventarem se – e isto é fundamental – tais eventos se inserirem em uma desejável e necessária estratégia de regeneração urbana mais ampla.
Barcelona estava desenvolvendo sua famosa metástase urbana invertida: células doentes do território ao se regenerarem contaminavam positivamente as células vizinhas e, tendo uma estratégia de recuperação de todo o doente, a cidade se reinventava. O urbanista Oriol Bohigas comandava brilhantemente tal operação quando surgiu a oportunidade de sediar as Olimpíadas de 92. A oportunidade, estrategicamente planejada, transformou-se na maior das células de multiplicação positiva no seu antigo e desativado território industrial-portuário.
O vazio urbano central transmutou-se em parque linear, nas praias artificiais, na marina e na vila olímpica - conjuntos residenciais de interesse social - , que redesenharam a cidade e a tornaram mais viva e compacta. O potencial do território central regenerado e reestruturado produtivamente é imenso na nova economia, desde que planejado estrategicamente.
Mais recentemente, Sydney aproveitou a ocasião das Olimpíadas para reabilitar toda uma área urbana deteriorada e, em alguns lugares, contaminada (brownfields).
Paulo Mendes da Rocha e equipe, quando desenvolveram o plano de uma São Paulo olímpica, adotaram uma bela e oportuna estratégia de inserção pulverizada dos diversos equipamentos esportivos pelas áreas urbanas paulistanas que podem se alavancar similarmente aos casos acima descritos (diversas áreas de intervenção ocorriam, não à toa, em territórios das operações urbanas).
Sob o prisma do desenvolvimento urbano sustentado, voltar a crescer para dentro da metrópole e não mais expandi-la é outro aspecto altamente relevante nestes casos: reciclar o território é mais inteligente do que substituí-lo. Reestruturá-lo produtivamente é possível e desejável no planejamento estratégico metropolitano. Ou seja: regenerar produtivamente territórios metropolitanos existentes deve ser face da mesma moeda dos novos processos de inovação econômica e tecnológica.
Grandes eventos esportivos, culturais e turísticos têm se convertido em oportunidades estratégicas na reconfiguração dos territórios degradados das megacidades a partir de modelos de desenvolvimento mais compactos. Sustentabilidade urbana adquirida. Sustentabilidade esportiva promovida.
O desafio é planejar estrategicamente as cidades para captar as oportunidades. Coisa que as seguidas administrações públicas no Brasil não tem tido competência de realizar até o momento, infelizmente.

* Carlos Leite - Carlos Leite é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e de cursos de MBA (FIA/USP, Fundação Dom Cabral), e consultor em Desenvolvimento Sustentável. Arquiteto e urbanista, com pós-doutorado pela CalPoly University.

Cartão-postal "verde"

Cartão-postal "verde"
Para economista, EcoArenas podem ajudar a promover a imagem do Brasil
por Karlo Dias / Vinícius Costa - Salvador postado em 11/09/2009 em Copa2014.org.br
Estádio de Hannover (Alemanha): solução criativa para reúso de água

Para o economista Ian McKee, credenciado pelo LEED - Leadership in Energy and Environmental Design (ou Liderança em Design de Energia e Meio-Ambiente), por meio do U.S Green Building Council (Conselho de Construções Sustentáveis), nos EUA, o conceito de EcoArenas pode ser um novo cartão-postal do país em 2014.

Para isso acontecer, além de construir "EcoArenas" deve-se agregar serviços diversos ao redor dos estádios. “Shopping e casas de show são exemplos que podem ajudar na sustentabilidade”, afirma.
Na questão ambiental, McKee dá idéias que podem mudar a realidade brasileira e, assim, criar complexos esportivos ambientalmente sustentáveis. “O país já dispõe de energia limpa e renovável, mas se forem usadas coberturas preferencialmente brancas, que reduzem o calor e ampliam a luminosidade teremos um ganho adicional”, explica.

Em outra apresentação, o engenheiro Anderson Benite, do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), mostrou que a Copa no Brasil será uma oportunidade de impulsionar a consciência ambiental no país. “Temos produtos e tecnologia para fazer uma Copa diferente”, disse Benite, que apresentou os principais critérios e normas para obter a certificação LEED.

"O sistema estabelece critérios para medir o desempenho e a sustentabilidade dos projetos. As normas vão do design à construção e operação dos equipamentos. Através delas serão observadas as características do terreno, dos materiais, da água e da energia utilizada na construção, e, por fim, do conforto dos torcedores que vão utilizar os equipamentos”, enumera.
Ao apontar os benefícios da certificação LEED, o engenheiro Anderson Benite enfatizou a responsabilidade socioambiental, redução dos custos operacionais das obras e a equivalência de desempenho dos empreendimentos. “Somado a isso, ainda podemos destacar a geração de mídia espontânea, que surge naturalmente com estes projetos”, afirma.

A organização da Copa recomendou a adoção do selo LEED nos estádios
Desigualdade social

Elitizar o futebol a partir das grandes construções que estão por vir é a uma das preocupações do presidente do Sinaenco-BA (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia), Claudemiro Santos Júnior. Ele explica que o país é pobre e a questão da sustentabilidade deve ser ainda mais discutida.
Para Santos, “a área ao redor do estádio pode ser a saída para auxiliar o fator econômico sustentável”. No entanto, ressalta que ainda não se pode prever tal investimento, pois existe a barreira governamental. “Todos os governos estão atrasados. Eles deveriam se integrar para agilizar a discussão sobre as arenas”, fala.
O arquiteto alemão Class Schulitz, um dos responsáveis pelo projeto da Fonte Nova, sinalizou a relação estádio-ambiente. “Pode-se utilizar água da chuva nos mictórios,” diz. Ele, que também foi responsável pelo planejamento do estádio de Hannover, na Alemanha, disse que lá, foram aplicadas formas alternativas de irrigação do gramado, exemplo que pode ser adotado também no estádio baiano. O Fórum dos Arquitetos da Copa prossegue nesta sexta-feira com um debate sobre a viabilidade econômica das arenas e visita ao estádio Roberto Santos, no bairro de Pituaçu, em Salvador.

Construção Sustentável: um poderoso aliado da saúde ambiental do planeta

Construção Sustentável: um poderoso aliado da saúde ambiental do planeta
por Luis Cesar Stano

As construções oferecem um enorme campo para a economia de energia, e talvez as oportunidades mais amplamente reconhecidas de aumento da eficiência energética estejam nos lares e nos locais de trabalho. (Relatório Brundtland, 1987).

Todas as pesquisas, estudos e avaliações quanto à saúde ambiental de nosso planeta chegam inexoravelmente à conclusão, hoje já encarada como indiscutível, de que o grau de deterioração dos ecossistemas da Terra, em grande parte provocado por ações antrópicas, está atingindo níveis que podem colocar em risco a sobrevivência de muitas das espécies vegetais e animais que aqui habitam. Incluindo nós, os seres humanos.

Em um contexto como esse, nenhuma atividade econômica pode prescindir de uma avaliação criteriosa de seus potenciais impactos quanto ao consumo de recursos naturais ou à liberação de poluentes para o meio ambiente, levando em conta todas as etapas de seu ciclo de vida.
Essa preocupação com a eficiência ambiental, ou ecoeficiência, começa a estender-se, cada vez com maior celeridade, a um dos setores mais tradicionais da atividade humana: a construção civil.

Alguns dados relacionados à construção civil permitem consolidar um quadro nítido da grandeza dos impactos negativos que a atividade pode impor ao meio ambiente:

:: Mais da metade dos recursos naturais extraídos na América Latina são consumidos na construção civil;

:: Os resíduos das construções e demolições no Brasil totalizam cerca de 80 milhões de toneladas por ano;

:: A operação de edifícios no Brasil é responsável por 18% do consumo total de energia no país e por 50% do consumo de energia elétrica;

:: Os edifícios são responsáveis por 25% das emissões globais de gases de efeito estufa.

A magnitude desses impactos abre, por outro lado, imensas oportunidades de melhoria, uma vez que as principais tecnologias necessárias à melhoria do desempenho ambiental das edificações já se encontram disponíveis hoje em dia, abrangendo todas as etapas do ciclo de vida dos edifícios, desde a concepção e projeto, passando pelos processos de construção e de uso das edificações e chegando até a etapa de demolição.

A fase de ocupação do edifício é merecedora de especial atenção, pois nessa etapa, até mesmo em função de sua longa duração, concentram-se as maiores parcelas de impacto ambiental e de custos. A concepção adequada do edifício, o uso de materiais isolantes mais eficazes e de técnicas de circulação de ar podem permitir, por exemplo, redução significativa dos impactos ambientais associados à energia necessária para aquecimento/refrigeração; projetos arquitetônicos que viabilizem o melhor aproveitamento da iluminação natural, conjugados ao uso das lâmpadas mais eficientes hoje disponíveis e de sensores de movimento, conduzem à sensível redução na demanda de energia para iluminação; o reaproveitamento das águas servidas ou da chuva pode minimizar a necessidade de captação de água das redes municipais de abastecimento.

Os governos também têm um papel fundamental a desempenhar no engajamento de todos os agentes sociais rumo à maior sustentabilidade da construção civil, por meio de ações como:

:: Educação e conscientização dos moradores e ocupantes de prédios residenciais e comerciais no sentido de orientar suas escolhas e comportamentos na direção de produtos, serviços e atitudes mais ecoeficientes;

:: Incentivo à melhoria da eficiência energética de prédios novos e já existentes e à introdução de inovações no projeto e operação de edifícios;

:: Estabelecimento de códigos, padrões, mecanismos de avaliação e sistemas de rotulagem ambiental para prédios, eletrodomésticos e sistemas de iluminação, considerando inclusive seus ciclos de vida;

:: Incentivo à renovação de prédios residenciais e comerciais, com a adoção de tecnologia ambientalmente mais amigáveis.

No mundo todo podem ser encontrados exemplos de ações governamentais voltadas para a melhoria do desempenho ambiental da construção.

No Brasil, o Procel – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica criou em 2003 o programa Procel Edifica, que visa a promover condições para o uso eficiente da eletricidade nas edificações, reduzindo os desperdícios de energia, de materiais e os impactos sobre o meio ambiente, por meio de projetos nas áreas de capacitação tecnológica e profissional, inserção do tema conforto ambiental e eficiência energética nos cursos de arquitetura e engenharia, bem como pela disseminação dos conceitos e práticas de eficiência energética das edificações e conforto ambiental entre os profissionais de arquitetura e engenharia e aqueles envolvidos em planejamento urbano.O Procel Edifica estima que seria possível obter uma melhoria de 30% na eficiência energética de prédios já existentes por meio de reformas e modernizações e de 50% com a introdução de tecnologias mais ecoeficientes no projeto, construção e operação de novos edifícios.

Também a União Européia, com a Diretiva 2002/91/EC, manifestou seu compromisso com a melhoria do desempenho energético das edificações, estabelecendo requisitos tais como:

:: Aplicação de estrutura e metodologia para o cálculo do desempenho energético integrado de edificações;

:: Requisitos mínimos para o desempenho energético de novas construções e de grandes edificações já existentes submetidas a reformas e renovações de maior porte;:: Certificação energética de edificações.

A certificação por terceira parte de edificações começa de fato a ganhar corpo em todo o mundo, com iniciativas como a Leadership in Energy and Environmental Design – LEED, promovida pelo United States Green Building Council, que concede certificados a prédios que atingem uma determinada pontuação em requisitos distribuídos ao longo de sete categorias: localização sustentável, eficiência no uso da água, energia e atmosfera, materiais e recursos, qualidade ambiental interna, projeto inovador e prioridades regionais.

Os requisitos abordam aspectos tais como escolha do local da construção (proteção de áreas verdes, habitats e recursos naturais; reabilitação de áreas degradadas; possibilidade de deslocamento a pé e uso de transporte público como alternativa ao transporte individual; maximização de áreas não construídas; espaço prioritário para o estacionamento de bicicletas e veículos não poluentes; redução das áreas de solo cobertas e maximização da infiltração da água; redução do uso de água potável e utilização de tecnologias inovadoras para o tratamento das águas servidas; estabelecimento de padrões mínimos de desempenho energético; utilização de fontes renováveis de energia; uso da iluminação natural; implantação de sistemas individuais de medição do consumo de energia; facilidades para coleta e armazenamento de materiais recicláveis; minimização da poluição provocada pela atividade de construção; gestão ambientalmente adequada dos resíduos da construção; utilização de materiais reaproveitados ou reciclados, de materiais disponíveis na região e de madeira certificada; garantia da qualidade ambiental interior das edificações; atendimento a prioridades ambientais específicas de cada região.

O prédio atualmente ocupado pela Universidade Petrobras no Rio de Janeiro, com 52 mil m2 de área construída, foi o primeiro edifício a receber no Brasil a certificação LEED na modalidade Core & Shell. O edifício utiliza revestimento externo que minimiza a necessidade de uso de sistemas de condicionamento do ar interior, promove o aproveitamento controlado da iluminação natural, a coleta da água da chuva e o reuso da água servida em pias e lavatórios, reduzindo em 40% a necessidade de captação de água da rede pública.

Estima-se que um edifício dotado dessas facilidades custe entre 7% e 10% mais caro que uma construção comum. O investimento adicional, porém, é amortizado em prazo curto pela redução dos dispêndios operacionais da edificação, sem contar os inegáveis benefícios para o meio ambiente.

Se o consumo de energia nas edificações continuar a crescer às taxas atuais, elas estarão consumindo em 2050 quase tanta energia quanto a indústria, a manufatura e a mobilidade juntas. (WBCSD, Energy Efficiency in Buildings, 2006).

*Luis Cesar Stano é Gerente de Desempenho em SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde) da Petrobras.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Procel Edifica incorpora avanços das últimas três décadas

por Fernanda Dalla Costa — Publicado em 21/07/2009 em Revista Sustentabilidade

Os 35 anos que separam o lançamento das etiquetas de eficiência energética nos EUA e na Europa da brasileira, permitiu que a etiqueta nacional incorporasse experiências, novas tecnologias e metodologias, tornando-a potencialmente mais eficaz e alinhada às necessidades de um imóvel moderno, concluiu Marcelo Roméro, arquiteto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, durante o Fórum Ecotech.

A etiqueta de eficiência energética brasileira, Procel Edifica, foi lançada no início de julho e ainda é voluntária. Nos EUA e na França, a etiquetagem de edifícios já é uma obrigação legal dos empreendimentos, ele disse durante apresentação no fórum que ocorreu em São Paulo.

"Apesar de atrasada, a nossa regulamentação é melhor que a deles, pois temos a experiência de 35 anos de trabalho incorporada na nossa regulamentação", comentou o professor.
Assim, o sistema brasileiro já inclui a questão da água, o modelamento matemático, as ferramentas de simulação, a norma ASHRAE 90.1 de 2004, comentou.

Arq. Marcelo Roméro, Eng. Manuel Martins e Arq. Antonio Macêdo Filho, durante o Fórum EcoTech
Nas últimas três décadas não houve só convergência dos meios de comunicação, como também dos produtos eletroeletrônicos e conceitos de conservação.

Para o professor, a iniciativa da classificação brasileira, que ainda tem um caráter voluntário, se tornará obrigatória para novas construções daqui a três ou quatro anos. Ele acredita, no entanto, que a crescente conscientização dos compradores de imóveis irá forçar a adoção da etiqueta pela maioria da construtoras.

O sistema, apresentado oficialmente pelo Procel Edifica no começo de julho, pretende regulamentar a eficientização energética dos edifícios não residenciais, oferecendo a etiqueta A para os empreendimentos com maior grau de eficiência e a etiqueta G para os com menor eficiência.

Investimento em tecnologias verdes em um imóvel pode ser recuperado em até 4 anos

Investimento em tecnologias verdes em um imóvel pode ser recuperado em até 4 anos
por Fernanda Dalla Costa — Publicado em 21/07/2009 em Revista Sustentabildade

O custo adicional de construção de edifícios com tecnologias de baixo impacto ambiental e eficiência energética, estimados entre 3% a 7% do valor de uma obra convencional, pode ser recuperado em três a quatro anos por meio de economia nas contas de luz, de água e condomínio, disse o Nelson Faversani Jr, gerente de obras da incorporadora Tishman Speyer Properties, no Fórum Ecotech.

"O investimento tem que se pagar por economia ou pela sua estratégia nos negócios", disse.
Segundo Faversani, estudos comparativos feitos pela própria empresa, a aplicação de tecnologias de preservação água reduz o custo de manutenção mensal de R$ 4,00/m2 para R$ 2,50/m2 e enquanto projetos de eficiência energética reduzem de R$ 6,40/m2 para R$ 3,50/m2 a conta de energia elétrica. Juntas, essas economias representam R$ 4,40/m2 ao mês a menos
que o usuário desembolsará.
O engenheiro calculou que o custo convencional de construção por metro quadrado de um edifício comercial de altíssimo padrão está cerca de R$ 3.700, incluindo o preço do terreno em São Paulo. Mas a inclusão de tecnologias que preservem o meio ambinete aumentam este custo uns 5% do valor da obra em média, ou seja, R$ 185,00/m2. Portanto a economia de R$ 4,40 por metor quadrado por mês pode ser recuperada em 42 meses, concluiu.

Estes cálculos, no entanto precisam estar evidentes para o comprador para diferenciar um projeto mais completo de outros que, segundo Faversani, que querem apenas fazer uma ação mercadológica.

Arq. Antonio Macêdo, Arq. Roberto Loeb e Eng. Nelson Faverani, durante os debates, no Forum EcoTech.
"Investir em publicidade de sustentabilidade é muito importante e as iniciativas que são só marketing confundem o cliente", disse.
Diante disso, ele enfatizou a importância da clareza e da transparência com relação aos dados de sustentabilidade na hora da negociação.

Assim, diversos aspectos devem ser apresentados, como a questão da durabilidade dos materiais, o fato de estar na vanguarda da nova revolução na construção, o fato de retardar a obsolescência dos edifícios, além da economia financeira e de recursos naturais na operação do edifício.

O melhor jeito, acrescentou o engenheiro, é argumentar em termos de economia total na manutenção do prédio, que é responśavel por cerca de 80% to custo no ciclo de vida de 50 anos de um imóvel. Os estudos comparativos entre edifícios convencionais e edifícios com as tecnologias novas mostraram que as economias em um prédio sustentável podem chegar a 30% na taxa de condomínio, 40% na conta de energia elétrica, 50% na conta de água e 30% na manutenção.

Para Faversani, o Brasil possui todas as técnicas necessárias para que essas reduções sejam efetivas nas construções, mas para isso o usuário deve estar sensibilizado e saber aproveitar ao máximo a tecnologia.

Entre as mais empregadas estão automação da iluminação, projeção que conta com elevadores e sistemas de ar condicionados de com sistemas de economia de energia, reuso de águas da chuva a cinzas, aproveitamento de água de condensação nas torres de resfriamento, metais e lavatórios com baixo aproveitamento de água, descargas com duplo disparo, sistemas de coleta seletiva e reciclagem além de um projeto que aproveite ao máximo as características físicas naturais do terreno.

"Os critérios de sustentabilidade dão o potencial ao edifício, mas não garantem que ele será sustentável ao longo de toda a sua vida útil, porque depende da educação do usuário", disse.
Assim, conclui que os melhores resultados no segmento são conseguidos quando além de uma qualidade do projeto e dos materiais, o cliente necessita ser conscientizado para aproveitar os recursos e as tecnologias sejam simples e de fácil manutenção.